Guia fácil para vencer um Big Brother Brasil


Não se espante ou faça cara torta, se a Goma não te é estranha sabe que nosso lema é “quando explode faz pop” e se faz pop tem lugar aqui. Portanto na terça-feira, estréia da décima edição do reality-show[bb] mais popular do Brasil, nossos olhos também estarão voltados para os participantes – futuros convidados do Super Pop – mais bisbilhotados do país.

Claro que nem todo mundo aprecia o formato e muitos questionam sua relevância. Mesmo na Goma, não somos todos os que se permitem surpreender com uma premissa potencialmente derretedora de cérebros*. Assim como eu não apreciava os arranjos de roteiro de J. Michael Straczynski na falecida Babylon 5 (eu preferia os poucos episódios que vi de Farscape**), entendo que não cabe a mim ou a ninguém convencê-los a assistir ou a desligarem suas televisões[bb] para nenhum programa.

Por isso esse espaço reserva-se a você que mantém sua cabeça aberta, seu raciocínio crítico afiado e sua vontade de mergulhar mais uma vez na arena de conflitos humanos mais bem roteirizada no universo dos reality-shows. Como um melodrama das 22h30, o BBB segue uma linha dramática e possui a mesma estrutura das telenovelas[bb]. Nos primeiros 10 dias apresenta seus personagens, depois de 1 mês tem seu primeiro ponto de virada, entra no marasmo logo quando o conflito se resolve, em seguida entra em seu segundo ponto de virada e prepara o caminho até a reta final.

Se você mandou seu vídeo e não foi aprovado, se sua conta no twitter[bb] não tem mais do que umas dezenas de followers ou se sua montagem noturna não atraiu a atenção do pessoal que seleciona os participantes não se aflija, tem sempre o ano que vem. E pro caso de você estar à beira da piscina gritando Biaaaal em 2011, segue aqui um guia fácil para chegar ao tão cobiçado milhão (e agora “e meio”):

Kleber Bambam (BBB1) – Numa casa cheia de personalidades fortes como jamais existiu, Kleber Bambam se destacou justamente sendo a antítese de seus colegas. A primeira regra para vencer um BBB é “esteja em desvantagem”. Está no DNA humano torcer pelo mais fraco, ainda que nem sempre ele seja verdadeiramente o elo frágil da corrente de personagens.

No caso do BBB1, enquanto Adriano e Leka brigavam por atenção e Cristiana e Bruno pelo leite condensado, Kleber Bambam fez-se massa de manobra das combinações e pagou de inocente sem sequer ter a chance de traçar uma estratégia. No golpe final, crie um amigo imaginário e passe a acreditar que ele é real. O chamado “golpe da Maria Eugênia” garantiu 500 mil reais para o único ali que teve a capacidade de se envolver em todas as confusões[bb] sem jamais ser o mentor de nenhuma delas.

Rodrigo Caubói (BBB2) - Na equivocada segunda edição do BBB, a casa foi quase que exclusivamente preenchida por personagens odiáveis. Era difícil simpatizar, por isso, a estratégia mais indicada é “fazer o Caubói” e ser o amigo de todos, mas não ser o amigo de ninguém.

Deixe que a Tina bata panelas, não se envolva no grude Thyrso-Manuela e não caia nos truques da aeromoça que escovava os dentes e se depilava com a mesma água de banheira. Simplesmente esquive-se dos paredões sendo completamente nulo e até o chegar ao prêmio[bb]. Funcionou (mais de uma vez!).

Dhomini (BBB3) – O elenco do BBB3 veio diretamente da Zona Negativa (aquela mesma em que Reed Richards sempre tenta penetrar). No espectro oposto do BBB2, todos no terceiro time eram aparentemente amáveis. Portanto, use a primeira regra e seja a minoria: nesse caso, seja detestável. Dhomini foi talvez o mais odiado dos vencedores do Big Brother Brasil.

Até hoje será difícil encontrar alguém que realmente votou para que ele vencesse, assim como em Collor, ninguém jamais confessará o apoio. Aliando-se a Sabrina do Pânico (esse é o nome inteiro dela sim), Dhomini venceu o mais racional dos antagonistas, Jean Massumi. Jean articulou como pôde a ida de Dhomini aos paredões, mas a força carismática do goiano e seu misterioso script[bb] de votantes superaram qualquer artimanha.

Cida (BBB4) – Acho que minha estratégia favorita é a da Cida do BBB4. Muitos vão dizer que por ter sido sorteada, ela ganhou, mas todos sabemos que isso não se aplicou muito bem no BBB5, então defendo a tese que a vitória foi uma combinação de um grupo de pessoas intragáveis (pensa em alguém que dizia “Mama, mama” com sotaque argentino de 5 em 5 minutos) com uma atitude intensa e progressiva de “Tô nem aí” que a levaram a conquistar o prêmio de 1 milhão.

Enquanto Solange e Marcela batiam cabelo, Cida tomava sol na piscina. Enquanto Juliana e Dourado (argh) discutiam a relação, Cida dormia. E dormindo fez seu caminho até o primeiro lugar, tornando-se a primeira mulher a vencer a competição.

Jean (BBB5) – De longe a quinta é a minha temporada favorita. E foi vencida na primeira semana quando um grupo de pessoas saídas da Marte decidiu combinar o voto contra o único participante obviamente gay. Se foi algo pensado? Não, não acredito que foi. Mas não escutar o zeitgeist do bom senso e articular algo tão estúpido logo nos primeiros cinco dias foi talvez o maior tiro no pé da história dos reality-shows.

Jean não precisou de muito para ganhar, com uma Grazi ao seu lado, tudo o que ele precisava era abiscoitar o máximo número de lideranças e não dar qualquer mancada para não abalar o carisma conquistado pelas minorias[bb]. Sendo o mais decente na casa, levou fácil. Claro que muitos discordarão, mas aqui não houve truques ou estratégias, foi a vitória mais natural possível.

Mara (BBB6) – O BBB6 nunca existiu. Foi um erro de pouco menos de três meses. Mara reaplicou o ‘Rodrigo Caubói’ e sobrou. Ainda assim, sobrou de forma tímida e antipática.

Não fosse a “primeira participante da região norte” essa seria uma temporada praticamente nula. E sim, Thaís, nós todos lembramos do seu discurso sobre como a beleza negra te despertava calores.

Diego Alemão (BBB7) - A mais novelística das versões. Teve vilão de verdade que cumpriu os requisitos Disney[bb] de malvadeza, teve mocinha que irritou a audiência e teve mocinho que soube enfrentar todas as adversidades para chegar ao laurel e dar o beijo final numa versão moderna do “felizes para sempre”.

Ou seja, estratégia para vencer número 6: arranje uma trouxa na casa, finja que a ama, sofra com a separação, permita-se ser vítima por um tempo e depois recolha o ouro sozinho quando as câmeras não estiverem mais em você. Técnica também conhecida como “O golpe Alemão”

Rafinha (BBB8) - Se existe uma paráfrase de A Arte da Guerra, ela é o BBB8. Após 7 anos de escola, o time de personagens da oitava temporada estava consciente até demais das regras daquele jogo. Veto, confessionário, choro para câmera, brigas calculadas e até mesmo saídas descontroladas do armário. Tudo feito com a precisão de um relógio suíço, acertado antes da casa numa tal rede social que apenas os muito ansiosos por participar conheciam.

O 18 de Brumário de Rafinha foi discreto, a casa tornou-se uma pequena Versalhes cheia de intrigas internas desde a primeira semana com Jacqueline vs Juliana VIII (são mtas Julianas), seguido do combate Thalita vs Marcelo vs Fernando, que avançou para o embate Marcelo vs A Casa (Tati Biônica + Marcos + Loira). Tudo secretamente insuflado por Rafinha, que se estranhou com Marcelo na primeira semana. Foi um tanto chocante notar que o psiquiatra não percebia que estava cavando sua própria sepultura ao se distrair demais achando que Gisele lhe dava alguma importância. Rafinha colocou as letras E-M-O[bb] em “prêmio”.

Max (BBB9) – Para complicar as coisas, a produção foi à loucura no brainstorm e fez de tudo para abalar psicologicamente os novos participantes, de modo que a previsibilidade bélica da edição anterior passasse longe da nova casa. Primeiro dividindo-os em três faces (vidro, ricos e pobres). Depois, reunindos-os abruptamente para em seguida enfrentarem mais uma facção vinda de outra casa de vidro[bb].

A trama do BBB9 foi quase uma “House of M” no qual Priscila (que tirava suas roupas direto do armário da Feiticeira Escarlate) roubou a atenção de todos no programa, atingindo o ápice da simpatia numa explosão de piriguetes e donas de casa se assumindo fãs, para perder tudo numa infinitesimal porcentagem que deu a vitória para Max. Nunca entenderei qual a estratégia dele, mas compreendi de uma vez por todas qual é a regra de ouro para se vencer um BBB: não seja uma mulher bonita.

Resumão: 1- Esteja em desvantagem; 2- Sobre no grupo; 3- Seja o oposto do que esperam de você; 4- Não dê mancadas; 5- Defenda o amor da sua vida (mesmo que seja de mentirinha); 6- Alimente intrigas sem se envolver; 7- não seja uma mulher bonita!

Aguardemos a estratégia de 2010. Que vença o mais sagaz!

*Não preciso lembrá-los de que a franquia Big Brother pertence a Endemol que, por sua vez, pertence ao 1o ministro italiano Silvio Berlusconi – isso explica a quantidade de corpos sarados e close-ups de biquínis a cada cinco minutos de edição!

**Farscape tinha aquela premissa Buck Rogers/Flash Gordon, do estranho jogado no mundo alienígena que mal conhecia, tornando-se seu senhor e mestre. Premissa que quase nunca revemos né? Mas era mais acessível do que Babylon 5, seus Vorlons quase místicos e seus exércitos de Sombras. Talvez devesse dar uma chance ao Straczynski… mas isso é assunto para outro post.



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Goma de Mascar no Facebook

  • http://mpadrao.blogspot.com Márcio

    Acho que a estratégia de Max foi uma da de Alemão com a de Rafinha: namoradinha, faça muito tipo, não seja inimigo declarado de ninguém. Mas o principal para Max foi assumir o jogo aberto sem denegrir os oponentes.

  • http://mpadrao.blogspot.com Márcio

    “uma mescla da de Alemão”, faltou a palavra.

  • http://flaviadurante.blogspot.com flávia d.

    o bbb5 tb é o meu favorito de todos os tempos e o jean o meu bbb favorito ever!

    e o max tá conseguindo passar o dhomini como o bbb mais odiado!!!

    muito bom, denisss

  • http://35389940 luiz fernando ramos caetano

    gostaria de participar muito do bbb10

  • Mariana

    Não ser inimigo declarado de ninguém é uma boa. Pq vc não se queima facilmente, quando vc fica de picuinha é uma coisa. Mas vc apontar o dedo na cara dela e discutir em público, ai vc se detona. E caso alguém implique com vc, dá uma de joão sem braço e segue. auhauahu fail…

  • Joana

    O Bambam era um tosco, ele ganhou pq é da população, para a população.
    o caubói, pq num tinha ngm pior.
    O Dhomini com aqueles papos de seita, a globo não queria uma praga lançada sobre ela.
    A Cida era 25% da população brasileira, pobre, baba e analfabeta.
    O Jean era o bonzinho né. O cara intelectual e perfeito! Sim gay, perfeito. Pq hj em dia é assim.
    A Mara é mara!
    O Alemão fez o que todo mundo gosta e não pode fazer e quem faz, faz escondido. uhauahauhauhauauhahuauauauauh Tipo os telespectadores viram seu desejo mais repremido ali banalizado na TV.
    O Rafinha meu, dava vontade de bota ele na cama, conta uma histórinha, depois um boi da cara preta até ele pega no soninho.
    O Max era o tipo perfeito de incognita. Vc nunca sabia onde ele estava jogando. Sendo esse o jogo dele.
    Bolacha Bauduco Brasil…

  • Alexia

    BBB é uma desgraça para a humanidade. Acho difícil que consigam criar um programa mais idiota do que esse.

  • http://tatiluz.blogspot.com Tainã

    Sempre achei que BBB tivesse roteiro…

    E continuo achando!

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