Adaptação em HQ de “Pride and Prejudice and Zombies” mostra a sua cara


A editora Del Rey, do grupo Random House, finalmente liberou algumas amostras da adaptação em quadrinhos do livro “Pride and Prejudice and Zombies” (“Orgulho e Preconceito e Zumbis”, lançado no Brasil pela editora Intrínseca). As páginas foram divulgadas no blog Pop Candy — para o alívio de Tony Lee, que estava ansioso para mostrar o trabalho.
Capa de PPZ

Preview #1 de PPZ

Preview #2 de PPZ

Preview #3 de PPZ
Lee, responsável pelo texto da HQ, iniciou o projeto há menos de um ano e admite estar um pouco nervoso com o lançamento, marcado para o dia 7 de maio (no mercado norte-americano). Mas lembra que “com um ótimo material original, um editor excelente e um artista brilhante, de que diabos eu teria medo?”.

Realmente, “Pride and Prejudice and Zombies” tem muita coisa a favor. O livro foi assinado por Seth Grahame-Smith, que inseriu uma história de zumbis no famosíssimo romance de Jane Austen (aquele que inspirou metade das chick-flicks produzidas e que já foi adaptado para os quadrinhos em 2009). O mash-up foi muito bem recebido pela crítica e entrou para a lista dos mais vendidos nos EUA e Inglaterra, inventando um mercado para títulos como “Sense and Sensibility and Sea Monsters” e “Mr. Darcy, Vampyre”. O sucesso foi tanto que houve uma corrida para comprar os direitos de adaptação da história aos cinemas — o filme, ainda sem qualquer previsão de lançamento, deve ter Natalie Portman como protagonista.

A adaptação para quadrinhos também promete: a ilustração é assinada pelo mineiro Cliff Richards, que tem no currículo a premiada oitava temporada de Buffy the Vampire Slayer — um traçado bonito e limpinho que agrada você, garota fã de BtVS que não fazia muita questão de ler HQs. Nada mais adequado para a adaptação de uma adaptação de Jane Austen.

Infelizmente para Lee, existe sim algum motivo para ter medo. A graça de “Pride and Prejudice and Zombies” não é simplesmente o acréscimo de zumbis à história romântica de Austen, mas também se deve à novidade da ideia e à escrita acertada de Grahame-Smith, que conseguiu manter a atmosfera do original enquanto inseria um elemento estranho na obra.

O audiobook, gravado por Katherine Kellgren, também se manteve fiel a esse clima:

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O primeiro problema é que, apenas um ano depois do lançamento do livro, o setor está se saturando (repetindo: “Sense and Sensibility and Sea Monsters” e “Mr. Darcy, Vampyre”, além da continuação “Pride and Prejudice and Zombies: Dawn of the Dreadfuls”, que será lançada neste mês).

O segundo problema é que, julgando pelas páginas reveladas, a adaptação para HQ tem cenas e diálogos, mas deixou a narração de lado. A mudança de suporte nem sempre é natural — e é por isso que existe o risco de que em breve a Natalie Portman acabe atuando em um simples filme de zumbis com roupas de época.

Resta saber se os roteiristas (da HQ e do filme) conseguem resgatar a ironia de Grahame-Smith (e de Jane Austen). No caso dos quadrinhos, existe sim esperança: o experiente roteirista Tony Lee já recebeu elogios quando adaptou aos quadrinhos o seriado “Doctor Who”. Quanto ao filme, ainda não se sabe muito sobre os envolvidos. Mas, se tudo der errado, quem sabe “Pride and Predator” não ganha fôlego para salvar o dia?

[compre: livro ORGULHO E PRECOCEITO E ZUMBIS]



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  • Denis

    Meu interesse em ler “Mr. Darcy, Vampyre” é sobrenatural, sem trocadilhos, rs.

    Seria essa abordagem uma nova vertente/possibilidade de gênero literário? Ainda não li nenhuma versão, vi os ‘book trailers’ e li resenhas apenas, mas quero ir atrás. Quem será a editora q trará pro Brasil?

  • http://www.lhys.org/ Luciana Silveira

    @Denis:
    Confesso que li “Pride and Prejudice and Zombies” pela curiosidade mórbida e acabei achando benfeito e divertido. Mas não sei se consigo extrapolar o interesse para todo o “gênero”. Uma vez é divertido; na segunda já começa a ser um pouco “vocês não conseguem pensar em personagens originais?”.

    A autora do “Mr. Darcy, Vampyre”, por exemplo, tem uma coleção de livros do tipo “Diary”. Diário do Colonel Brandon, do Knightley, do Edmund Bertram… Ninguém mais vê a graça de um pouco de não-contado em um livro?

    Não li nem uma página de “Mr. Darcy, Vampyre”, então estou indo pela sinopse na Amazon:
    “… beginning on Darcy and Elizabeth’s wedding day and follows the two on their honeymoon trip to Paris, the Alps and Venice during a lull in the Napoleonic Wars. (…) Darcy’s continued lack of physical attention to Elizabeth makes her realize that something isn’t quite right, but the clues provided in the text are too subtle for her to figure out his secret. ”

    Isso e o título me fazem pensar em fanfiction (1) do tipo crossover (2) e com algum apelo de “Twilight” (3). São três coisas assustadoras.

  • http://www.agenciaginga.com.br/blog/ Naomi Covacs

    All i have to say is: … Mr Darcy… *swoonies *.* XD

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