Goma-visão #26 – Ame ou… deixe


Atipicamente, essa semana não foi tão fácil escolher que séries micro-resenhar aqui. De novo, altos e baixos são esperados, mas na minha última incursão pelos novos episódios encontrei bem mais pontos positivos do que negativos e, acima disso, um tema comum permeando cada capítulo: será mesmo possível que o amor seja o principal fator que motiva todos esses personagens?

Essa semana daremos uma volta pelo lado brega de 24, Life Unexpected, Lost, House, Glee, Fringe, Stargate Universe e Doctor Who. Atenção aos spoilers que essa semana estão – perdoe a infâmia – de matar.

24 - “Day 8: 8:00A.M. – 9:00A.M.”
Em oito dias tensos tivemos poucos momentos de real intimidade entre Jack Bauer e… qualquer outra pessoa. Seja jantando com a Teri na primeira temporada, acordando com a Audrey na quarta ou tomando café com o enteado (que ele abandonou) nos meses em que virou fugitivo, o agente mais dedicado da América raramente teve tempo de câmera para se expor como um personagem real. Tirando um descanso de sua rotina conturbada, Jack finalmente se abriu para Renee Walker. De conversa íntima para beijo e corrida embaixo dos lençóis foram só 2 minutos, mas hei, o cronômetro corre. Uma boa meia hora depois, Jack e Renee trocaram olhares românticos como jamais vimos em “24″. Claro que, durante a pausa dele para se hidratar, Renee foi alvejada com um tiro certeiro que provocou em mim um desconforto e desespero comparáveis apenas ao final da primeira temporada. A corrida para o hospital nada adiantou, Renee Walker morreu ali mesmo, abrindo o precedente para que Jack retomasse sua campanha, agora, ainda mais violenta. Bastante intenso e, para “24″, isso não é pouca coisa. Semana que vêm falo da Chloe promovida. Prometo!

Life Unexpected - “Love Unexpected”
Seria Baze o mais estúpido dos personagens de “Life Unexpected”? Quando Cate decidiu acreditar na filha – agora filha de verdade após aprovação do Juizado com direito a trilha do piloto – e ir até o ex-caso confessar que sentia algo por ele, Baze decide se esquivar da verdade e não admitir o que sente. E por quê? Numa série em que o amor é empiricamente o fator motriz da trama, entendo que essa negativa foi apenas para termos mais emoção na próxima temporada [se ela acontecer]. No entanto, enquanto o clichê da corrida “eu me enganei, eu amo você sim” rolava, formei a opinião de que a Cate fica mesmo melhor com o Ryan [mal ae, Lux!]. Vê-la pular em cima do recém-aceito marido foi talvez o momento mais empolgante da personagem em toda essa primeira temporada. Depois de anos de “Felicity”, a trama de “quem ela vai escolher?” já não mais nos interessa. Queremos pessoas decididas, Cate. “Ryan na cabeça!”

House - “Lockdown”
Gregory House finge que não se importa, mas o diálogo com o paciente terminal que ninguém estava monitorando podia muito bem servir – e serve – como analogia a um dos delírios do próprio House, conversando consigo mesmo. Ok, sabemos que ele é solitário e entendemos que ele é assim por ser tão absurdamente diferente de todos ao seu redor. Por mais que o Wilson faça sacrifícios para protegê-lo [a relação ali é quase paternal], House está fadado a morrer sozinho e brilhante numa cama dentro do próprio Hospital, ignorado por todos aqueles que tentaram se aproximar, inclusive o único amor [Stacy já era] de sua vida. Por acaso, Cuddy teve novamente seu momento de Sherlock médico no caso possivelmente trágico do bebê desaparecido, mas não dei atenção nem a ela, nem a DR entre Chase e Cameron, muito menos ao “Clube dos Pilantras” do Foreman e do Taub. Interessante mesmo foi Wilson e Treze no jogo da verdade menos sincero da história.

Lost - “Everybody Loves Hugo”
Todo mundo ama o Hurley no mundo paralelo. E quando eu digo “ama”, eu me refiro a forma mais desinteressante do verbo. Sem namorada, Hurley passeia pelo mundo fazendo caridade e esperando que alguém note seu coração gigante e vazio. “Lost” assumiu sua pieguice e está abertamente declarando que a salvação dos personagens virá através da noção de que nenhum deles está sozinho e todos ali merecem ser “esclarecidos” pelo amor. Esclarecimento esse que funciona como uma iluminação de que suas vidas não são exatamente como deveriam ser [para bem ou para mal]. Com um beijo, Hurley e Libby perceberam que viveram em outro universo uma história trágica, mas e agora? Estaria Desmond em pleno contato com sua versão da ilha tentando reuni-los na dimensão alternativa? Só o amor salvará?

Glee - “Hell-O”
Rachel é puro amor. Tão puro que a qualquer minuto, o amor que ela sente pode se tornar um remake de “Atração Fatal” e talvez por isso, Finn esteja suficientemente distante da mais talentosa dos membros do Glee Club. Sorte (azar?) dela já que Jesse St. James, líder dos concorrentes do Vocal Adrenaline, parece estar interessado num dueto com a moça. Ou é o que ele quer que ela pense já que “Glee”, como toda boa série da FOX, segue a cartilha do “não confie em ninguém”. Pra começar, não confie em Will Schuester que, de tanto amor por Emma, acabou num amasso completamente esquizofrênico com a concorrência. Ele realmente vai ficar nessa de “insegurança” só porque descobriu sobre a virgindade da mais transtornada conselheira educacional da TV? Eu esperava mais, Will. Colabore com a moça…

Fringe - “White Tulip”
Robocop, ele mesmo, estava em “Fringe” semana passada e apesar de sua storyline ter sido afanada de “A Máquina do Tempo”, “White Tulip” foi, para minha surpresa, um episódio com saídas interessantes. Ainda na tese base de que o corpo humano é hackeável, a história do professor que fusionou carne e máquina para criar um deslocamento temporal [letal], teve mesmo seu ponto alto na conversa entre o próprio, Alistair Peck, e Walter Bishop, cientistas que foram longe demais. Se “Deus é ciência”, não sabemos, o que sabemos é que romper as barreiras do universo para alterar fatores a nosso favor tem conseqüências dramáticas e Walter finalmente parece ter aprendido que brincar com a natureza não lhe causará qualquer alento. Caminhando para um final dos mais dramáticos, “Fringe” cresce um passo de cada vez.

Stargate Universe“Faith”
Alguns reclamaram do ritmo intenso que SGU assumiu nas últimas semanas. Correndo com pernas que não eram suas, a série se lançou em suspense e batalhas espaciais como suas predecessoras e se perdeu na correria. Retomando um pouco do fôlego, tivemos o belo “Faith” como marco para uma nova fase da série. Ao se depararem com um planeta recém criado artificialmente por “alguém”, os tripulantes da Destiny tiveram a chance de contemplar novos rumos que não dependeriam da nave dos Antigos. Foi bonito ver que TJ é mais do que uma inexperiente oficial médica, e existe profundidade na figura de uma das poucas mulheres da nave. Não apenas isso, existe um bebê a caminho e já desconfiamos de quem seja o pai. A única coisa que realmente incomodou foi o questionamento quase religioso sobre seres capazes de criar um planeta (valeu pela piada sobre o Projeto Genesis, Eli – pensei a mesma coisa). Seriam os tripulantes da Destiny insanos de pensar na figura de aliens deidades? Eles não sabem nada sobre os Goa’uld e seu perigosíssimo complexo de deus? No universo de Stargate, acreditar em milagres pode ser o mais perigoso dos devaneios. Temo pelo decorrer da temporada.

Doctor Who“Victory of the Daleks”
Amy não se lembra dos Daleks, não se lembra dos Cybermen, não viu planetas no céu, não viu Gallifrey quase obliterando a Terra. Seria ela de outro tempo, anterior aos eventos pós-2005? Mas e aqueles benditos celulares, laptops e contas de twitter? A trama principal na primeira grande saga de Steven Moffat se complica. Voltando ao episódio: Winston Churchill, Daleks Power Rangers, aviões da RAF convertidos em X-wing fighters e Amy salvando o dia mais uma vez. Gosto de ver a companheira tomando as rédeas da salvação do mundo, mas gostaria de rever o Doctor confiante do “The Eleventh Hour” ASAP. O belo discurso de como pensar no amor de sua vida [Dorabella, sério?], pode anular a complexa programação dos Daleks e de seu ‘oblivion continuum’, foi mesmo o ponto alto do episódio. Lado a lado com a bolacha recheada que o Doctor usou para ameaçar os geniais (?) novos Daleks que, pela primeira vez, escaparam ilesos e sem “emergency temporal shift”. A única coisa que me deixou na dúvida foi: os Daleks impuros vieram de qual período? Da Medusa Cascade não pode ter sido, pois aqueles ressurgiram do DNA do próprio Davros. Será que vieram do Satelitte 5? Rose, você esqueceu dois…



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