Björk e Michel Gondry se unem para fazer um “musical científico”. Então tá!


Já dizia Elijah Snow, o mundo é um lugar estranho. O diretor Michel Gondry, por exemplo, não acha Lady Gaga nada de mais. Nem mesmo as incursões videoclípticas pelo futurismo que a moça anda fazendo comoveram o prestigiado cineasta a dar uma chance para a popstar. No entanto, voltando as suas origens, Gondry anunciou esses dias o ousado plano de retomar sua parceria com Björk – a Gaga original – num “musical científico”.

Sim, essa é a exata tradução dos planos megalomaníacos da cantora islandesa e do diretor francês e não, não faz qualquer sentido. Durante o festival South By Southwest, Gondry confirmou o projeto de levar um musical de 40 minutos feito para ser visto em IMAX 3D e possivelmente destinado a ser exibido em museus. Até agora, o pequeno-grande filme ainda não tem uma sinopse definida.

Estaria Gondry criticando o apreço de Lady Gaga pelo “vazio” (sic) de seu estímulo visual e atacando de James Cameron logo em seguida com seus planos indefinidos de uso de uma tecnologia modernosa? Porra, Michel!



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  • http://www.agenciaginga.com.br/blog/ Naomi Covacs

    Eu amo Gondry… gosto de Bjork pra caraleo tbm. Mas mas mas mas… Gente, será que tudo isso é trauma?

  • http://th14g0.tumblr.com thiago

    bwhahaha “pequeno grande filme”

    eh bem por ai mesmo

    Po nao tem como comparar Bjork e Gaga a Bjork eh uma artista a Gaga eh gente de firma do sec. 21 haha

  • Carlos A.

    hahaha, a referência ao Porra, Michel! foi ótima!

  • P.

    Eu gosto da Gaga, mas só porque as músicas são empolgantes, bacanas pra se divertir e dançar. Gosto dela tbm por causa das roupas malucas e fashions… mas concordo com o Gondry. Não vi nada de tão sensacional no vídeo clipe… vi, sim, vários clichês e obviedades (p.ex., que foi aquele estereótipo de prisão de lésbicas??? E a Gaga beijando as presas… uau! que ousado! uau! que inesperado! NOT!). As milhões de propagandas irritaram bastante – e por mais que a Gaga fale que elas foram uma crítica à sociedade americana, eu não acredito. Me parece mais uma desculpa que ela resolveu arrumar****. Fato: qual a relação do clipe com a música? Mas, tudo bem, um bom clipe não precisa necessariamente ser o espelho de sua música. Entretanto, o que dizer do “enredo” desse clipe? Ele é vazio. Mal amarrado. Vazio. E vazio. Simples assim. As cores são bacanas? São. O take da cozinha é bacana? É. Mas e o resto?
    O que eu percebi é que há um monte de papagaios por aí. Ficam repetindo uns aos outros. E parece que têm medo de criticar a Gaga (afinal, parece haver uma paixonite mundial pela moça… quem é que vai meter o pau?). Mais: para cada palavra que a Gaga fala, todos baixam a cabeça e concordam. Já leram aquele conto “A Roupa nova do rei”? Quando a Gaga fala algo, todos concordam e parecem enxergar o que ela está falando… será medo de não ser inteligente por não ver o que a Gaga diz que vê???? É isto: a roupa nova do rei.

    Fico feliz que o Gondry não deu uma de papagaio… e teve coragem de falar o que pensava.

    ****Aliás, é curioso como a Gaga tem de ficar explicando o significado mais profundo de seus clipes e músicas… Chico Buarque, Pearl Jam, Bob Dylan, Cazuza e o Rufus Wainwright (pra citar um cantor mais pro pop) não precisam (ou precisavam) ficar se explicando, de cara dá pra perceber que eles estão sendo críticos. Queria ver quem é que percebeu que o clipe tbm tinha uma crítica ao modo de o americano se alimentar. Antes de a Gaga falar isso, não vi ngm dizendo nada. É mto fácil de se arrumar um contexto político/sociológico/cool para as coisas. Vamos pegar como exemplo a roupa de Alice (-> Lewis Caroll) que eu usei numa festa à fantasia nesses dias. Eu estava criticando a infantilidade nostálgica da nossa sociedade nos últimos tempos (vide o sucesso Harry Potter e, mais recentemente, Crepúsculo e afins). Ou podia ser uma referência ao psicodelismo da história, o mundo surreal em que vivemos. Ou podia ser uma homenagem à Pop Art (ícones) de Warhol. Ou podia ser uma crítica à sociedade de rótulos em que vivemos (quem leu a história de Lewis Caroll sabe por quê). Ou podia ser um clamor para que voltemos a uma época mais dócil, mais sonhadora. enfim, podiam ser milhares de coisas… arrumar uma justificativa “cool” é fácil. Quero ver fazer as pessoas entenderem/perceberem isso…

  • http://meadiciona.com/deniscp/ Denis Pacheco

    Vamos lá P.

    Primeiro, fiquei feliz pelo seu comentário. Sempre bom ver pessoas q discorrem e argumentam sem medo. Concordo que existe sim um oba-oba no q rodeia Lady Gaga e seu fetichismo mercadologico bem salientado no tal do ‘Telephone’. Nao sou um fã de sua música, mas eu fico feliz sim q role essa discussao até exacerbada sobre o que DEMONIOS ela quis dizer com aquilo.

    Ao contrário do q vc apresentou como contra-argumento, não acho nada ruim que grupos de pessoas tentem desvendar significados maiores nas coisas. Ainda que sua intenção – seguindo seu exemplo – fosse apenas ir a uma festa fantasiada com algo nostálgico, mto me surpreenderia que amigos seus tentassem desvendar um viés crítico na sua escolha de roupa.

    Pra mim o problema é qdo não se estabelecem relaçoes de sentido, quando alguém não tenta questionar ou interpretar certas coisas. O trunfo de Lady Gaga (já que sua música não fala por si só) é justamente apostar no questionamento, apostar na capacidade do espectador de querer tirar MAIS do que só um videoclipe. Não acredito que ela “tenha que ficar explicando”, mas acho que a imprensa e o público é que atribuam a ela sua própria necessidade de respostas.

    Acho que o Michel Gondry sabe mto bem o q isso significa, mas criticá-la por sua música ser “vazia” já me parece um pouco demais. Não existe “vazio” em nenhuma produção humana, tudo o q é fabricado pelo homem, tem significado(s). Enxergar isso é o contrário de “abaixar a cabeça e concordar” é duvidar, perguntar e tentar entender para formar opinião a favor ou contra. A partir daí, fabrica-se o pop.

  • http://danielpoeira.org Daniel Poeira

    Qual é o problema de um musical científico?

  • Denis

    O problema é que [ainda] não faz sentido nenhuma expressão. Musical “sci-fi” eu entenderia, musical “científico” é um quadro rejeitado de Beakman’s World.