VIRGIN COMICS SUBIU NO TELHADO


o Rich Johnston cantou a bola segunda-feira: o escritório da Virgin Comics em NY foi fechado. e quarta veio o comunicado oficial do CEO Sharad Devarajan confirmando que está sendo “reestruturado” o braço editorial da empresa de entretenimento de Sharad Devarajan, capitaneada pelo escritor de auto-ajuda Deepak Chopra e seu filho Gotham através de sus empresa Gotham Entertainment.

o site da Virgin Comics ainda está no ar como se nada tivesse acontecido, pelo menos por hora. no release a editora diz que vai se mudar pra LA em busca de novos financiamentos, porque perdeu um grande que tinha, mas não cita nomes. alguns fatores nesse caso nebuloso são similares aos da Crossgen, outra editora de gibis de fantasia que chegou chegando mas queimou na reentrada da volta à Terra.

a diferença da Virgin pra Crossgen é que não obrigava seus autores a morar perto da redação e pelo menos por hora parece que todos os freelancers foram pagos em dia e quase todos só têm elogios pra família Chopra [mais a respeito logo abaixo]. a Crossgen tá devendo até hoje, inclusive pro brasileiro Luke Ross.

esse financiamento que a Virgin perdeu parece ter sido de uma hora pra outra, porque há poucas semanas a editora tava que tava em San Diego, anunciando vários projetos – como um novo universo criado por Stan Lee e a animação pra web MBX, que recontava o livro épico MAHABHARATA, este um projeto aparentemente caro e ambicioso, com roteiro de Grant Morrison e direção do brasileiro Guilherme Marcondes.

faz uns dias mandei umas perguntas pro Guilherme pra fazer um post sobre a animação, mas depois de um contato inicial não recebi resposta. é tudo especulação da minha parte, mas não sei dizer se é por ele estar ocupado com o projeto. o MBX pode ser uma das iniciativas que vai sobreviver à mudança de rumos da Virgin, uma vez que é até mais fácil conseguir financiamento pra uma animação em estilo videogame que pruma linha de HQ.

a linha de 17 títulos da Virgin era realmente o problema da editora. ela sempre circulou em torno do 10º lugar nas vendas das empresas atendidas pela distribuição pro mercado direto da Diamond e seus títulos raramente vendiam mais que 10, 15 mil exemplares. são números legais pra uma editora independente, mas muito baixos pra quem se propunha a peitar as editoras grandes [que cancelam seus títulos quando eles chegam nesse mesmo patamar].

a Virgin publicava basicamente dois tipos de gibi: super-heróis sombrios baseados na mitologia Hindu e séries criadas por diretores de cinema como John Woo, Guy Ritchie e o ator Nicholas Cage, que elaboravam um enredo em linhas gerais que era transformado em roteiro por roteiristas profissionais de HQ.

o fato de poucos fãs lamentarem o fim das revistas da Virgin é um sinal que no fim das contas pouca gente dava bola pro que publicavam, em geral tido como sem sal e com pouco apelo. Laura Hudson, que trabalhou no departamento comercial da Virgin por um curto período, afirmou que essas escolhas editoriais sem graça foram o que derrubaram a editora. e não teriam vindo da ala indiana do negócio.

ela destaca que o problema maior era o executivo Larry Lieberman – que veio da TV – e achava que colocar diretores de cinema pra criar linhas gerais de um gibi [ou fazer um da atriz pornô Jenna Jameson] era sinônimo de sucesso instantâneo e levantaria a moral das HQs. segundo ela, Lieberman toda hora comparava a Virgin com a Dynamite, uma editora que publica vários títulos licenciados de séries de TV, como LONE RANGER e BATTLESTAR GALACTICA.

o sistema mercado direto norte-americano, que depende da projeção de vendas feita pelos lojistas do que seus clientes vão querer e da reserva paga antecipadamente, cria a situação injusta de poucos quererem investir no duvidoso e apostarem no certo – então acabam favorecidas as duas grandes: Marvel e DC [e mesmo assim mais nos seus títulos manjados].

é difícil levar mudança a esse mercado viciado, mas não impossível: estão aí gibis como ’300′, ‘Hellboy’ [ambos da Dark Horse] e ‘Procurado’ [da Image] que são todos de autor, renderam uma boa grana na parte editorial e depois mais grana ainda quando viraram filmes. o lance é agregar massa crítica e antes de mais nada fazer gibis interessantes, não propostas de filmes disfarçadas de HQ na esperança do licenciamento milagroso.

não se sabe ainda o que vão acontecer com os encadernados prometidos pela editora pros próximos meses, e da série inglesa DAN DARE, revitalizada por Garth Ennis [Preacher] – ou mesmo o futuro da animação MBX. assim que tivermos novidade eu posto a respeito. imagens das HQs publicadas pela Virgin na continuação.









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    vô comentar aqui pra fingir que fiquei triste. hahaha. já pensou ninguém comenta na notícia também?

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    kkkkkkkk