Southland Tales = bom pacas


Os filmes de Richard Kelly (ele só lançou Southland Tales e Donnie Darko até agora) tem versao beta, versão 2.0, 2.1 e assim por diante. Haha! Parece que não gostaram do release oficial tampouco.

Quem gostou de Donnie Darko pode ver sem medo que é bom. A maior crítica que fazem é que o filme é DOIDO e náo dá pra entender nada. As duas coisas são verdade. Quem vai gostar de Southland Tales é quem gostou de ver Donnie Darko duzentas vezes e só começar a entender depois de muito procurar extras perdidos, páginas escondidas em sites malucos e e discutir com amigos. É o mesmo esquema.

Difícil falar do filme e suas qualidades sem entregar spoilers, já que tudo no filme significa alguma coisa. É uma paródia do livro do Apocalipse da Bíblia, apresentada como um mashup de Donnie Darko, Dr. Strangelove de Kubrick, Mullholand Drive de Lynch e Saturday Night Live. E revista MAD. E mais um monte de coisas, fico até amanhã aqui se for listar todas as pistas e referências que já achei vendo filme só duas vezes (é eu terminei de ver e vi de novo imediatamente). Que quer dizer a presença do Christopher Lambert? Ainda náo entendi. A charada é boa parte da diversão, não quero ficar entregando, mas: Southland Tales move a discussão astrofísica e filosófica de Donnie Darko, que acontecia no cenário de uma escola e um subúrbio focando implicações existenciais, para um escopo mundial onde a discussão se torna sobretudo política. Desculpem os palavrões, tenha em mente que isso é tudo muito de boteco, eu não estudei filosofia nem astrofísica e acho que o Richard Kelly também não. E ah, o elenco por si só é táo divertido como os de Tarantino, o filme é recheado de caras conhecidas.

A trilha sonora é lindona.

Spoiler/teaser: fica d olho que aparece um personagem de um filme mais ou menos recente de David Lynch – o mesmo personagem com o mesmo nome, mesma atriz (opa) e fazendo a mesma coisa que fez no filme do Lynch.

E abaixo o falado clipe de Justin Timberlake dublando uma música dos Killers que rola no meio do filme.

WTF? Eu tenho uma teoria pra isso, clica pra ler mais se quiser saber hheheh

Pra mim é uma paródia do vídeo de Candyman da Christina Aguilera. Esse vídeo incomodou muita gente, e francamente me dá nos nervos toda vez que eu vejo.

Os Estados Unidos invadiram o Iraque, foram pra guerra. Christina Aguilera, além de ser uma tremenda biscate profissional, é defensora de valores conservadores. Ela casou virgem (ou pelo menos diz que casou) e esse disco todo de Candyman é uma apologia à monogamia e seu (esquisito) marido. Aguilera é um bicho parecido com a nossa ministra Mara Cafagna aqui ou a comentarista Ann Ciulter nos States. Em pleno clima de guerra no país, Christina Aguilera fez um vídeo com visual de propaganda (consulte a Wikipedia se você esqueceu o que é propaganda) dos anos 50 (as bissas chamaram de visual pin-up e adoraram, mas é propaganda) onde dança cercada de soldados. Southland Tales é em grande parte um filme anti-guerra e então botaram o Justin, vestido de soldado, cercado de bailarinas vestidas de Aguilera. Viraram o clipe de Candyman do avesso pra comunicar a mensagem oposta. Acho!

Note também que o fato que existem 3 Aguileras no clipe original…

ok, vou ficar quieto pra nao entregar spoiler… VEJÃO!!!



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  • http://hectorlima.com HectorLima

    poota merda tenho de ver

  • http://oesquema.com.br/trabalhosujo ~Matias

    Num falei?

  • Thiago

    falou e tinha toda razao!

  • Leinad Lisart

    Eu gostei e entendi depois da segunda vez de assistir, pois sou fã de Richard Kelly e, realmente, “desceram a ripa” neste e no The Box que considero excelentes. Richard Kelly e David Lynch são excelentes e seus filmes servem como experiências visuais e plásticas. Não necessariamente para ser compreendidos. Porém, Southland Tales é mais simples do que se pensa. Contém SPOILERS – Após a terceira guerra mundial os cientistas estudam e descobrem um tipo de combustível alternativo, denominado carma fluído. As ondas oceânicas servem de combustível para aquela geringonça que produz carma fluído. Porém, o funcionamento dela acarreta a desaceleração planetária e uma fenda na quarta dimensão, ou seja, uma espécie de máquina do tempo no deserto. Os cientistas enviam Boxer Santaros para a experiência de encontrar a si mesmo no futuro e no passado (os macacos falharam porque não têm alma, que besteira rsssss!) Boxer Santaros do presente é morto por Serpentine, a acessora dos cientistas e quem permanece vivo é o Boxer Santaros do futuro. Porém, Boxer Santaros foi conduzido por Ronald que encontrou seu eu futuro ou Roland (outro artifício do diretor). Ronald e Roland estão vivos no presente e nas mãos dos neomarxistas, porém Roland ainda não sabe da existência de Ronald. Boxer Santaros retorna com amnésia do deserto e pouco a pouco vai descobrindo quem é. Escreve um roteiro para um filme sobre o fim do mundo. Este roteiro é divulgado para todos (no sense total) e os cientistas (que se revelam neomarxistas depois) sabem dos detalhes através dele. Nos minutos finais, Boxer Santaros descobre o corpo do eu passado (ou presente para ele) que foi incinerado por Serpentine, entendendo também que ele é eu futuro e por isso sabe como o mundo acaba. Roland começa, lentamente a descobrir quem é (o eu futuro) e quer encontrar o eu presente, Ronald (quem sou? Isso não é da sua conta) O carma fluido injetável, por ser uma espécie de droga que altera a estrutura corporal e mental, dando acesso à quarta dimensão e aos demais eus das pessoas, serve como caminho para rastrear e encontrar Ronald, por isso, Roland injeta a droga. Sabe que Ronald vai tentar se matar por remorso e culpa pelo que fez ao piloto Abilene no Iraque e quer evitar a morte do eu presente e futuro. Porém, se os dois apertarem as mãos, gera um colapso na quarta dimensão (teoria da física quântica novamente) e o mundo acaba ou se funde? Eis o mistério, porém é teoricamente impossível a existência de dois eus no mesmo espaço e tempo. Quando eles apertam as mãos, o furgão sobe até o Zeppelin do barão com o agente neomarxista e terrorista. Como os neomarxistas conhecem o futuro pelo roteiro de Boxer Santaros, sabem que a chance de “acabar com o capitalismo e o totalitarismo” é explodindo o Zeppelin naquele momento. Há uma segunda alternativa, se o atentado falhar ou seja, divulgar o vídeo de Boxer Santaros e Krysta transando, desmoralizando a célula capitalista nas próximas eleições. Porém, o roteiro escrito pelo Boxer Santaros do futuro não falha e o terrorista acerta o Zeppelin, assassinado os capitalistas com os cientistas neomarxistas (numa espécie de sacrifício pela causa) e “é assim que o mundo acaba, não num choro, mas numa explosão”. A explosão do zeppelin. Roland convence Ronald a não se matar, afinal ele “é cafetão e o cafetão nunca morre”. Frente ao vórtice da quarta dimensão, Roland e Ronald tornam-se um só com as mãos apertadas (repare nos olhos de Roland que deixa de refletir Ronald) e o messias de um novo mundo. E o mundo acaba ou não no colapso da quarta dimensão? Resta a dúvida e o resto são sátiras e acontecimentos isolados para melhorar e estragar o filme.

  • Daniel

    Sem querer ser exibicionista e escrever mais. Há um fato entre David Lynch e Richark Kelly, ou seja, Rebekah Del Rio. Ela canta o hino americano em Southland Tales e “lla lorona de Los Angeles” em Mulholland Drive. Por sinal, suas duas únicas participações em filmes até o momento (segundo o IMDB), além de Rabbits, sitcom de David Lynch.

  • Leinad Lisarb

    Peço que se puder juntar meus três comentários em um só, pode ficar melhor e não poluir tanto o site. Não consegui fazê-lo, obrigado. Segue mais uma dúvida. Sei também porque dá vontade de descer a ripa neste filme. Vejamos só, Pessoal, acordei pensando num detalhe que não faz sentindo a primeira vista que vemos. Parece que o personagem está chapado, mas não. Quando o Roland se observa no espelho no início do filme há um retardo em seu reflexo. Pensei que era mais uma idiotice, mas como é o “eu” futuro do policial Ronald, Kelly utilizou isto como metáfora, ou seja, o pensamento do “eu – Ronald” futuro está além dos atos do passado, por conseguinte, o seu reflexo. (ocorre que tanto Boxer Santaros e Roland ou Ronald sofrem de amnésia até se darem conta que são “eus” futuros e seus pensamentos estão fragmentados, pois, se montassem todo o quebra-cabeça o filme não fará sentido. Os dois conhecem a realidade futura e podem evitar toda a reviravolta, um artifício do diretor) Só não entendi o que pensa o “eu” futuro de Ronald acordado vendo os neomarxistas com seu “eu” presente . Se o “eu” presente é seu irmão-gêmeo ou se ele já tem uma leve noção que se trata dele mesmo no espaço e tempo presente. Ficou mal explicado e uma enorme ponta solta por parte de Richard Kelly. Como um “eu” futuro de Boxer Santaros consegue escrever um roteiro que explica os acontecimentos do futuro e como um “eu” futuro de Ronald Taverner não reconhece o próprio “eu” presente. Dê-lhe ponta solta.