O destino dos candidatos e o destino de “American Idol”


Ruben e Fantasia: talentosos, mas menos famosos

E se o Ruben Studdard tivesse sido o primeiro American Idol?

Ruben Studdard, o segundo vencedor de “American Idol”, tem 2,5 milhões de discos vendidos em sua carreira. Não é um feito ruim, mas seu trabalho mais recente – “Love IS”, de 2009 – não cruzou a marca de 50 mil cópias vendidas mesmo tendo recebido críticas positivas.

Mas e se a Fantasia tivesse sido a primeira vencedora?

Fantasia Barrino, campeã da terceira temporada (e dona de uma das apresentações mais reverenciadas da história do programa), soma 2,6 milhões de discos vendidos com seus dois álbuns lançados. Só que o último saiu em 2006. Uma canção nova, “Even Angels”, foi lançada em fevereiro no programa da Oprah e usada em seu reality-show “Fantasia for Real”. Apesar de elogiada, a música não fez barulho nas paradas de sucesso norte-americanas.

Ruben e Fantasia são obviamente carismáticos – ou não teriam vencido uma competição baseada em voto popular –, já provaram diversas vezes que têm talento e conseguiram fazer uma carreira na música. Mas a relevância artística dos dois despencou rapidamente após o final de sua exposição no programa.

Se Studdard e Barrino tivessem sido os primeiros ídolos americanos, talvez o programa não tivesse chegado à sua nona edição neste ano. Afinal de contas, o que faz com que “American Idol” não seja só mais um concurso de talentos é a qualidade de seus candidatos. E um fator decisivo para os que os candidatos se arrisquem nessa arena é ter a que aspirar.

Kelly Clarkson, a original

E é aí que entra Kelly Clarkson.

Quando Kelly Clarkson participou de “American Idol” (e venceu), o programa estava longe da megalomania atual – é só ver o teste inicial da cantora. Mas a aposta se converteu em fenômeno e a primeira vencedora foi parar no número 1 da Billboard. Esse primeiro sucesso garantiu interesse nas duas temporadas seguintes.

Em 2005, pouco antes do início da quarta temporada, Clarkson novamente ajudou a “agregar valor” ao programa. Em vez de ser esquecida como tantos outros vencedores de reality-shows, a cantora voltou ao topo com seu segundo álbum e provou que é possível ter mais do que 15 minutos de fama. Naquele ano, a vencedora foi Carrie Underwood – que se tornaria tão relevante quanto Kelly nos EUA.

Os 23 milhões de discos vendidos de Kelly Clarkson, assim como seus prêmios Grammy e elogios de Jeff Beck são definitivamente feitos de causar inveja. O mesmo vale para os 14 milhões de discos vendidos de Carrie Underwood, seus cinco Grammys e sua introdução ao Grand Ole Opry.

A influência de Kelly Clarkson vai um pouco além. Em 2007, enquanto a sexta temporada coroava Jordin Sparks, Clarkson voltou a chamar atenção com as brigas envolvendo seu terceiro álbum. “My December” ficou longe do sucesso de seus discos anteriores, mas provou mais uma coisa sobre “American Idol”: é possível ganhar o concurso, ter mais do que 15 minutos de fama e não obedecer aos planos da sua gravadora.

Mas, certamente, não só de Kelly Clarkson vive “American Idol”. Cada vencedor (ou mesmo um participante de destaque) é responsável pela imagem de “American Idol”.

Kelly Clarkson fez de “Idol” uma garantia de sucesso. A mensagem de Ruben Studdard é que você pode ser reconhecido por seu talento. Fantasia Barrino provou que sonhos se realizam. Carrie Underwood, a garota que nunca havia viajado de avião, inspira com seu sucesso irretocável.

Mas a mensagem nem sempre é a desejada.

Em um primeiro momento, a vitória de Taylor Hicks chamou a atenção. Ela poderia ter representado que é possível ser um ídolo americano, mesmo fugindo aos padrões pop. Só que a carreira de Hicks não decolou e ninguém quis ser como ele. O resultado foi a vitória de Jordin Sparks – uma reação mostrando o que é que os fãs esperam de um ídolo americano: uma jovem bonitinha e com voz poderosa, como Kelly e Carrie.

David e Kris: uma outra corrente

Até que o jogo mudou. Foi na sétima temporada, quando David Cook derrotou David Archuleta na final. Era o ‘reinado do artista’. Havia chegado a hora de mostrar que você sabe quem é e que é capaz de mais do que um simples cover. Kris Allen, vencedor da oitava temporada, foi um sucessor natural de Cook.

Só que a nona temporada é crucial. Esta é a última edição com o jurado Simon ‘todo-poderoso’ Cowell, que está levando a franquia “The X Factor” à televisão dos EUA. Perto de completar uma década, a fórmula de “American Idol” parece desgastada e corre sério risco de ser descartada – afinal, a Fox manterá mesmo dois concursos de talento?

Um grande vencedor pode trazer fôlego novo ao programa e reforçar o interesse para a próxima edição – mas qual dos dois finalistas tem mais potencial?

Crystal e Lee: quem leva o título?

Crystal Bowersox é uma artista mais experiente, mais segura e mais formada. Uma vitória de Crystal leva a tendência iniciada por David Cook a um degrau diferente: ela pode ser a campeã com a menor relação com “American Idol”. Crystal não assistia ao programa, não sabia como ele funciona e se mostrou frustrada diversas vezes ao longo da temporada. E suas concessões têm limites: ela participa das atividades obrigatórias, como groupsongs e comerciais, mas não cede em suas visões artísticas.

Já a personalidade de Lee DeWyze lembra um pouco a Jordin Sparks. Um pouco de surpresa, um pouco de não conhecer o próprio potencial e crescer junto com os elogios dos jurados. Ele também é maleável – busca variações e segue os conselhos de jurados e mentores. Por outro lado, ele pode ser o campeão com o pior vocal da história do programa (embora os jurados finjam não perceber quando suas notas longas deixam a desejar).

Seria injusto condicionar a sobrevivência do programa à escolha de um ou de outro candidato, mas o resultado da próxima semana terá implicações em um ano decisivo. A vitória de Crystal pode consolidar uma mudança de direção em “American Idol”, afastando-o um pouco do überpop “The X Factor”. A vitória de Lee pode provocar um retorno às origens, a busca por um cantor mais rentável.

Qual você prefere? E qual será a expectativa dos produtores?



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