Goma-visão #15 – Drop The Gun!


Levei quase uma semana, mas consegui assistir a pequena maratona que deu início ao oitavo pior dia da vida de Jack Bauer. Depois de chegar ao ápice na quinta temporada e ao fundo do poço na sexta, 24 conseguiu se reerguer em 2009 com uma trama suficientemente interessante para garantir a continuidade de uma das melhores séries de ação. Digam o que quiserem, mas 24 é pra mim o roteiro que mudou tudo e deu prestígio pop a televisão numa época em que o cinema de pancadaria fraquejava. Graças a Jack Bauer tivemos um inteligente Jason Bourne[bb] e a reinvenção de James Bond. Vai dizer que isso é pouco para um personagem saído de uma série da Fox?

Essa semana teremos algumas estréias e alguns velhos conhecidos. Human Target, Being Human, 24, Life UneXpected, Fringe, The Vampire Diaries, Project Runway e Caprica. Sempre necessário lembrar que o texto está cheio de spoilers:

Human Target (2010) - “Pilot” / “Rewind”
Foi meio enervante me pegar odiando o piloto de Human Target. A série baseada numa HQ dos anos 70 [revivida em 2000] mantém muito pouco do que Christopher Chance tem a oferecer. O piloto é uma sucessão de erros da premissa que (produzida por McG) flerta muito com o que já vimos antes em As Panteras. Um insuspeito trio de especialistas em segurança se unem para resolver casos semanais em situações de alto risco. “Emerson Cod” (Pushing Daisies) perdeu um pouco do carisma, mas ainda é bom vê-lo em cena. Chance (o ex da Olivia em Fringe) continua sarcasticamente charmoso, mas é mesmo Guerrero (Jackie Earle Haley) que rouba a série com seu visual psicótico de poucas palavras. Tricia Helfer (BSG) foi a única coisa que me motivou a terminar o piloto, no entanto, em “Rewind”, acabei dando o braço a torcer. A trama teve um dedo a mais de complexidade e, eu admito, fazer o Poseidon num avião me emocionou na medida certa. Aguardemos para saber se foi apenas uma onda de sorte ou se a maré continua! [compre: HQ do Human Target]

Being Human“Episode 2″
O primeiro capítulo da temporada de 6 episódios não foi dos mais emocionantes. Os elementos estavam lá, eu queria novamente me entregar ao trio Lobisomem, Fantasma e Vampiro, mas algo me segurou. Fiquei feliz de revê-los, mas não tanto quanto nesse segundo episódio. Agora sim estamos perto da sensação de pavor e desconforto que Being Human foi criada para causar. Aparentemente, o fato de Annie ter dado as costas para a própria morte não passou despercebido pelas forças que controlam o Além-Vida. Manipulando alguém que deveria ter igualmente morrido, uma entidade desconhecida conduziu a fantasma mais gente boa de Bristol a um TENEBROSO corredor vermelho – que me lembrou muito os corredores do Hotel Overlook – deixando seus amigos cientes de sua incapacidade de agir numa situação extrema. Continuo temendo pelo vilão ultra-católico que – graças ao Mitchell – passei a entender. Quando perguntado sobre a revelação dos sobrenaturais ao resto do mundo, o vampiro explica o futuro apocalíptico de perseguições sem fim que os aguardaria caso isso acontecesse. Mal sabe ele que o futuro está para bater em sua porta. [compre: BEING HUMAN em DVD]

24 - “4:00PM – 8:00 PM”
Tanta coisa pra falar! Será uma missão Bauer-iana resumir tudo em um único parágrafo, mas aí vai. Jack se curou da exposição ao agente biológico da sétima temporada. Sua neta o chama de “Jack”, Kim está casada com o Stefan de “The Vampire Diaries”, um informante do caso Salazar (terceira temporada, Jack viciado em dorgas, mano) bate a porta do mais perigoso agente aposentado da América e o envolve numa nova confusão política que só pode terminar mal. Paralelamente, a nova CTU NY revela que por entre seus corredores Enterprise continuam a caminhar os mesmos funcionários incompetentes, desatentos e potencialmente traidores. O novo chefe, Hastings, faz bem seu papel de pedra no sapato de Chloe (Bill Buchanan, você faz falta) que dessa vez não está tão atualizada nos modernosos sistemas operacionais da nova sede. Levando um chega-pra-lá computacional de Dana Walsh (Katee “Starbuck” Sackhoff), Chloe volta a fazer suas caretas enquanto dá um olé na chefia prevendo que seus problemas não se resolveriam tão fácil quanto todo mundo ali gostaria de pensar. Cole Ortiz (Freddie Prinze Jr.), o agente que a CTU contratou no verão passado, parece ser o novo e confiável Tony Almeida na defesa do presidente Omar Hassan, uma espécie de Palmer reencarnado num Irã alternativo. Por acaso, a premiada Cherry Jones ainda não mostrou ao que veio, tal qual Davros (o Horace Goodspeed de Lost[bb]) que acabou cedendo bem rápido. Por outro lado, Reneé voltou e mais badass em 15 minutos do que em todos os 24 episódios da temporada anterior. Será que o Jack vai finalmente ter uma parceira a altura? Uma que não surte na China e que não tenha amnésia dissociativa no meio de Los Angeles, por favor. O oitavo dia começou. [compre: 24h em DVD]

Life UneXpected - “Pilot”
Será possível que esse tenha sido o melhor piloto do CW em anos? Desde as falecidas Everwood e Gilmore Girls[bb], a Warner estava carente de um bom feel-good drama (se é que isso é possível). Comecei a assistir Life UneXpected com dois pés e meio braço atrás, mas o drama foge dos clichês de Juno e abraça Lorelai Gilmore em toda sua glória – sem ser uma reprise, o que é a melhor parte. O ótimo piloto presta um serviço interessante ao contar uma história família do ponto de vista de uma adoção que nunca vingou. Shiri Appleby, no auge de seus 31 anos, interpreta uma Cate Cassidy que tem… 31 anos! Isso já aconteceu em alguma outra série? È ao mesmo tempo um tanto surreal ver a Liz de Roswell[bb] como mãe (ela estava no colegial não faz muito tempo), e um tanto realista para a personagem que teve uma filha aos 16 anos e a deu para adoção. Kristoffer Polaha faz um ótimo trabalho como o adulto que não amadureceu, mas que diante de Lux (Brittany Robertson, escolhida a dedo), pretende enfrentar o desafio de ser pai de uma adolescente do dia para noite. A química entre o casal precisa de uns ajustes, mas para isso trouxeram Kerr Smith direto do limbo dos coadjuvantes. E palmas pela trilha de nomes desconhecidos e pelo ótimo uso de Spin Doctors, CW. Me senti oficialmente velho ao ver que “Two Princes” é música de flashback.

Fringe - “What Lies Below”
Tava demorando para chegarmos no episódio em que um vírus antediluviano transformar Peter Bishop em um semi-zumbi, né? Bom, o dia chegou e não foi exatamente como queríamos, mas serviu para dar um empurrão na maior de todas as revelações da série: Peter não é desse mundo. Presos num prédio que estava prestes a ter o mesmo destino de Raccoon City[bb], Olivia e o filho de Walter Bishop arriscam suas vidas para salvar o mundo de uma epidemia que matou quase todos os mamíferos na Era Glacial. Do lado de fora, Walter interrompe sua visita matinal a uma feira de ciências infantil para lutar contra o CDC usando o velho “você sabe quem eu sou” e, consequentemente, achar a cura e salvar Peter da morte “de novo”. Astrid, cada vez mais ligada nas conspirações do Bishop-pai é a única a reparar no irracional medo de perder o filho que o cientista mais brilhante do mundo parece não superar. Minha opinião: ela já percebeu que Walter está escondendo algo sombrio. Cadê a Olivia nessas horas? [compre: DVD de FRINGE]

The Vampire Diaries - “Bloodlines”
Damon voltou! Damon voltou e agora podemos não-dormir em paz! Diga-se de passagem, bom uso de Florence and the Machine com seu “Cosmic Love” que também apareceu em Grey’s Anatomy na semana passada. A música teve para mim (e pra os comentadores do Youtube que deram infinitos plays no vídeo) muito mais impacto na série dos irmãos Salvatore, que se trata justamente dos tais ‘amores cósmicos’. Em Bloodlines descobrimos junto com Elena – já não tão santa – que a menina mais disputada pelos vampiros pode ser sim descendente direta da maligna Katherine. E, melhor ainda, Katherine não morreu. Finalmente compreendi que a tumba enfeitiçada pela ancestral de Bonnie não eliminou todos aqueles vampiros[bb], só os lacrou, eternamente vivos. Não bastando essa trama maior, Damon tem que lidar com um vampiro que quer puni-lo pela morte de Lexie, uma bruxa traída 20 anos atrás (Gina Torres, sempre bem vinda) e o caçador Alaric Saltzman que parece possuir um interessante anel capaz de dar-lhe alguma vantagem numa luta contra sugadores de sangue. Pouco a pouco, Vampire Diaries cresce em proporções que – eu sinceramente espero – tornem-se whedonianas. Vamos lá Kevin Williamson, eu quero acreditar! [compre livros da série Diários do Vampiro]

Project Runway“The Fashion Farm”
Como prometido, PR voltou mais rápido do que a Heidi Klum pôde dizer ‘aufidersen’, mas aparentemente não tão rápido quanto o Seal[bb] pôde engravidá-la. Ao som de mais uma rodada de tecno-trash, os candidatos da sétima edição já se mostraram bem mais versáteis do que os da versão anterior. O desafio desse segundo episódio era transformar um saco de batatas num vestido de festa e – perdão pela paráfrase, Winston Churchill – nunca tantos, fizeram tanto, com tão pouco. Dos novos candidatos minha favorita pela sem-noçãozice é a Ping, mas sinto que muito em breve ela se despedirá de nós graças a sua abordagem nada tradicional. Dos talentosos mesmo acho que ainda é difícil identificar um favorito, mas fiquei mais aliviado de ver tantos designs diferentes num só desafio. Fazia tempo que a criatividade não visitava as passarelas de Project Runway. [compre: PROJECT RUNWAY em DVD]

Caprica - “Pilot”
Nunca assistiu BSG[bb]? Não via motivos para acompanhar a saga dos Humanos vs Cylons? Bom, se a Tricia Helfer mencionada acima não te convenceu, então assista pelo Eric Stoltz, o avô dos tais Cylons que, no piloto de Caprica, descobrimos terem sido criados por sua filha, Zoe Graystone. Desenvolvendo um google particular, Zoe foi capaz de criar um software que combina todas as informações publicadas sobre um determinado sujeito para gerar uma versão virtual 100% realista de qualquer pessoa localizada nas 12 Colônias. Unindo essa genialidade com as perigosas inclinações de Zoe ao monoteísmo terrorista que paira pela sociedade futurista de Caprica, temos a receita para a origem dos mais perigosos seres que o universo já viu. Isso se você estiver descartando os próprios humanos. Coisa que BSG não fazia. A luta entre os homens politeístas e as máquinas de um deus só está para começar e foi tudo culpa de uma adolescente que não se divertia nas baladas de sexo, drogas e sacrifícios humanos virtuais que o resto da classe dela parecia adorar. Vamos ver o quanto o duelo ideológico de Joseph Adama e Daniel Graystone moldará o futuro apocalíptico que erradicará boa parte da vida no universo conhecido. [compre: Battlestar Galactica em DVD]

Semana que vem: uma rodada de ficção científica pra galere!



This entry was posted in Goma-visão, TV and tagged , , , , , , , , . Bookmark the permalink.



Goma de Mascar no Facebook