Cinco perguntas para Natália Klein, autora de O ALIENISTA CAÇADOR DE MUTANTES


Este é o segundo post da série de entrevistas com os autores da série Clássicos Fantásticos da Editora Lua de Papel / Leya – veja o primeiro aqui. A proposta é reescrever obras consagradas da nossa Literatura com elementos de Fantasia e \ ou Ficção Científica, da mesma forma que foi feito nos EUA com ORGULHO E PRECONCEITO E ZUMBIS, mas de uma forma ainda mais orgânica, com os elementos fantásticos surgindo de aspectos já presentes nas obras originais.

A idéia rendeu obras divertidas, em tons de aventura bizarra, ironia sinistra e o maravilhamento de personagens de mais de cem anos atrás diante de situações incríveis. A primeira tiragem de 32 mil exemplares esgotou rapidamente, e a Lua de Papel vai lançar a segunda tiragem muito em breve de DOM CASMURRO E OS DISCOS VOADORES [de Lucio Manfredi], SENHORA, A BRUXA [de Angélica Lopes], O ALIENISTA CAÇADOR DE MUTANTES [de Natália Klein] e ESCRAVA ISAURA E O VAMPIRO [de Jovane Nunes] .

Em O ALIENISTA CAÇADOR DE MUTANTES, Natalia Klein faz uma versão revisitada de um dos contos mais famosos de Machado de Assis, que soma a irreverência e o nonsense ao humor ácido e politicamente incorreto do escritor carioca do século XIX. Agora, a vila de Itaguaí é alarmada pela queda de uma nave espacial e por uma névoa que causa mutações alienígenas. Quem cuidará do caso é o médico Simão Bacamarte, que recebeu do povo a alcunha de alienista, uma combinação de alien com especialista.

Natália Klein é uma escritora carioca formada em Rádio e TV e redatora de humor da TV Globo – onde escreve quadros para os programas ZORRA TOTAL e JUNTO E MISTURADO. As desventuras amorosas contadas em seu blog Adorável Psicose renderam uma série de 5 episódios no Multishow, Gustavo Chermont, em que interpreta uma versão exagerada de si mesma em constante análise. Você pode seguir suas psicoses no Twitter.

Hector Lima: O que pesou na escolha exatamente desse elemento fantástico para a sua versão do clássico?

Natalia Klein: Minha prioridade era deixar o livro engraçado. Todas as escolhas giraram em função disso, incluindo os elementos fantásticos – que vão desde o ET de Varginha até os mutantes do X-Men.

HL: Qual a maior dificuldade em termos de estilo escrita dessa nova obra remixada?

NK: A principal questão, em termos de estilo, foi conciliar o humor refinado do Machado de Assis com as minhas inserções de humor nonsense. Porque “O Alienista” já é um livro engraçado, só que é uma graça menos óbvia e mais sarcástica. O que fiz foi procurar nas entrelinhas possibilidades de quebra para piadas mais irreverentes.

HL: Os elementos Steampunk estão na moda da Literatura Fantástica atual. por acaso sua obra lida com a reação da sociedade a uma tecnologia que ainda não havia sido inventada naquela época?

NK: Não. O ALIENISTA CAÇADOR DE MUTANTES, apesar do que o título sugere, é muito menos uma história de ficção científica e bem mais um livro de humor, onde os personagens falam como “antigamente”, mas postam no Twitter e no Facebook.

HL: Como vê a reação de eventuais puristas da Literatura que torcem o nariz para a esse tipo de releitura?

NK: Não acredito que ainda existam essas pessoas. Sério que elas existem? Na minha opinião, nenhuma obra é sagrada. Todas elas são passíveis de ganhar releituras. O que importa é que o resultado tenha qualidade e, por isso, se justifique.

HL: Se adaptassem sua versão para o cinema, que atores brasileiros na sua opinião viveriam bem os personagens?

NK: O ALIENISTA CAÇADOR DE MUTANTES seria um filme de comédia. Eu indicaria o Marcius Melhem para o papel do alienista e o Leandro Hassum para o do farmacêutico. E aí, quem topa dirigir?

[compre o livro O ALIENISTA CAÇADOR DE MUTANTES]



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