Mixtape Imaginária #2: Dorian Gray


Desde janeiro de 2011, o Flavorwire, um excelente site de crítica cultural, vem colocando no ar mixtapes criadas para personagens ficcionais. O que escutaria Sherlock Holmes, Jay Gatsby ou Hermione Granger se pudéssemos espionar seus mp3 players? A Goma entrou nessa onda faz algumas semanas e, cumprindo a profecia que começava com a demarcação do número 1, continuaremos a missão de invadir os iPods fictícios. Essa semana é a vez do célebre personagem de Oscar Wilde, o imortal Dorian Gray.

Um jovem belo e narcisista, Dorian se deixou preencher pelo conceito de hedonismo que lhe fora apresentado pelo arrogante Lord Henry Wotton. Imortalizado numa tela criada pelo amigo pintor Basil Hallward, o jovem Gray vende sua alma e atravessa as décadas sem jamais envelhecer, forçando os limites da moralidade inglesa no decorrer do século XIX. Sanando todos os seus desejos mais imediatos, Dorian Gray permanece inalterado enquanto seu retrato recebe os efeitos de suas transgressões.

Song for Clay (Disappear Here) – Bloc Party
Nada melhor do que discorrer sobre o hedonismo moderno em Londres através das palavras de Kele Okereke que caem como uma luva para um personagem intocável em todas as suas transgressões.

To Lose My Life – White Lies
“Let’s grow old together / And die at the same time”? Com ou sem hype, o White Lies soube bem criar um álbum dedicado à morbidez do personagem mais famoso criado por Oscar Wilde. “To Lose My Life” é uma música sobre mortalidade, dedicada àqueles que não querem morrer jamais.

I Can’t Decide – Scissor Sisters
Em seus momentos mais festeiros, o jovem Dorian não hesitaria em sair na companhia dos amigos londrinos para uma noite de dança e de pura incorreção moral. Melhor que “I Can’t Decide” não existe.

A Boy Like Me – Patrick Wolf
Somente alguém que sabe o peso de não envelhecer fisicamente e ainda assim ser alguém que atravessa o tempo pode entender o verso “he is both nine and ninety” tão bem. Patrick Wolf sabe muito bem representar a imaturidade de alguém que já deveria ter aprendido com a vida, mas insiste em continuar errando.

Runaway – Ladytron
Perdido nas baladas que atravessam semanas, meses e anos, Dorian certamente teria em seu mp3 player uma faixa capaz de levá-lo imediatamente para a pista, estripá-lo de sua identidade incerta e imbuí-lo do poder de fuga, do qual precisa tanto.

A&E – Goldfrapp
Quando quisesse se lembrar do amor que não correspondeu e dos resultados que isso causou, Dorian avançaria até “A&E” que parece uma composição feita pela própria Sibyl Vane, e que toca justamente na ferida de Dorian.

Rebel Prince – Rufus Wainwright
Dedicando uma faixa ao seu melhor amigo, Lord Henry, Dorian reservaria alguns megabytes para “Rebel Prince”, seu mestre e deturpado mentor.

Blue Blood – Foals
Ele tem sangue nas mãos, e é seu próprio sangue. Ciente do caminho de casa, Dorian Gray sabe que tem um encontro marcado letal e sabe que Foals é a banda que deve escutar antes de seguir até reencontrar sua própria alma.

Everybody Hurts – Annie Lennox
Para seus momentos de descrença, Dorian dispensa o R.E.M. e seu “Automatic for the People” – por ser um proto-hipster – e se apega a potente versão de Annie Lennox de “Everybody Hurts”. Para ele, Eurythmics vai ser sempre cool.

Happy Ending – Mika
Sabendo que sua história não vem com um final feliz, “Happy Ending” do Mika fecha sua playlist pessoal num tom sombrio. Sem esperança, amor ou glória, Dorian Gray viveu o suficiente para se desfazer de quaisquer ilusões.



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