PIRANHA 3D é um parque de diversões aquático sexy e sangrento



PIRANHA 3D, remake do simpático clássico trash de 1978 e um dos lançamentos da temporada mais aguardados na Goma, chegou aos cinemas brasileiros depois de uma boa carreira nos EUA – onde o baixo orçamento de cerca de U$ 20 milhões permitiu um lucro considerável. E, assim como as férias de fim de ano começam a povoar a mente dos estudantes brasileiros, as férias do springbreak americano no meio da Primavera significam para eles calor, diversão e a promessa de sexo.

No caso dos adolescentes de Lake Victoria, no Arizona, os maiores estraga prazeres na busca por essas três coisas não serão a polícia representada pela Xerife Forester [Elisabeth Shue] e seu braço-direito Fallon [Ving Rhames]; a força de repressão sexual é uma espécie pré-histórica de piranhas vorazes que vivia em um bolsão subterrâneo até ser liberta por um terremoto.

A farra dos bros universitários e das garotas facinhas é quase um carnaval ao som de dance farofento, um mardi gras à beira-mar, pontuado com a produção de um vídeo sendo rodado pelo pornógrafo arrogante Derrick Jones [Jerry O'Connell], dono do site NSFW Wild Wild Girls, que recruta o indie tímido Jake [Steven R. McQueen, o indie-nerd de camisa dos Pixies] como guia para levá-lo pelos lagos para filmar as modelos Danni [a britânica Kelly Brook] e Crystal [a atriz pornô Riley Steele - abra o olho para a participação de Gianna Michaels e Ashlynn Brooke, estrelas desse meio também] a tempo de voltar para o concurso da camisa molhada apresentado por Eli Roth, o diretor de ALBERGUE se divertindo em mais uma ponta idiota.


Carnavalização e diversão estão no espírito desse PIRANHA 3D. Nem uma figura muito similar ao oceanógrafo de TUBARÃO [Richard Dreyfuss], hoje com um status cult, é poupada da fome dos peixes que caçam em bando e devoram tudo pela frente. Christopher Lloyd canaliza Doc Brown para fazer o especialista que identifica os bichos depois da expedição de mergulhadores liderados por Novak [Adam Scott] chegar ao lago subterrâneo. Conseguirá a polícia fechar o lago e evacuar os banhistas a tempo logo na alta temporada? Não, obviamente.

Há peitos e bundas demais balançando em 3D na direção do espectador, insinuação sexual adolescente e boba demais que as piranhas precisam impedir – elas são o maior cockblock dos últimos anos em termos de filme de terror. Ao espectador é dado o balé submarino das sereias pornô, nuas em pelo [ou melhor, sem pelo] – mas também é jogado literalmente em nossa cara um pênis mastigado como sinal de que no Lago Victoria ninguém vai transar não. Resta aos personagens assexuados, ou que “se resguardam”, tentar sobreviver.


Em termos técnicos, vários dos elementos 3D do filme funcionam e remetem aos sustos fáceis de TUBARÃO 3D – outros nem tanto. A filmagem aquática em curto espaço de tempo impediu que o diretor Alexandre Aja [VIAGEM MALDITA] usasse câmeras com duas lentes [ao contrário do vindouro JOGOS MORTAIS 3D]; o filme foi convertido na pós-produção pela empresa Inner-D e alguns elementos parecem vir bem na nossa cara de forma assustadora, outros que poderiam saltar ficam presos aos limites da tela de cinema.


O caos sangrento que as piranhas provocam durante o concurso de camisa molhada é tamanho que chega às raias do grand guinol: uma vez que o banquete começa, as mais variadas formas de morte por devoração são mostradas em detalhes, jorrando sangue como água que respinga em um brinquedo de parque de diversões consciente de que é um brinquedo. Há cenas em que as piranhas estudam o espectador tão de perto que parecem piscar pra gente avisando que é tudo uma brincadeira.

E, dentro desse espírito de parque de diversões, não há nada de errado em ter objetos, peixes, plantas e partes humanas atiradas em nossa direção – é pra isso que o filme está aí, em tudo que tem de bobo, tosco e empolgante: provocar risadas, sustos, tensão, nervoso e enjoo. Ou, como entendemos melhor, “diversão com pipoca”.

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  • http://twitter.com/JosuRD Josué Ribeiro

    To colado nesse filme. Não com tanto entusiasmo quanto o Atividade Paranormal mas ainda sim com entusiasmo