Mixtape Imaginária #1: Elizabeth Bennet


Desde janeiro de 2011, o Flavorwire, um excelente site de crítica cultural, vem colocando no ar mixtapes criadas para personagens ficcionais. O que escutaria Sherlock Holmes, Jay Gatsby ou Hermione Granger se pudéssemos espionar seus mp3 players? Embora eu quisesse muito tomar essa ideia como minha, não posso deixar de lado minha moralidade e mentir, entretanto, agindo como Barney Stinson e aceitando o desafio, decidi criar um espaço na própria Goma para revelar o que escutariam alguns dos personagens mais interessantes da ficção.

Inaugurando a rodada de playlists atemporais teremos Elizabeth Bennet, a heroína romântica criada por Jane Austen em “Orgulho e Preconceito”. Saída direto do século XIX, Elizabeth é a segunda irmã mais velha das cinco filhas do casal Bennet de Hertfordshire, Inglaterra. Inteligente, impertinente e com olhos capazes de chamar atenção de homens inacessíveis, Elizabeth é talvez uma das mais contemporâneas personagens de toda a literatura vitoriana. Em sua mixtape, portanto, cabe uma variedade de artistas clássicos e modernos do pop e rock, capazes de servirem de fiéis escudeiros para a mais admirável das mulheres de Jane Austen.

Help, I’m Alive – Metric
Para abrir a lista de 10 faixas que Elizabeth traria consigo em seu player, a música cantada pela voz suave da canadense Emily Haines dá o tom do que esperar de sua ouvinte. Para destacar a força da batida do coração da eloqüente irmã Bennet nada menor do que uma suave martelada.

Rebel Girl – Bikini Kill
“Aquela garota pensa que é a rainha da vizinhança”. E quem vai dizer que ela não é? Para todos os que leram e/ou assistiram algumas das várias versões de “Orgulho e Preconceito” (até “Bridget Jones” conta), não é difícil encontrar a durona Elizabeth nos versos de Bikini Kill.

Heads Will Roll – Yeah Yeah Yeahs
Entre eventos na cada de duques e lordes ou festas sazonais nos arredores de Hertfordshire, Elizabeth se digna a sair de casa para manter as aparências de uma moça que também quer, eventualmente, deixar a casa dos pais… não necessariamente para os braços de um marido. No mundo dela, homens e mulheres choram em igualdade.

Chasing Pavements – Adele
Em seus momentos de introspecção, Lizzie (somos íntimos agora), recorreria aos vocais poderosos de Adele para aconselhamento. Armada contra os próprios sentimentos, a jovem inglesinha com um histórico de paixões mal sucedidas faria bom uso das palavras em “Chasing Pavements”.

Think – Aretha Franklin
Colocando de lado qualquer tentativa de sentir pena de si mesma, Lizzie convocaria Aretha Franklin para recuperar a noção de independência que o mundo ao seu redor constantemente tenta tirar dela. Faixa perfeita para dublagens no chuveiro, ainda que eles não existissem em 1813. Nem mp3 player, por isso use sua imaginação aqui, ok?

Dickhead – Kate Nash
Mesmo para a mais armada das pessoas, nem sempre dá para se proteger de eventuais decepções. Com uma garrafa roubada dos pais na mãe e um inexistente cigarro de palha entre os dedos, a Srta. Bennet não hesitaria em atribuir “Dickhead” a certas atitudes de seu problemático amor, Fitzwilliam Darcy.

Winter Winds – Mumford & Sons
Quando cogitasse desistir da vida, do universo e do amor que se força sobre ela sem que possa resistir, Elizabeth Bennet tentaria racionalizar seus sentimentos para tomar uma decisão acertada. Entra o cético Marcus Mumford na jogada. Possivelmente no repeat.

Cardinal Song – The National
Quando quer entender o outro lado, mesmo que o outro lado não mereça ser compreendido, surge a brecha para “Cardinal Song”. Transpondo Berninger por Darcy, Lizzie dormiria ao som de The National amaldiçoando a banda por fazê-la enxergar o que não queria.

Come in Alone – My Bloody Valentine
Para escutar enquanto caminha ou cavalga por aí, a música selecionada no player viria do My Bloody Valentine, e ai de quem acusasse sua escolha de ser inspirada numa trilha criada pela Sofia Coppola. Com opinião sobre tudo, a faixa ideal para calar sua mente irrequieta só poderia vir do shoegaze.

Don’t Change – INXS
Se tivesse que escolher um hino pessoal, Lizzie talvez encontrasse resistência na hora de defender os australianos do INXS, mas seria fácil convencer quem quer que fosse usando os versos de “Don’t Change”. Afinal ninguém menos do que Elizabeth Bennet sabe como é viver a controvérsia de se exigir que o mundo mude enquanto ela própria se recusava a mudar por quem quer que fosse.



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