Sem cotas: inclusão e exclusão no top 12 de “American Idol”


Qualquer classificação étnica é sempre uma simplificação e eu não tenho acesso à árvore genealógica dos 24 semifinalistas de “American Idol”, mas vamos tentar descrever o quadro formado há três semanas, quando as apresentações ao vivo começaram:

  • 1 candidato de origem asiática (John Park)
  • 3 candidatos de origem latina (Andrew Garcia, Ashley Rodriguez, Joe Muñoz)
  • 6 candidatos afro-americanos (Haeley Vaughn, Jermaine Sellers, Michael Lynche, Michelle Delamor, Paige Miles, Todrick Hall)
  • 14 candidatos caucasianos (Aaron Kelly, Alex Lambert, Casey James, Crystal Bowersox, Didi Benami, Janell Wheeler, Katelyn Epperly, Katie Stevens, Lacey Brown, Lee Dewyze, Lilly Scott, Siobhan Magnus, Tim Urban, Tyler Grady)

Os candidatos caucasianos representam mais da metade do total de semifinalistas. No outro extremo, o adorado da Shania Twain é o único representante “asiático” do grupo. Racismo? Não necessariamente. É só dar uma olhada nas informações do censo norte-americano de 2008:

  Caucasianos Afro-americanos Hispânicos Asiáticos
Censo (2008) 65,42% 12,07% 15,42% 4,35%
Top 24 58,33% 25% 12,5% 4,16%
Top 12 75% 16,66% 8,33% 0%

Assumindo que todas as etnias são capazes de cantar, a distribuição étnica do top 24 não estava muito longe da distribuição étnica do país (minorias como nativos do continente e das ilhas do Pacífico representam menos de 1% da população norte-americana). Havia até menos caucasianos do que se esperaria (mas imaginem a reação que o acréscimo de mais um ou dois candidatos caucasianos poderia causar…). Também levaram desvantagem os hispânicos – mas não seria exatamente possível ter mais 0,7 latino na competição.

Então chegamos ao top 12 e percebemos um aumento significativo da porção caucasiana dos finalistas. Mais importante: o grupo caucasiano cresceu enquanto os outros três grupos diminuíram.

Neste momento, vale lembrar que a essa altura a seleção é feita pelo voto popular. Os produtores, aliás, estão se esforçando tanto para ter algum equilíbrio na seleção que desistiram das semifinais da temporada passada, quando os votos dos fãs escolheram 6 homens e 3 mulheres.
Então seriam os fãs de “American Idol” preconceituosos e misóginos?

O passado diz que não, nem tanto. Dos oito vencedores das temporadas passadas, temos 3 afro-americanos e cinco caucasianos. Temos 4 mulheres e 4 homens. A musa loira do country, o afro-americano acima do peso com raízes gospel; o tio de cabelo branco e a adolescente.

São dois segundo colocados homossexuais. São cantores hispânicos entre o segundo, o terceiro e o quarto lugares nas últimas três temporadas. E como não comentar do candidato praticamente cego na temporada passada?

Então o que explica o desaparecimento de minorias étnicas no top 12? O primeiro passo é pensar no desempenho de cada semifinalista eliminado:


Semifinalistas que ficaram pelo caminho

Semana 1: Janell Wheeler, Ashley Rodriguez (hispânica), Joe Muñoz (hispânico), Tyler Grady
Semana 2: Michelle Delamor (afro-americana), Haeley Vaughn (afro-americana), John Park (asiático), Jermaine Sellers (afro-americano)
Semana 3: Katelyn Epperly, Lilly Scott, Todrick Hall (afro-americano), Alex Lambert

Explicação 1) O vocal foi ruim

A Ashley Rodriguez deixou muito a desejar em seu cover de “Happy” (Leona Lewis). A Haeley Vaughn chegou capengando e cantou “The Climb” (Miley Cyrus) tão terrivelmente que fez a apresentação do Olly Murs parecer digna de prêmio. O John Park matou o mundo de tédio com duas apresentações pouco afinadas.

Simplesmente não dá para apontar o dedo e gritar “preconceito” se a sua apresentação tiver sido tão decepcionante.

Explicação 2) O vocal não foi tão ruim assim, mas o pecado foi ainda maior

A Michelle Delamor escolheu uma música do Creed – só seria salva se tivesse tido um verdadeiro momento Idol. O Todrick Hall criou aberrações com músicas da Kelly Clarkson e da Tina Turner – aquele Queen meia-boca não resolveria.

Explicação 3) Temos um problema com a sua personalidade

O Jermaine Sellers jogou a banda para debaixo do ônibus (nas palavras da Kara), não sabia o nome do diretor musical que estava trabalhando com ele em Idol e disse que Jesus era o “homeboy” dele. Talvez tivesse mais uma chance se tivesse cantando maravilhosamente bem, mas tudo o que ele fez foram acrobacias vocais vazias que não tinham nenhuma consideração com a música.

Mas isso significa que a vida é justa? Claro que não. Os 12 finalistas estão lá por mérito artístico e vocal? Definitivamente não. Tim Urban está ali no top 12, graças ao poder do cabelo do Justin Bieber, do tanquinho e dos votos das adolescentes.

Então chegamos à explicação 4) É uma questão de conexão com o público

Aí estava o problema do Joe Muñoz (que foi um dos poucos afinados da primeira guys night): ninguém sabia quem era Joe Muñoz. Ele não tinha uma esposa grávida ou uma avó com Alzheimer. Ele não teve uma apresentação tocante incluída na edição final da Hollywood Week. Ele não teve espaço em todas aquelas semanas anteriores às apresentações ao vivo – que servem para apresentar os participantes para quem está assistindo.

O Aaron Kelly e a Katie Stevens sobreviveram com o queixo tremendo, o olhar de criança e a sobstory. O (hispânico) Andrew Garcia continua de carona naquela já distante “Straight Up”. O Michael Lynche cantou o suficiente, mas você acompanhou o nascimento da filha dele antes mesmo que ele chegasse às semifinais.

É um pouco de carisma do candidato, mas um pouco de bagagem do público. Aquela alguma coisa que faz com que eu goste (um pouco) mais da Siobhan Magnus do que da Crystal Bowersox.

Leia no sábado o Cola no Idol sobre a terceira semana das semifinais de “American Idol” e a definição dos 12 finalistas.



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