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MORTAL KOMBAT 9: O Demo

Não dá pra ignorar que em algum momento de alguma reunião de Netherrealm Studios alguém deve ter dito: “Então, tentar fazer maomenos um Marvel vs Capcom com DC vs Mortal Kombat não foi lá a coisa mais brilhante do universo (embora tenha rendido algumas vendas), mas fazer maomenos um Street Fighter 4 com o Mortal Kombat clássico deve funcionar”.
Isso significa pegar o jogo original, dar uma update nos gráficos, manter a jogabilidade 3D, adicionar uma novidadezinha aqui e lá e deixar o misto de nostalgia e “o que não está quebrado, não concerte” fazer o resto.
E deu certo… pelo menos pelo quanto dá pra avaliar do demo. Não que seja possível concluir como é o jogo inteiro a partir de um demo com apenas 4 lutadores.
Com o elenco completo, quem sabe quantos desequilíbrios vão acabar com o jogo (personagens fortes demais, personagens fracos demais, táticas irritantes mas efetivas, e assim por diante); mas por ser um jogo de luta, dá pra julgar bem o esqueleto dele. Nisso, o jogo me satisfez mais do que eu pensei que iria. Pra ter idéia eu só joguei o demo porque o videogame deu de ligar sozinho e fazer o download das coisas automaticamente, senão eu não o teria feito.
Além disso, eu nunca fui um enorme jogador de Mortal Kombat – lembro de ter me divertido com o primeiro e o segundo e ter desencanado quando chegou o 3, considerado o melhor por muitos. Eu sempre fui mais da galera Street Fighter e depositei lá minha quantidade absurda de horas em Street Fighter 4 (e o Super Street Fighter); nisso dá pra dizer que não vamos nem comparar os jogos, isso só leva à insanidade e debates que jamais levarão a nada. Os jogos têm, de início, propostas diferentes: Street Fighter quer ser o jogo com a curva de dificuldade, quer que as pessoas treinem e treinem e tenham paciência e saibam todos os macetes.
Mortal Kombat, claro, também quer ser jogado e quer que as pessoas fiquem melhores, mas ele tem um ritmo todo diferente, um modo diferente de ser desafiador. Pra enfurecer alguém internet afora, Mortal Kombat é perfeito pra divertir seus amiguinhos numa festa, mas um torneio profissional de Super Street Fighter 4 é bem mais emocionante (Marvel vs Capcom 3 fica em algum limbo. E eu direi mais a respeito no dia que a alfândega for doce o suficiente para liberar meu jogo).

Mortal Kombat 9 faz tudo de certo que Mortal Kombat fez: em poucas partidas você aprende como fazer todos os golpes, como realizar os combos básicos, como dar o seu fatality. De resto, o desafio do jogo é inteiramente por essas coisas em prática e ser melhor que o seu oponente nisso. O jogo nunca vai medir sua habilidade em apertar botões, apenas seu bom senso sobre quando fazê-lo – é como se ele te desse uma lista de golpes e dissesse “esse é o seu arsenal”.
E se nos dias de hoje é mais difícil chocar o público com violência excessiva, Mortal Kombat não falha por falta de tentar – e mesmo esse coração endurecido pelos absurdos da internet se encolheu um pouco vendo alguns dos raios x. Esse é o ataque que tira um bocadão de energia e, no processo, mostra os órgãos internos e os ossos dos inimigos sendo esmigalhados pelos golpes (para realizá-lo, aliás, basta apertar 2 botões ao mesmo tempo).
Toda a parte visual do jogo é muito, muito, MUITO bacana. E não dá pra não ser juvenil a respeito; nesse sentido eu aprendi a respeitar esse jogo, é como se em tal mesa de reunião alguém dissesse “então, o nosso público de 30 anos tem a idade mental de 14, certo?” e às vezes, quando estou com meu controle nas mãos, eu tenho exatamente 14 anos. Durante a luta, não só o sangue jorra, como as roupas se rasgam, os ossos ficam expostos, os músculos cortados. Como que essa gente para em pé e dá porrada com as costelas à mostra? Não importa o mínimo. É foda…

Os 4 lutadores do demo são Scorpion, Sub Zero, Johnny Cage e Milleena. A escolha me parece bem clara: os dois clássicos, uma gostosa e o cara que dá o soco no saco. Na verdade, são 4 personagens com estilos de jogo muito variados:
Scorpion controla o espaço graças ao teleporte e ao arpão. Você sempre tem meio que estar se defendendo ao lutar contra ele; por outro lado, ele não tem nada de excepcional além do raio x que, heh, teleporta pra trás do inimigo e arranca 45% de energia dele. Mas claro, se você está preparado pro teleporte comum, então está salvo contra o raio X.
Sub Zero parece ser o personagem mais avançado; pra um noob como eu, ele é simplesmente devagar e esquisito, mas, bem, esse cara discorda. De acordo com ele, o lance do Sub Zero é ser imprevisível, ele tem muitos meios de punir uma defesa específica (muitos ataques que acertam se você está defendendo alto e outros que acertam se você está defendendo baixo), além da capacidade de congelar durante esses mix ups.
Mileena é minha favorita por enquanto. Ela é boa em controlar o espaço por meio dos ataques à distância e pode facilmente se aproximar, causar algum dano e voltar em segurança pra trás. A fraqueza dela parece ser quando o inimigo está na sua cara apertando botões não deixando você se movimentar (lembrando que em MK, você toma dano bloqueando até os ataques comuns), mas o computador não faz isso como um humano faria, então não dá pra testar perfeitamente.
Por fim, Johnny Cage é o veloz da turma. É exatamente quem vai estar na sua cara apertando botões e forçando uma postura mais defensiva. E a fraqueza dele é uma natural para personagens desse tipo: causa pouco dano, aguenta pouco dano; mas internet afora tem colocado ele como o mais perigoso dos 4 (pois é! Johnny Cage! Esse mundo é doido!).
Então o jogo tem sua profundidade. O link citado acima traz algumas técnicas avançadas e já dá pra achar no youtube alguns combos gigantescos e de relativa difícil execução. Talvez o jogo viva em torneios, mas eu ainda acho que ele vai realmente fazer sucesso com pessoas que podem convidar outras pra jogar em casa ou com quem joga regularmente na internet. Coisas como fatalities não pegam bem em um torneio profissional – eles oscilam entre falta de respeito e perda de tempo (embora haja situações onde ambos aumentem o fator de entretenimento pra quem assiste a competição) – mas gente reunida perdendo tempo vai achá-los a coisa mais divertida do mundo.
E pra constar, eles são bobos. Repito que admiro a postura de admitir que esse não é um jogo sério, cada fatality tem esse charme absolutamente boboca de que todas as leis da física e da anatomia são ignoradas mas “mwahahaha olha todo aquele sangue e puta que pariu, ela acabou de comer a cabeça do cara!”
Se alguns profissionais pegarem o jogo, descobrirem que ele tem espaço para profundidade e técnica, de modo a ano que vem ser uma grande atração da EVO, eu estarei feliz da vida. Por enquanto eu estou satisfeito de poder comprá-lo em Abril, quando espero poder fazer a resenha completa e, se possível, ver o raio x em câmera lenta de um taxi atropelando um guerreiro sagrado.
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