Monstro do Pântano de China Miéville é cancelado e volta ao Universo DC


Se você, leitor, não havia ouvido falar no nome de China Miéville até agora, não se preocupe — o escritor britânico não teve nenhum de seus elogiados livros publicados no Brasil até hoje, sendo comentado por um restrito número de leitores brasileiros que acompanha a produção contemporânea estrangeira de ficção científica e fantasia.

Vencedor de prêmios como o Arthur C. Clarke Award, Locus Award e British Fantasy Award, além de possuir indicações costumeiras ao Hugo e ao World Fantasy Awards, Miéville, engajado membro de um grupo político de esquerda inglês, é um dos autores responsáveis pelo movimento New Weird e, até pouco tempo atrás, o escritor encarregado de uma nova série do Monstro do Pântano para a Vertigo.

Algo que ninguém sabia até Rich Johnston dar a notícia no Bleeding Cool, comentando que China havia escrito todo o projeto detalhado para sua fase de histórias e que alguns roteiros já haviam sido entregues — trabalho feito, pago e cancelado antes mesmo de ver a luz do dia por Dan DiDio, ex-editor executivo e hoje um dos publishers da DC.

O motivo? DiDio quer reaproximar a criação de Len Wein e Berni Wrightson, popularizado e cultuada graças a fase de Alan Moore, do universo de super-heróis DC em um novo título mensal onde ele irá interagir com outros super-heróis da editora.

A decisão de DiDio é, no mínimo, contraditória e passível de inúmeras críticas considerando as mudanças promovidas por Diane Nelson, presidente da DC Entertainment. Miéville, ainda que com um currículo insignificante como roteirista de quadrinhos — apenas um roteiro para uma HQ curta em Hellblazer #250 —, poderia ter trazido para seu título mensal do Monstro do Pântano os leitores de seus romances e novelas, possibilitando a fomentação de novos leitores e a divulgação da série em canais de comunicação além dos eventuais sites e revistas voltadas apenas para quadrinhos.

Voltar o Monstro do Pântano para o Universo DC parece uma atitude do Dan DiDio editor executivo, mais interessado em agradar os fãs sedentos por crossovers e cronologia, para colocar mais revistas nas lojas e aumentar o market share da editora, do que primar pela qualidade e acessibilidade de suas publicações para um público mais abrangente.

Nesse contexto é mais contraditória ainda a possibilidade, dada como certa por Johnston, de o escritor Paul Cornell será anunciado como exclusivo da DC em breve. Elencado para assumir a Action Comics, Cornell, que também é um bem-sucedido roteirista de TV na Inglaterra [tendo feito roteiro pra DOCTOR WHO], ganhou projeção nos Estados Unidos trabalhando para a Marvel. Foi lá que teve o seu hoje cancelado Captain Britain and MI: 13 indicado ao Hugo Award na categoria de Melhor História Gráfica.

Ok: você contrata com exclusividade o sujeito que teve uma série de super-herói da sua principal concorrente indicada ao Hugo (prêmio que já laureou Neil Gaiman por uma de suas histórias em Sandman), e que teve seu cancelamento apontado como um tiro no pé, e cancela uma nova série de um personagem cult, com roteiro de um escritor indicado várias vezes ao Hugo, sem que ela ao menos veja a luz das comic shops?

Certo, DC. Agora só precisamos entender o que é essa mini-série onde o Arsenal, ex-Ricardito, volta a usar heroína e briga com mendigos drogados num beco para proteger um gato morto que ele achava ser sua filha.

[compre: HQs do Monstro do Pântano \ livros de China Miéville]



This entry was posted in grana, HQ-Comics and tagged , , , , , . Bookmark the permalink.



Goma de Mascar no Facebook

  • Fernando Pinheiro

    O sucesso nos anos 80 do Mostro do Pantâno é que fez surgir a idéia do selo Vertigem, apesar que as histórias do Sandam também foram co-responsáveis por este selo.
    A consequência foi o refinamento do universo mistíco da DC com surgimento de personagem como Constantine e Tymothi (Livros da Magia).
    O Mostro do Pantâno só perdeu público quando foi sendo restringido ao selo Vertigem como um “universo a parte” do resto da editora. Uma grande burrice, pois as melhores história do nosso querido mostro foi interagindo e interferindo no universo DC como um todo.

    Só pra lembra a cena do espancamento do Batman em Gotham City foi muito fodaaaaaa.

  • Pingback: Marvel cria novo meme de HQ: É ruim a coisa? - Ruim demais