Good Vibe!


Jamie Lidell

Quando o álbum “Multiply” foi lançado, em junho de 2005, a crítica elogiou incessantemente o inglês Jamie Lidell por dar fino trato experimental e eletrônico no funk e soul do mestre James Brown e do baixinho invocado Prince (olha ele novamente aqui na Goma). Apesar de ter uma seqüência inicial com quatro jóias pra lá de classudas, o cabecismo em excesso de faixas como “Newme” e “The City” deixou o resultado final um tanto entediante.

Quase três anos depois, o soulman-torto retorna em abril com “Jim”, seu terceiro álbum solo. E ele não poderia ter escolhido período melhor para tirar do forno um disco com fortes influências negras. Vide Amy Winehouse conquistando cinco Grammys com a amargura sublime de “Back To Black”, calcado na Motown. As “New Amys” Adele e Duffy também já colocaram no topo dos charts ingleses seus respectivos álbuns de estréia e singles evocando, cada qual a sua maneira, as raízes da soul music. Será que é a hora e a vez do cantor nos tops da vida?

Neste trabalho, Lidell deixa de lado o experimentalismo e mira naquilo que realmente sabe fazer: funk/soul horas dançante, horas com climão sexy. Tem até espaço para as rockers “Hurricane” e “Where D´You Go”, esta última recheada de palminhas. “Another Day”, a faixa de abertura, é puro Stevie Wonder, perfeita para escutar em uma manhã ensolarada e passando manteiga no pão… =P.

Os pontos altos ficam para a contagiante e caprichada “Wait For Me”, com um curto e belo solo de piano, o suingue cool de “Figured Me Out” e seu teclado descoladex e “Green Light”, feita para ser trilha sonora de noites em que o amor impera entre quatro paredes.

Os momentos mais intimistas aparecem em “All I Wanna Do” e no encerramento com “Rope of Sand”, guiadas predominantemente por violão que acompanha o canto-lamento de Lidell. Ambas quebram o ritmo animado do álbum, o que pode dar a impressão de que são fracas. Só impressão mesmo. Nada como ouvir o funk soul brother tristão invadindo o campo.

Se não melhora a proposta de reinventar a soul adicionando com mais precisão os elementos experimentais de “Multiply”, Jamie Lidell ao menos entrega com Jim um feijão com arroz muito bem feito e que supera as pretensões de outrora.



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  • Anonymous

    aguardadíssimo…,DDD