Revelado o mistério: Saiba quem riu por último na ilha de LOST!


Foram ao todo 6 temporadas, 121 episódios, 92 personagens inconstantes, 42 arcos com sub-tramas, 77 mistérios resolvidos e 59 perguntas não respondidas. Se alguns desses números te parecem suspeitos, não se preocupe, no final desse artigo todos eles serão devidamente esclarecidos.

Com o fim de “Lost”, a série que muitos estão dizendo ter marcado para sempre a televisão, a dúvida que pairou no ar – entre tantas – é: o que diabos era a ilha? No que se refere ao estratagema televisivo, a ilha era um dos laboratórios de testes mais bem executados do nosso tempo. Num espaço de terra finito cercado por água de todos os lados, roteiristas experimentaram por seis anos refletir tudo o que estava se passando ao seu redor.

No que diz respeito à ação, “Lost” teve a correria e as dramáticas cenas de tortura de “24 Horas”. No âmbito do drama vivenciamos tanto a rotina de emergências médicas de “ER” quanto indiscriminadas trocas de casais, bem ao sabor de “Grey’s Anatomy”. Salivantes por algo extra, a ilha foi permeada por mistérios que intrincavam religião e ciência, evocando séries como “Battlestar Galactica”. Como na obra de um Dr. Moreau desgovernado, “Lost” viu um pouco de tudo ser costurado a sua trama. Independente de um resultado bonito, a ilha rapidamente se transformou numa grande quimera pop.

A verdade é que a série criada pela ABC não marcou a televisão para sempre, mas pelo contrário, foi resultado da própria televisão, tendo seu rumo cirurgicamente marcado pelo que estava acontecendo ao redor. “Lost” foi uma das primeiras séries a mergulhar no buzz virtual e se deixar levar pela maciça audiência das temporadas iniciais.

Personagens não queridos pelo público eram limados sem piedade ou coerência com a história, questões que não evocavam grande falatório eram diminuídas em prol de assuntos que atrairiam mais discussão e alimentariam o boca a boca. Se um mistério solucionado não fosse suficiente para nos satisfazer outros seriam criados em pronta substituição e assim prosseguiríamos… enigmas em linha de montagem.

Da obra fechada com final definido para um trabalho aberto que acabou sendo lapidado até se tornar o mais puro reflexo dos romances novelescos tradicionais foram apenas 6 anos. O suficiente para que o culto ao redor de “Lost” superasse até mesmo seus defeitos. Fãs estavam dispostos a perdoar tudo se tivessem – como lhes havia sido prometido – um final recheado de perguntas sendo respondidas cartesianamente.

Se despertou frustração em muitos, causou admiração em tantos outros, ao iniciar uma jovem parcela da população – e estamos aqui falando da população brasileira – nos sinuosos caminhos das séries de TV americanas, tão ávidas por audiência quanto qualquer novela global, dispostas a tudo para se venderem ao maior número possível de pessoas e… nisso não há quaisquer mistérios.

O grande pecado – para usar o termo no seu sentido católico – cometido em comunhão pelos roteiristas e pelo público foi o de ter limitado a experiência ficcional a um acumulado de respostas. A expectativa gerada pelos criadores em anos de entrevistas prometendo conexões miraculosas e também pelos espectadores, ávidos por passar o pente fino em cada episódio para extrair deles mais e mais perguntas, foi a responsável pela criação de um monstro de fumaça que jamais seria elucidado por nenhum dos lados.

Não é surpresa nenhuma que a solução dada pela dupla de escritores ao final de “The End” [título perspicaz para um final de série, certo?] tenha sido considerada pela maioria dos críticos uma saída digna do “Leão da Montanha”. A surpresa é que exista realmente espaço para choque após uma sexta temporada tão direcionada para o misticismo, infelizmente, óbvio.

No que concerne ao fatídico series finale podemos comentar sobre o exagerado sentimentalismo dos inúmeros flashbacks que prestaram fanservice na recapitulação de momentos da série… Podemos também criticar o fato do temido monstro da fumaça ter morrido facilmente, muito antes do término do episódio no que nos pareceu um anticlímax preguiçoso… [**por acaso, palmas para Jack 'Fúria de Titãs' dando um salto no ar no combate com o fumacento, algo tão crível quanto o samba do crioulo doido que envolveu a água mágica capaz de dar poderes de guardião da ilha]. De verdade queremos mesmo é apontar o óbvio desgosto final com uma cena que inclui grande parte do elenco se abraçando numa igreja californiana antes de rumarem para a luz do pós-vida! Que Jennifer Love Hewitt e Haley Joel Osment os tenham e tal…

O que não podemos fazer é cobrar coerência de uma trama que nunca se decidiu se deveria se concentrar no rumo de seus muitos personagens ou na elaboração de uma complicada e – hoje sabemos – irrelevante mitologia. Se nossas dúvidas não foram respondidas em fila indiana, que “Lost” sirva de lição [tal qual "Arquivo X" serviu aos anos 90] para todos os entusiastas da ficção, independente de gênero: na televisão e na vida o espaço para grandes expectativas é preenchido aleatoriamente por uma boa margem de decepção.

E tanto para os que pensavam o contrário quanto para os que assistiram esperando estarem errados, um acalento: a piada foi às nossas custas, que venha a claque de risada. Valeu Carlton, valeu Damon, vocês nos pegaram!

PS: E ninguém realmente esperava que eu fosse explicar os números do primeiro parágrafo, esperava?

Compre: DVDs de LOST

pq21810879 Revelado o mistério: Saiba quem riu por último na ilha de LOST!
Coleção Completa: DVD Lost – As 5 Temporadas Completas
pq21400047 Revelado o mistério: Saiba quem riu por último na ilha de LOST!
Box: DVD Lost – 1ª Temporada Completa
21400048 Revelado o mistério: Saiba quem riu por último na ilha de LOST!
Box: DVD Lost – 2ª Temporada Completa
21400053 Revelado o mistério: Saiba quem riu por último na ilha de LOST!
Box: DVD Lost – 3ª Temporada Completa
21403766 Revelado o mistério: Saiba quem riu por último na ilha de LOST!
Box: DVD Lost – 4ª Temporada Completa
pq21623895 Revelado o mistério: Saiba quem riu por último na ilha de LOST!
Box: DVD Lost – 5ª Temporada Completa


This entry was posted in Críticas, TV and tagged . Bookmark the permalink.



Goma de Mascar no Facebook

  • HectorLima

    muita gente não gostava do jack mas sempre me identifiquei com ele: começou como um cético [não vi o primeiro ano direito], se arrependeu, virou um convertido aos mistérios sagrados da Ilha. terminou apunhalado.

    uma das coisas que eu mais gostava na série era como os personagens exploravam o espaço físico da Ilha e tentavam entender seus mistérios; me lembrava todos os filmes e seriados legais que eu via quando criança – boy's adventures em sua essência.

    quem diria que o final temático parecia ter sido escrito por uma criança. como a Charlie do io9 falou: não adianta o papo de ser conduzido pelos personagens justificar tanto enredo ser jogado pela janela em prol de uma catarse emocional forçada a base de muita câmera lenta e música melodramática que no fim lembrou demais uma novela de Manoel Carlos.

    Lost como vc lembrou sempre cobriu vários gêneros televisivos, inclusive novela em todo o seu dramalhão. infelizmente foi esse gênero que se sobressaiu no final, em detrimento de qualquer lógica interna ou arco de história construído em 6 anos. tiveram as manhas de em 5 minutos estragar um projeto tão grande e tão legal e fazer um final de série pior que o do SEINFELD.

    antes não tive flash-sideways coisa nenhuma, só a ação da ilha em uma micro-temporada. teria sido muito mais digno.

  • deniscp

    “antes não tive flash-sideways coisa nenhuma, só a ação da ilha em uma micro-temporada. teria sido muito mais digno.”

    exatamente!

  • Diego Maia

    SPOILERS!

    Dramalhão, flashsideways falsos e Michael Giacchino pesando a mão foram as coisas que menos me incomodaram. Falta de respostas? Não diria que esse é o problema, mas parte dele.

    O que pegou, pra mim, foi ver um episódio “conclusivo” cheio de soluções fáceis para problemas que duraram SEIS ANOS (uma rolha, sério? Homem de preto sendo burro como nunca foi, e num momento chave?).

    Faltam bases à mitologia. Ou falta uma mitologia propriamente dita – o que vimos aqui é no máximo um rascunho meia-boca de algo que poderia ser grandioso. O que a gente sabe é insuficiente pra sustentar tanta matança e sofrimento. O arco de um personagem – por melhor que ele seja, como o do Jack – não mantém uma série gigantescas dessas em pé.

    Sabemos muito sobre as propriedades da ilha, mas pouco ou nada sobre a natureza dela, e isso faz falta quando o clímax apresentado (rooooooolha!) mexe diretamente com isso, com a natureza daquele lugar, com as funções que os personagens precisam desempenhar naquele lugar. Ao final, Jack parecia seguir em seu trabalho só porque os roteiristas assim quiseram, não porque aquilo parecia o caminho natural do personagem. A sensação foi parecida com os outros personagens no restante dessa temporada (Sayid zumbi virando Sayid bonzinho de uma hora pra outra…).

    Comparados aos desdobramentos patéticos na ilha, as ceninhas no limbo foram até simpáticas. A série não aguenta uma revisão (o que é uma pena, já que acho as 4 primeiras temporadas verdadeiramente boas, ousadas e bem realizadas).

    Que descansem em paz.

  • http://twitter.com/daniel_poeira Daniel Werneck, MFA

    Essa desculpa de que toda série comprida com muitos personagens acaba virando uma bagunça é muito esfarrapada. Foi apenas um engodo mesmo, uma série artificial cuja vida útil foi extendida muito além do necessário devido à boa audiência.

    Lost começou prometendo ser o novo Além da Imaginação e acabou virando uma mistura de 24 Horas com Prison Break: histórias que tiveram morte cerebral na segunda temporada, mas foram sustentadas durante anos graças ao coma induzido.

  • Diego Maia

    E vamos botar lenha na fogueirinha: o que dizer a respeito do desaparecimento dos três principais personagens negros da série num final que reuniu TODO MUNDO, menos eles?

    Mr. Eko a gente sabe que foi temperamental e preferiu não participar. Mas e Michael? E Walt?

    Deixa o Spike Lee saber disso…

  • deniscp

    Acho que a questão da “rooooooolha” daria um post por si só, ahahhahaha. Li pessoas considerando toda a cena do Desmond e do Jack tirando e colocando a rolha como um pesadelo freudiano, rs.

    E é isso aí mesmo

  • Diego Maia

    “Comparadas”

  • deniscp

    E “24 Horas”, por acaso, ruma hj para um series finale exemplar.

  • Diego Maia

    Depois de algumas temporadas em coma, como o Daniel apontou.

  • deniscp

    De duas uma: oi o Desmond-Purgatório teve preguiça de ir até NY-purgatório. Ou os dois foram para inferno, rs

  • Diego Maia

    E nunca, jamais, em hipótese alguma vou entender como uma série cara como Lost era tão relapsa com cenografia e efeitos especiais. Isso vai envelhecer muito mal.

  • Carlos Roberto de Almeida

    Muito bom o artigo. O segundo melhor que li desde o “The End” (o primeiro é esse aqui: http://pipocamoderna.virgula.uol.com.br/?p=29440). Pena uma série tão boa terminar assim, mas o câncer já tinha se embrenhado nela desde a terceira temporada… para mim Lost que vale é somente a primeira e segunda temporada e o primeiro jogo da internet que explica (de forma muito satisfatória) o que eram os números, Hanzo, a equação de Valenzeti e trocentas coisas que o Javier Grillo-Marxuach levou com ele quando saiu do programa… Agora é esperar o que o Family Guy vai dizer a respeito do fim da série…

  • marta

    Pô, não senti pena de ninguém dessa vez… Lost me tirou toda a paixão… ainda me lembro quando chorei litros com o fim da segunda temporada, quando o Desmond girou a chave e tudo explodiu… ainda cheguei a ficar triste com a morte do Charlie, mas já tava cansanda com os rumos da série e agora, no fim, só sobrou uma pálida lembrança daquele amor que um dia inundou toda a minha vida…

  • HectorLima

    deu no Lost In Lost que o ator do Mr. Ecko foi convidado pro final mas rebateu a oferta pedindo 5 VEZES MAIS do que o oferecido pra fazer sua ponta. depois da cena na igreja acho que ele devia ter pedido 10 vezes mais, haha.

    mas realmente os negros foram os buchas de canhão da série, sem contar o sayid que NASCEU PRA MATAR.

  • http://paulogallian.com Paulo

    Muita coisa que eu penso, todos aqui já falaram, então pra não repetir só adiciono o seguinte:

    O flash-sideways estava caminhando, na minha cabeça, pra algo muito mais interessante. Eu sentia uma *urgência* nas atitudes de Desmond, como se os acontecimentos da ilha (na outra realidade) estivessem conspirando também para que ele se apressasse em “acordar” todo mundo.

    No fim eu fiquei pensando “pra quê essa pressa?”, se lá não existe tempo, se todos esperaram quietinhos a passagem para “a luz”. A correria só faz sentido num mundo onde o tempo faz sentido.

    O final realmente não me agradou, assim como o Hector, eu também não curti que a parte “dramalhão/novela” se sobressaiu no final. Chorei quando o Sawyer teve flashback com a Juliette, mas isso só não funcionou pra mim. Muita gente gostou, achou perfeito. Eu achei uma bela esquivada.

    ps: Eu dei risada quando li por aí que os flashbacks da “vida passada” transmitiram uma mensagem de “Ei, se lembra de quando a série era legal?” hahaha.

  • http://twitter.com/spiceee spiceee

    Gente, e o piloto, que comeu o pão que o roteirista amassou a temporada inteira, na dele, só pra poder pilotar o povo pra fora da ilha? E nem pro céu foi!

  • HectorLima

    putz, pode crer! lapidus, coitado!

  • Daniel

    Putz, que análise mais ridícula deste tal de Denis Pacheco… vai assistir malhação!!! Não vou nem perder meu tempo em rebater este monte de besteiras ditas acima, apenas leiam a análise deste cara: http://analiseslost.blogspot.com/. Isto sim é uma análise digna.

  • deniscp

    Recomendo q vc não perca seu tempo lendo isso não, recomendo q vc perca seu tempo assistindo Lost. Opa, algo me diz q já perdeu! Abraços