#timfestival: neon neon e klaxons – de volta para o futuro do passado hoje e sempre


a noite ontem no Tim Festival começou bem flat por causa da chuva forte que caiu em São Paulo, gerando mais congestionamentos do que o normal e fazendo o público se atrasar pra chegar no Ibirapuera, mas aos poucos foi ficando cabulosa, graças ao eletropoprap de arte do grupo galês Neon Neon.

Gruff Rhys, Boom Bip e sua tchurma, composta pela baixista cantora Cate Le Bon – raptada de um clipe do Devo no Delorean da banda – o baterista Kevin Stevens e o comediante irreverente Har Mar Superstar, mistura de Andy Kauffman com Ron Jeremy – que anunciava o tema das músicas [a história de John Delorean, inventor do carro usado como máquina do tempo em DE VOLTA PARA O FUTURO] e agradecia depois em portunhol.

e os cientistas do Neon Neon empunharam teclados-guitarra e sintetizadores de timbres vintage pra botar todo mundo dentro do Delorean pra ir a 1985, dar um oi pra Raquel Welsh no telão e ficarmos por lá curtindo uma mistura de Huey Lewis and The News com eletropop meio triste, meio engraçado, que acabou em “festa rave” animada embalada pelo poperô casado com samba de Boom Bip e o super furry animal Gruff berrando numa pedaleira distorcida que, assim com o capacitor de fluxo do carro de Doc Brown, de cara se recusava a funcionar mas pegou no tranco.

na viagem-festa-conceito não vimos Marty McFly, mas lembramos de tantos filmes dos anos 80 assistidos na Sessão da Tarde, quando uma galerinha do barulho aprontava muita confusão.

um bom tempo depois – para delírio das adolescentes coladas na grade à espera de Simon, o “marido da Lovefoxx” – entrou a banda inglesa de rock Klaxons, pra fazer um set poderoso de seu por enquanto único disco. não só as periguetes from uk deliraram; todos os [jornalistas-]roqueiros parecem ter adorado o ataque de baixo-guitarra e bateria e, ops, teclado também.

mas o Klaxons desde o começo sempre foi mais que uma banda de rock ou mesmo eletrorock: eles são new rave abravanada esvoaçante. por mais que o gênero não exista e seja uma brincadeira deles mesmos com a imprensa musical inglesa, sempre ávida pelo novo hype que vai alimentar a si mesma.

a rave dos klaxons é no sentido literal, por isso eu pessoalmente sempre achei o rótulo muito bem colocado: são uma banda que faz festa. animaram quem estava na arena montada no Ibirapuera com seu brit-frevo, sua micaretindie psicodélica dançante que canta metáforas sobre vida aqui e lá em cima, energias espaciais [poderiam ter aberto pro Kanye West tranqüilamente, se falarmos em temas comuns].

magia, a vinda do Escathon – o “fim do mundo” prenunciado por Lovecraft e pelo calendário Maia em 2012, cabeçudo o suficiente pra se manter underground, acessível o bastante pra se manter pop, no limite entre essas duas realidades através do espelho. a nova onda do futuro, a nova festa, bate o pé e entra em transe.

a festa não era só pra gente: o vocalista principal, Jamie [apenas 'de bowa', bêbado, louco de ácido ou os 3 juntos] falava torto com a platéia, sempre agradecendo por fazer a primeira vinda deles ao Brasil “memorável”, ria com Simon, o tecladista James ou o baterista Stephan – que compunham visualmente uma espécie de Queen ou Poison pós-ecstasy do século 21.

mas não estavam interessados só em beber e transar e fazer permanente no cabelo como os últimos, mas em cantar [boas melodias] sobre outras realidades possíveis às quais se podem chegar pela transmutação alquímica da mente através da dança, viagens já anunciadas em outras décadas pelos seus pais e tios Mutantes, William Burroughs, Phillip K. Dick, Grant Morrison e KLF.

MAIS FOTOS – E V



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    periguetes from uk é foda! huahuhuauh XD

    hector, sua resenha é a mais divertida e a única q fala das referências cabeça dos klaxons!!! resumindo: A MELHOR

    e viva o klaxons 8D