JPod saiu em DVD – o livro é altos


A serie canadense JPod, que durou quase uma temporada, saiu em DVD ontem. Ta la no site da Amazon Canada.

 

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Em breve em um torrent site perto de voce.

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Q isso, Freinds, presta? Nao sei, nunca vi a serie. Pretendo ver em breve. Mas nao tem como dar errado: a serie eh baseada no livro JPod, de Douglas Coupland que eh o melhor livro da galaxia.

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Não foi lancado em portugues. Reclamem com o Bispo. Douglas Coupland escreveu Geracão X – é por causa dele que usamos a expressao geracao x, ele inventou. Isso sugere que o cara é modinha e tosco, mas nao é nada disso. O sujeito é genial.

A primeira coisa que me impressionou em JPod foi o estilo – ou melhor, técnica literária. É uma doideira – as primeiras páginas, e alguns trechos no meio do livro são um stream of thought quebrado, que sugere um longo arquivo de Word com pensamentos perdidos e slogans de firma descarrilhados. O resto do texto inclui páginas de diários (eletrônicos), jogos matemáticos, bloguismos, twitterismos, manuais, trabalhos de faculdade, o escambau.

A história é o cotidiano de uma equipe de desenvolvedores em uma empresa que desenvolve vídeogames, presumivelmente a Electronic Arts do ponto de vista de um dos funcionários. A missao do grupo é inserir um clone de tartaruga ninja em um jogo de skate board. É puro realismo fantástico, feito para lembrar uma sitcom com personagens – 6 principais e uma renca de coadjuvantes – no limite do absurdo. Rola consumo de heroína apresentado de uma forma positiva, assassinatos casuais, tráfico de escravos, rola de tudo. É uma crítica ao capitalismo e um manual de sobrevivência ao mesmo tempo.

Uma das surpresas do romance é o dispositivo literário da narracao. Quem é nerd de literatura se liga nessas coisas. Um livro pode ter uma desculpa para existir em seu universo, e isso é um tipo de dispositivo literario. Werther, de Goethe, era uma colecao de cartas enviadas pelo narrador a um amigo. Dracula era uma compilacaos dos diarios de varios personagens e noticias de jornal. Os textos de gente como Clarah Averbuck, Henry Miller e Charles Bukowski sao eles mesmos as voltas com seus teclados. Dostoevsky ja usou um narrador onisciente que na verdade era dos personagens disfarcado, de forma sutil – como um easter egg escondido no conto O Sonho do Principe (foi um spoiler isso mas se incentivar alguem a ler Dostoevski foi para o bem). Douglas Coupland arrumou um dispositivo literario tornar o seu livro possivel e seu estilo justificavel que é o mais comico que eu ja vi, e o segundo mais original depois de Dostoevski. Entregando meio spoiler, metade do motivo dado para a existência do livro é a picaretagem extrema e assumida do próprio Douglas Coupland.

Em suma, é bom mesmo, galere, leiao!



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  • http://hectorlima.com HectorLima

    KRLHOS, qro ler!

  • http://annix.blogspot.com Annix Lim

    Po, Thiago, lê o “Microserfs” dele, se tu não leu ainda. Essa estrutura vem de lá. Eu acho melhor que o “JPod”. Mas vou atrás dessa série, haha.

  • Thiago

    queroo