Bat-mangá causa discussão em torno dos créditos autorais


Publicado recentemente nos Estados Unidos pela Pantheon Books, o livro-coletânea Bat-Manga! The Secret History Of Batman In Japan (numa tradução literal, Bat-mangá! A História Secreta Do Batman No Japão) tem chamado a atenção da mídia especializado e dos leitores na América do Norte; holofotes, no entanto, num sentido inesperado para os envolvidos na publicação.

Capitaneada pelo famoso designer Chipp Kidd — responsável, por exemplo, pelas logomarcas da linha All Star da DC Comics — ao lado do fotógrafo Geoff Spear e do co-pesquisador Saul Ferris, a obra foi concebida para ser um apanhado da bat-mania surgida no Japão, nos anos 60, graças ao seriado estrelado por Adam West e Burt Ward; sendo os três previamente citados aqueles que encabeçam os créditos na capa do livro.

As discussões começaram quando Bat-manga! chegou as prateleiras: 80% do livro, na verdade, é composto pelas esquecidas histórias em quadrinhos, no estilo nipônico, escritas e ilustradas por Jiro Kuwata — creditado na contra-capa e em outros trechos , mas não na capa propriamente dita, motivando os debates acerca da postura de Kidd e demais quanto a não dar o espaço adequado ao nome de Kuwata na publicação. O que, inclusive, motivou o designer a se explicar sobre a situação por meio de um e-mail divulgado no blog do site Newsarama.

Para Dirk Deppey, do blog Journalista, Kidd e os demais envolvidos não devem ser jogados na fogueira como se tivessem cometido algum pecado mortal, já que Kuwata é creditado; o que não significa que o esclarecimento dado pelo designer — para Deppey, o que só ajudou a deixá-lo com o ar de cretino — justifique qualquer falta de ética quanto a dar o destaque devido ao artista japonês na capa. E não apenas isso: já que mais da metade do livro reúne as HQs do quadrinista nipônico, o mesmo não deveria ser veiculado como uma visão da tal bat-mania acontecida no Japão, e sim como uma coletânea das histórias do Batman produzidas pro Kuwata.

As opiniões, claro, dividem-se: Graeme McMillan, escrevendo para o io9, discorda. Para ele, Chipp Kidd é o centro da publicação, já que o mangaka não teria uma audiência nos Estados Unidos para atrair o interesse do público pelo livro e, por mais que “fosse legal ver o nome de Kutawa na capa frontal, o fato dele ter sido não apenas creditado por seu trabalho no miolo como também entrevistado para o livro, me faz achar que qualquer chororo sobre a usurpação da autoria é um tanto melodramática… o que, de certo modo, parece se encaixar num livro sobre o Batman.”



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