SP Terror 2010: SURVIVAL OF THE DEAD


“A morte não é mais como costumava ser”, entrega o poster de um dos mais recentes filmes da safra de George Romero. De 1968 para cá, muito se fez no gênero de zumbis criados em uma única noite dos mortos vivos. Desde o mais elementar terror até a crítica social e a comédia escrachada, não houve descanso tanto para os vivos quanto para os que evitaram descansar em paz. Em “Survival of the Dead”, o criador de um gênero entrega oficialmente os pontos e parece perder o controle da própria criatura.

Ao escolher como título uma paradoxal “sobrevivência” dos mortos, George Romero dá um passo a frente em direção ao humor negro que sempre teve lugar no pano de fundo de seus filmes. Entretanto, ao invés de pontuado numa trama assustadora, o lugar do humor em “Survival” parece ser o centro dos holofotes. Não me admirou em nada que durante a maior parte do filme, a platéia gargalhasse, o que me admiraria muito é saber que foi essa a intenção do pai dos filmes de zumbis.

Emulando uma trama de Velho Oeste, “Survival of the Dead” conta a história de duas famílias rivais, os O’Flynn e os Muldoon. Num cenário pós-apocalíptico que já não mais requer explicação, dois patriarcas – destaque para Kenneth Welsh no papel de Patrick – discordam sobre como abordar o crescente número de mortos vivos assolando a ilha Plum. Enquanto um adota uma política de atirar primeiro e perguntar depois, o outro pretende reeducá-los até que o mundo encontre uma cura.

Afastado forçosamente da ilha pelo bando dos Muldoon, Patrick O’Flynn retorna três semanas depois com a ajuda de um grupo de militares. Na tentativa de retomar a ilha instaura-se um grande showdown entre cowboys e zumbis, no que poderia ter se configurado numa das mais interessantes tramas do gênero, mas que acabou como um pastiche de clichês, incluindo aí gêmeas rivais, personagens estereotipados pela ascendência e uma trama que liga figurativamente nada a lugar algum.

Se era a intenção de George Romero se entregar aos críticos ao desprender-se do compromisso com o horror para abraçar a comédia , podemos declarar missão cumprida, “Survival of the Dead” não se leva a sério por nem ao menos um minuto. Longe de ser maçante, o filme banaliza o gênero assim como banaliza a própria ignorância humana diante do fim dos tempos. Ainda assim, a pergunta que fica é: seria esse o fim de uma Era?

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  • Vito_campelo

    Respondendo a pergunta “Seria esse o fim de uma Era”, eu temo que sim…se o próprio Criador anda prezando mais pelo “tosco” do que pelo terror e por uma boa trama, sinceramente, não sei mais o que esperar… Não que um pouco de “tosqueiras” não estivesse sempre estado presente nos clássicos zumbirescos (Quem não se lembra do rolamento de Ben em Night of the Living Dead), mas houve uma época em que estes não tomavam o papel principal dos filmes, que passaram a tratar o desenvolvimento e o final da trama como meros detalhes, sem grande importância ou cuidado para com a lógica. Vendo Survival, apesar de ter me divertido um pouco, a sensação que ficou foi de estar sendo traído, como se o próprio Romero estivesse acabando com tudo aquilo que um dia eu acreditei.