A Goma recomenda: Doctor Who


Talvez pareça meio possessivo dizer que a “Goma” recomenda, mas sei que outros blogueiros que fazem parte desse coletivo (incluindo seu idealizador) são fãs de Doctor Who, série britânica que ressurgiu com força total em 2005 e vem conquistando novos fãs ano após ano. Definitivamente parte da história da televisão, a série criada em 1963 pela BBC atravessou o tempo, assim como seu protagonista, angariando uma legião de adoradores como este que vos escreve!

A idéia aqui não é fazer uma ficha estilo wiki sobre a série, por isso não espere detalhes técnicos ou números de exibição, o foco do post é contar em termos simplificados a trama e provar que ela pode ser acompanhada por qualquer pessoa, em qualquer ponto de sua linha temporal.

Começando do começo (o que pode parecer redundante, mas nesse caso é necessário estabelecer um ponto fixo numa linha do tempo que não é bem uma linha!), quem é o tal “Doctor”? Há muito tempo, numa galáxia muito, muito distante existia um planeta chamado Gallifrey; nesse planeta, um grupo de pessoas especiais formou uma das civilizações mais avançadas do universo: os Time Lords. Nem todos que nascem em Gallifrey viravam Time Lords, mas os que passavam pelos ensinamentos transformaram-se em seres reconhecidos e notáveis. Capazes de viajar no tempo e no espaço, os Time Lords recebiam a incumbência de zelar pela existência. Pilotando suas TARDIS (naves vivas, cultivadas em Gallifrey, cuja sigla quer dizer: Time And Relative Dimension(s) In Space), os Time Lords protegiam o universo atraindo para si ameaças e perigos inomináveis. Os TARDIS podem se disfarçar em qualquer formato e geralmente são maiores por dentro do que por fora.

Um desses Time Lords, um rebelde, cujo nome real jamais foi revelado (porque nomes têm poder em Doctor Who), durante um teste da Academia dos Time Lords enquanto encarava um vórtice temporal – e consequentemente a magnitude do tempo/espaço – fugiu sem olhar para trás, roubou para si uma TARDIS (que assumiu a forma de uma Police Box inglesa) e partiu para as estrelas se auto-proclamando “um Doutor de todas as coisas”, o Doctor. Genial, ele escolheu, de todos os planetas em todos os tempos, a Terra porque viu nos humanos potencial para grandes feitos, além de descobrir neles a compaixão e as emoções que muitas vezes faltavam aos Time Lords. Um pacifista, o Doctor não usa armas, usa apenas sua confiável “chave de fenda sônica”, capaz de abrir qualquer porta e qualquer sistema.

Muitas foram as suas faces – nesse que talvez seja o recurso mais bem sucedido da televisão – já que os Time Lords possuem um “truque” para lidar com a morte. Sempre que um deles é morto, uma reação em cadeia é iniciada e um processo de regeneração os ressuscita. No total, são 12 regenerações e consequentemente 13 vidas para cada Time Lord. Atualmente, o Doctor está em sua décima encarnação (interpretada por David Tennant).

A cada regeneração, novos aspectos são acrescidos ao personagem. O primeiro era um velhinho, quase um avô (que inclusive possuia uma “neta”), conservador e franzino. Os seguintes alteraram-se entre excentricidades, roupas coloridas, uniformes de cricket e fantasias com pontos de interrogação. Apesar de sua idade “linear” aumentar conforme as regenerações, suas regenerações parecem cada vez mais joviais. O décimo Doctor usa allstar, óculos escuros e tem um senso de estilo moderno.

Outro elemento que se altera junto com as regenerações é o dos acompanhantes do Doctor. Durante as muitas temporadas, estamos na casa das dezenas na contagem de tripulantes ocasionais do TARDIS. Incapaz de viajar sozinho, o Doctor sempre encontra alguém que está disposto a se arriscar pelo espaço/tempo. Na nova versão da série, os companheiros fizeram história absorvendo vortex temporais, enfrentando paradoxos ou salvando – praticamente sozinhos – o universo. Rose Tyler, Mickey Smith, Martha Jones, Donna Noble e Jack Harkness são alguns dos nomes tão importantes quanto o próprio personagem principal.

Entre os novos fãs, Rose recebe os maiores aplausos por nos reintroduzir a esse personagem icônico. Ela, uma garota humilde que trabalhava como atendente numa loja de roupas, foi a primeira companheira do século XXI a se unir à nona versão do Doctor (interpretada magistralmente pelo Christopher Eccleston). Perdidamente apaixonada pelo personagem, Rose teve uma separação conturbada e difícil, tornando-se tão icônica que retornou na quarta temporada por um breve e decisivo momento. Jack Harkness, o companheiro que não pode morrer, teve seu destino transformado numa série paralela, “Torchwood” (anagrama de Doctor Who), assim como Sarah Jane Smith, companheira da uma regeneração passada que ganhou a série “The Sarah Jane Adventures“.

Mas nem só de amigos faz-se um personagem emblemático. Parte da mitologia do Doctor também envolve seus maiores inimigos. São muitas as criaturas alienígenas e humanas que se meteram nos caminhos do Doctor (ou vice-versa), mas os que mais recebem destaque são oficialmente quatro. O primeiro deles, seu arqui-rival, o Time Lord que se auto-intitula “O Mestre de todos os assuntos”, The Master. Amigos quando crianças, o Master e o Doctor duelam através das Eras por serem ao mesmo tempo muito parecidos e muito antagônicos. Outros rivais que já ameaçaram diversas vezes o universo são os Cybermen, criaturas vivas transformadas em máquinas cujo objetivo é a “conversão” de todos os seres em ciborgues conquistadores. Por acaso, os Borgs de Star Trek são os netos dos Cybermen.

Por falar em civilizações conquistadoras, os maiores adversários do Doctor são com certeza os Daleks e seu criador, Davros. Verdadeiros tanques de guerra, armados e prontos para “exterminar”, os Daleks atravessam o universo tendo como único objetivo sua destruição total. Criados no planeta Skaro, os Daleks foram os maiores adversários do Doctor na chamada “Time War”, uma guerra de escala tão gigantesca que civilizações menores jamais souberam de sua existência. Foi na “Time War” que o Doctor finalmente destruiu os Daleks de uma vez por todas, mas levou com isso seu próprio planeta e povo a aniquilação total.

Na série de 2005, Gallifrey e os Time Lords já não existem mais. Apagados do universo como resultado do final da Time War. O Doctor, o fugitivo, foi deixado para trás, tornando-se assunto de lendas por todo o universo. Mesmo acompanhado, ele está sozinho para proteger e observar as flutuações e os rumos da realidade.

Ufa!
A série, que está numa pausa de 1 ano, alimenta-se em 2009 por especiais. Ao todo serão 4 especiais que marcarão o final do décimo Doctor e o inicio do décimo primeiro, o mais jovem deles, interpretado pelo desconhecido Matt Smith. Os rumores sobre a nova temporada em 2010 não param de chegar. Falam sobre novos companheiros, o retorno de Gallifrey, uma nova versão interna do TARDIS e ascensão de velhos inimigos que ainda permanecem obscuros no passado vasto da série original. O responsável pelo retorno da série, Russel T. Davies, passa o bastão para o brilhante Steven Moffat que pretende revolucionar a mitologia da série como jamais vimos.

E porque Doctor Who é tão interessante? Pra mim, o segredo está na identificação de quem assiste a série com seu personagem principal.

De uma certa forma, somos todos Doctors. Pensa comigo, nascemos essencialmente sozinhos, crescemos e achamos nossos caminhos, que são diferentes dos caminhos de todos os outros ao nosso redor. Viajamos pelo tempo, na medida em que envelhecemos atravessamos eras. Mudamos de aparência de tempos em tempos, regeneramos em diferentes pessoas que às vezes nem são reconhecidas pelos que nos acompanharam em viagens passadas.

E quanto a esses, são tantos quanto são as despedidas. Durante cada fase, novos amigos, companheiros de jornada que chegamos a achar que jamais nos deixarão. Entretanto, cedo ou tarde, mesmo as maiores amizades acabam. Ou porque não nos reconhecem mais, ou porque entramos em conflito, ou porque nossos objetivos não são mais os mesmos. Construímos nossos TARDIS que vão mudando conforme nosso amadurecimento e seguimos sempre em frente conhecendo novos lugares, novas pessoas, numa aventura romântica que parece durar até o fim de nossos tempos, porque sim, mesmo para Time Lords, todos os tempos chegam ao fim.

Agora, toda vez que a Goma reportar um novo rumor de Doctor Who, esse post ficará linkado para todos os que ainda não descobriram essa excelente série que tem vários fãs famosos, tal qual Thom Yorke (que fez uma música referenciando o Doctor) e a Rainha da Inglaterra que (dizem) não perde um episódio.

Se você curte ficção cientifica ou está aberto a um bom come-drama que não se prende a efeitos especiais modernosos (pelo contrário), Doctor Who é a série favorita que você ainda não conhecia.

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  • http://annix.blogspot.com Annix Lim

    David Tennant <3
    Grande post!

    (edit : po, agora que vi que meu comentário entrou cortado)

  • http://hectorlima.com HectorLima

    um dos maiores atrativos também é a “britanicidade” da série, haha. quase uma aula da Cultura Inglesa em forma de fantasia juvenil, com momentos mais sombrios aqui e ali.

  • http://www.twitter.com/sagas Guiherme Sagas

    Parabéns pelo post, Denis! Emocionei, haha.

    Depois de ver o vídeo “Farewell Doctor Who”, fiquei com vontade de assistir ao filme e as primeiras temporadas.

    Legal lembrar que a vida dos companheiros é afetada pra sempre. Depois de poder ir pra qualquer lugar da história, ter que ficar em um só tempo/espaço é uma tristeza com a qual convivem pra sempre.

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  • http://pequenainfante.info Agatha Brandão

    Bom post! Eis a minha interpretação sobre Doctor Who também: http://www.pequenainfante.info/2010/01/doctor-who.html

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  • REBECAALVES26

    AMEI MAS AGORA QUERO VER TODOS OS EPISÓDIOS DE DOCTO WHO DES DE 1963 ATÉ OS DIAS DE HOJE; PODIAM CRIAR UM SITE SO COM ELES EU IA AMAR