Sym-Bionic Titan prova: adolescente pode dirigir robô gigante sem licença


Estréia no próximo dia 16 de novembro no Brasil a última criação de Genndy Tartakovsky (“O Laboratório de Dexter“; “Samurai Jack“), a animação “Sym-Bionic Titan”. Para aqueles que desconhecem ou permanecem indiferentes aos trabalhos de Tartakovsky, faz-se necessário dizer que todos os elogios direcionados ao animador não são gratuitos – e cá entre nós, não é exatamente trabalho fácil gravar a grafia do complicado nome desse russo naturalizado americano. Portanto, notem que a cada nova menção de seus trabalhos, existirá sempre o reconhecimento inerente do seu brilhantismo. Nesse espírito, vale lembrar também o excelente trabalho feito em “Star Wars: Clone Wars“, a minissérie que uniu os Episódios 2 e 3 e permanece indiscutivelmente mais relevante do que a animação que se seguiu depois.

Puxação-de-saco (necessária) a parte, “Sym-Bionic Titan”, seu mais novo filhote, traz em sua essência duas paixões do animador sob o manto de um único desenho animado: os filmes de John Hughes e os mechas que criaram seu próprio gênero na animação japonesa. Sempre presente em seus trabalhos, os traços e cortes do anime não deixam de parecer menos originais do que aqueles utilizados nos tempos em que Dexter era apenas um garoto ruivo que tentava esconder seu super laboratório secreto dos pais e vizinhos.

Dando um passo além da infância, Tartakovsky decidiu dessa vez usar como pano de fundo os martírios da adolescência. Com os pés fincados no “Clube dos Cinco” e nos coadjuvantes emblemáticos de “Gatinhas e Gatões”, os personagens principais de “Sym-Bionic Titan” são adolescentes em conflito, mas conscientes de sua identidade ao caírem em um mundo estranho. Filhos do planeta Galaluna, o jovem guerreiro Lance, a princesa Ilana e o robô Octus assistem de mãos atadas a queda de sua civilização. Cercados pelos terríveis monstros Mutraddi, os habitantes de Galaluna se viram empurrados do dia para a noite numa batalha pelo controle do planeta. No lado inimigo está o antigo líder militar General Modula, que agora se rebela contra seu próprio povo, mantendo o Rei como seu refém enquanto caça a única pessoa capaz de dar esperança ao povo, Ilana.

Protegida por Lance e Octus, Ilana chega a Terra repudiando a ideia de que precisaria de defensores. De posse de sua própria armadura cibernética, providencialmente escondida em um relógio, a princesa revela que possui a mesma capacidade de defesa do que seus insuspeitos aliados. Entretanto, seu temperamento político e busca por soluções pacíficas a conduzem a evitar a alternativa bélica sempre que possível. Bem diferente de seu protetor Lance, membro mais jovem da Guarda Real e extremamente fiel aos seus deveres, incumbidos a ele diretamente pelo Rei. Por sua vez, Octus, uma entidade puramente cibernética capaz de assumir qualquer forma, cumpre o papel cerebral do grupo. Fascinado pela cultura terráquea e pelo comportamento dos dois adolescentes que permanecem sobre seu cuidado, Octus é uma presença constante assumindo identidades de pai e irmão mais velho.

Matriculados no colegial – povoado por panelinhas que envolvem nerds, cheerleaders, atletas e alternativos – os três tentam ficar longe de problemas ao mesmo tempo em que permanecem em alerta constante e preocupação ininterrupta com seu mundo atacado.

Ciente de que Ilana está viva e permanece um símbolo de rebelião para Galaluna, o sombrio General Modula (cujas motivações ainda são um mistério) envia – através de uma fenda espaço/temporal – soldados monstruosos para localizar e eliminar o trio. No entanto, nenhum deles contava com o fascinante sistema de defesa embutido na programação de Octus. Quando necessário, o robô reúne os poderes das armaduras de Lance e Ilana para formar um gigantesco e “simbiônico” Titã. Expondo-se aos humanos, o Titã defende a Terra das ameaças alienígenas enfrentando também as autoridades militares representadas pelo General Julius Steel e pelo indecifrável Solomon, líder do Grupo Galático de Guardiões, que lembra muito a figura emblemática do Alucard em “Hellsing”.

Entre uma aula e outra, o trio de alienígenas muito mais agradável do que o de “Roswell” tenta se encaixar a vida normal e lutar contra monstros gigantes em sua forma robótica. Pincelando tramas adolescentes com referências pop que vão de “Duro de Matar”, “Desperate Housewives”, “Kick Ass” até “Teletubbies” e “Velozes e Furiosos: Tokyo Drift”, Tartakovsky constrói um apanhado que subverte o infantil e assume tons de complexidade que deixariam John Hughes orgulhoso. Muito além da princesinha, Ilana representa um misto de positividade e combatividade raramente visto em desenhos animados. Pra lá de marrento, Lance não é apenas músculos e atitude, mas um garoto com um passado de bullying, assombrado por uma decisão desastrosa de seu pai. Ambos sob a sombra de um vilão que um dia foi seu maior aliado.

Se você estiver interessado numa trama contínua, contada pelo ponto de vista de um apaixonado por animação que não esconde um excelente arsenal de influências, “Sym-Bionic Titan” é a série sobre adolescentes, monstros e robôs gigantes que você estava esperando.



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