4chan: m00t defende na CNN o anonimato na Internet


O criador do maior site de anônimos da interwebs – e pessoa indiretamente mais influente dos anos 00s – teve sua identidade revelada em 2008, mas agora ele começa a caminhar em direção aos holofotes. Christopher Poole, o “m00t”, deu entrevista à rede CNN e palestra no TED sobre seu fórum 4chan e vai na contramão da moda atual: as redes sociais botam em risco as liberdades individuais.

O novaiorquino de 22 anos conta nesta rápida apresentação da CNN que fundou o site aos 15 inspirado por fóruns de imagens japoneses porque gostava de Anime e não imaginava que ia se tornar essa fábrica de memes [como LolCats, RickRolling e um monte de besteiras legais que são o retrato do nosso tempo e você vê linkadas no Twitter, depois em blogs e veículos da mídia tradicional] nem este buraco negro que suga 7 milhões de pessoas não-registradas e gera 100 milhões de page views mensais. O não-arquivamento das mensagens, a quase não-censura e o anonimato são justamente pra ele o motivo de o 4chan [wiki] borbulhar de criatividade e informação.

Durante 5 anos ele foi uma espécie de Peter Parker das interwebs: sua família não sabia que gastava seu dinheiro com os custos do servidor e levou um susto quando as autoridades o procuraram por conta de uma falsa ameaça de bomba em um estádio que havia sido postada no 4chan.

M00t não tem ligação com nada de ilegal postado nos fóruns – como pornografia de todo tipo, mensagens racistas, downloads de material protegido por direitos autorais, organização de protestos contra a Cientologia – mas defende o anonimato dos usuários sempre. Ele até diz que o movimento Project Chanology contra a censura que a religião de Tom Cruise quis impôr na internet não vai dar certo justamente por ser anárquico demais; quem está lá pelos lulz acaba puxando a coisa pra baixo, fazendo o meio ser a mensagem a tal ponto de esvaziar o discurso. O que não é ruim por si, apenas mais um fato do consciente coletivo que foi gerado no fórum.

Poole deu uma palestra na conferência californiana TED [Technology, Entertainment, Design], que aguardamos ansiosamente ser postada no site. O vídeo da CNN dá uma idéia geral do conceito do anonimato no 4chan, que – por mais que acoberte os trolls – ele defende como libertador. E lamenta que o anonimato seja cada vez mais difícil hoje na interweb, o que pra ele é assustador:

Estamos caminhando mais e mais pra identificação de usuário. Sua identidade online hoje vive em muitos lugares: no Twitter, Facebook, talvez no Myspace [heh]. As pessoas colocam muita informação sobre si mesmas nesses lugares, estamos no sentindo confortáveis em dividir detalhes muito íntimos sobre nossa vida. Sobre tudo.

M00t diz que o anonimato permite a total liberdade de expressão da forma mais honesta, por mais que isso implique em tolerar muita besteira [abismalices que nem valem a pena listar aqui, mas que teoricamente os moderadores do 4chan apagam]. Porque ninguém é julgado pelo username, data do cadastro ou meritocracia, mas pelo conteúdo do que expressa.

Isso joga uma luz interessantíssima sobre o conceito de identidade individual e de massa crítica justamente quando todos os gurus de internet pregam o as redes sociais como a nova panacéia e futuro da forma como se produz, veicula e consome publicidade – dando de mão beijada para as corporações tudo que é tipo de informação a nosso respeito.

Parece contraditório que Poole tenha justamente saído do anonimato para defendê-lo, mas me parece que ele tomou esse tiro pra proteger seus usuários. E ele precisa dar a cara pra bater pra “vender” o 4chan pros anunciantes porque os custos para mantê-lo são altos. Essa é sua maior dificuldade, como diz nessa entrevista esclarecedora em que se diz apenas um estudante [mas não revela onde estuda] que precisa arrumar um emprego usando o que aprendeu com a internet esses anos todos.

bônus: o 4chan tem um primo brasileiro, o 55chan. entre por sua conta e risco.

[compre: livros sobre o 4Chan]



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