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SP Terror 2010: NO MORRIRÉ SOLA

Um grupo de garotas viajando pelo interior da Argentina quando se deparam com uma mulher caída a beira da estrada, baleada pelo que parece ser um grupo de caçadores ilegais. Na decisão de socorrê-la – mesmo que em vão – estabelece-se a dinâmica de um clássico moderno do exploitation, entretanto, ao desviar de algumas regras básicas do gênero, “No Moriré Sola” acaba se transformando num interessante exemplar do verdadeiro horror.
Dirigido pelo argentino Adrián García Bogliano – um declarado fã do gênero – “No Moriré Sola” pega emprestado um dos motes de “A Ùltima Casa”, clássico ultraviolento dirigido por Wes Craven. Após efetuarem um resgate infrutífero, as quatro meninas – todas bem posicionadas para disputar o eventual título de “final girl” – fazem a coisa certa rumando para a delegacia mais próxima, sem desconfiarem que o perigo real estaria lá mesmo.
Tomando seu tempo, Bogliano filma cada uma de suas cenas com o zelo de um observador que espia sem querer ser notado. Alongando propositalmente cenas que mostram as personagens sozinhas, o diretor nos apresenta a inocência delas somente para estripá-las alguns minutos depois no que se configurou numa das mais crueis cenas de estupro e violência já filmadas.

Ao contrário de antagonistas que seguem as regras do gênero, os violentos criminosos de “No Moriré Sola” não seguem a agenda tradicional de vilões com um objetivo (nem mesmo de serem motivados por pura maldade, a mais simplória e pavorosa das motivações em explotations), o que faz de suas ações durante o longa um mistério ainda maior.
A reação de vingança, esperada pela platéia que sabe estar sendo conduzida a um estado de violência desmedida, vem de personagens que não tiveram tanto tempo de câmera quanto as primeiras duas vítimas. Mais surpreendente ainda, “não morrer sozinha” assume um sentido explícito ao preservar duas das protagonistas em detrimento de uma só, como é comum no gênero.
A escalada de violência que envolve degolamentos, animais selvagens e corpos enterrados vivos completa o enredo que não poderia terminar de outra forma. Não recomendados para os de coração fraco, “No Moriré Sola” é um filme daqueles sem assassinos sobrenaturais ou monstros que invadem pesadelos, certamente horror em sua forma mais crua.

This entry was posted in Cinema, Críticas, Eventos and tagged Adrián García Bogliano, NO MORRIRÉ SOLA, sp terror. Bookmark the permalink.
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