Realidade de Mascar: O que achamos da primeira semana do BBB10


Já disse uma vez e repito: Começo de reality-show não é lá muito diferente de começo de novela – essa mesma cujo formato a Globo[bb] emplacou em seus mais de 30 anos de existência. Quando o primeiro contato é feito, torcemos o nariz, lembramos da novela anterior e dos personagens de quem sentiremos falta. Ano após ano, medimos nossas expectativas pelas tramas anteriores concluindo sumariamente que nada jamais será como na edição passada… e erramos sempre.

Em sua décima edição, o Big Brother Brasil começa – pra variar – com notícias de baixa audiência, críticas dos mais diferentes escalões e demonstrações mil de despeito a esse que é certamente um dos mais bem sucedidos reality-shows da televisão, lado a lado com os gigantes Amazing Race e American Idol. Mesmo não tendo as aspirações gringas de uma aventura ao redor do mundo ou da busca pelo estrelato através da criação de um ícone pop, o BBB concentra seus esforços no que nós brasileiros mais apreciamos: o melodrama[bb]. Numa tentativa de dar ordem ao caos, a Rede Globo reúne novamente pouco mais de uma quinzena de pessoas, procurando fazer delas personagens num enredo cheio de reviravoltas entre heróis e vilões “realistas” (note as aspas).

Por isso, para acompanhar o BBB sem cair no lugar-comum daqueles que alegam falta de propósito na atração pop (e qual seria o propósito do pop?), basta enxergá-lo como o enredo que ele é e se deixar levar.

Sob essa perspectiva, semanalmente rolará aqui uma discussão sobre os rumos dos reality-shows que volta e meia mexem com a audiência pelo tempo suficiente de serem esquecidos até que uma nova temporada se inicie.

Enquanto isso, na 1a Semana…

Se o golpe na edição 9 foi o de dividir a casa em 2 grupos e consequentemente jogá-los um contra o outro no primeiro paredão (criando uma espécie de Guerra Fria[bb] entre os personagens), a estratégia da nova temporada parece ter se sofisticado um pouco mais. Acaba a bipolaridade, cai o muro entre xepa (senzala?) e casa grande, e múltiplos pólos dão início a um jogo perigoso. Dividi-los em tribos pode ter parecido bobeira do primeiro capítulo, mas está se provando cada vez mais eficaz. Belos, Sarados, Cabeças, Ligados e Coloridos não são bem os melhores estigmas do mundo, mas foram eficientes para causar os primeiros atritos que movimentam a trama da realidade.

Cá entre nós, a idéia da divisão possivelmente surgiu para facilitar a entrada dos gays[bb] – dessa vez, adequadamente assumidos antes do programa começar – e o que deveria ser algo novo, feito pra mexer com a audiência, acabou virando rapidamente um fato corriqueiro. Sergio, Angélica, Elenita e Dicésar passaram a ser personagens como todos os outros já nessa primeira semana e isso é ótimo!

O jogo começou mesmo quando Serginho (o ex-Orgastic) ganhou a liderança e decidiu – naturalmente – levar os mais próximos para dormir em seu quarto novo. Foi justamente aí que percebi a genialidade dos tais grupos. Angelica e Dicésar, visivelmente incomodados, confrontaram Serginho quanto a sua atitude de não “consultá-los” sobre quem deveria ou não ser hospedado pelo líder. Se a prova tivesse sido vencida em equipe, talvez eu compreendesse o questionamento, mas o fato é que o jogo foi individual, as equipes serviriam apenas para garantir imunidade, mas não se ganharia a liderança[bb]coletivamente. Ou seja, a mentalidade da tribo superou superficialmente o objetivo individualista do programa só pelo poder da sugestão dada no primeiro dia.

Enquanto os Coloridos enfrentavam o rompimento de sua fictícia aliança, um novo poder se formou na casa unindo elementos descontentes com seus grupos originais. Ao redor do mais carismático deles, Tessália, Michel e Eliane formaram com o líder uma pequena e interessante panela (palavra deles) que discretamente movimenta intrigas por debaixo das cobertas.

Agitados por Tessália – que com sua estratégia kamikase parece reencarnar vilões passados numa clara tentativa de chamar a atenção – o grupo dos Alternativos se deixou levar pela própria paranóia. Eliane arranja inimizades com Anamara e demais garotas por se sentir visada. Michel joga contra si mesmo escutando tudo o que Tessália tem a dizer e refutando-a a distância. Tessália, fielmente crendo que por ser do grupo dos Cabeças deve possuir alguma espécie de inteligência emocional (sic) aguçada, alimenta conspirações por parte das mulheres da casa, aponta Dicésar como líder de um suposto time inimigo e propõe insuspeitas alianças com Marcelo Dourado (esquema de twitter? sério?), colocado no jogo justamente para servir de bode expiatório e dar aos novos participantes a chance de um voto fácil, tal qual Joseane, já eliminada.

Desconstruindo ilusões de amizade já após a primeira votação, os múltiplos grupos do BBB 10 se posicionam sem saber ao certo em quem podem confiar e a quem devem se aliar para somarem força até a reta final.

Numa escala de zero (BBB6) a dez (BBB5), a primeira semana foi mais fraca do que o insuperável começo do BBB4 (a explosão entre Juliana “Ninguém Merece” e Tatiana jamais se repetirá), mas um pouco mais apimentada do que o inicio do BBB9 (a liderança de Nono não emocionou ninguém).

Por enquanto, o novo Big Brother ainda são só promessas, mas que começaram a se concretizar ao seguirem o caminho trilhado pela produção. Se o objetivo dos grupos é “dividir para complicar”, podemos assumir que está dando certo.

Na semana que vem: parece que Tessália está querendo “ser casal”, nem que tenha que agarrar o primeiro trouxa na busca pela audiência. Será que Michel, o Boça do BBB, vai cair nessa?

PS: I Gotta Feeling é oficialmente a trilha do BBB10; Não reclame, já tivemos piores.



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