Goma-visão #19 – Admirável Mundo Cylon


Com os jogos olímpicos chegando ao fim, a televisão assiste um novo dia surgir conforme as séries se ajustam a velha grade e preparam sua corrida em direção aos seus respectivos season finales. No horizonte, muitas disputam a atenção da audiência prometendo finais bombásticos e revelações chocantes, mas nenhuma anda me comovendo mais do que Caprica. Novata na programação, a série que conta a origem dos temidos Cylons consegue aos poucos ampliar um universo que foi, por muito tempo, ridicularizado em suas encarnações anteriores, tornando-se gradualmente um dos mais complexos cenários da ficção científica atual.

Essa semana teremos: Brothers & Sisters, Greek, Life Unexpected, 24, Damages, Lost e Caprica. E o aviso de sempre, fique atento aos spoilers!

Brothers & Sisters“A Valued Family”
Quando Kitty perdeu o bebê na temporada passada, eu pensei: tá certo, é uma novela, tinha que acontecer com alguém. Agora, a Rebecca me vem e faz a mesma coisa na nova temporada? É muito azar pros Walker. Azar que parece ser a única coisa a sobrar numa trama que agora anda em círculos já que novamente a Ojai parece estar em perigo. Naturalmente, o perigo vem do passado de William Walker, o homem cujo único acerto foi ter se casado com Nora. Paralelo a isso, Sarah reencontra seu francês saído direto de uma novela “Sabrina” e Kitty contrata Buffy (sério isso?) como assessora política sem ter se recuperado completamente de seu câncer. A velocidade de Brothers & Sisters me assusta.

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Greek - “Love, Actually, Possibly, Maybe…Or Not”
E falando em Rebeccas, por que a Rebecca de Greek tem que deliberadamente se meter em problemas? E eu uso esse verbo em seu sentido mais literal. Enquanto Cappie e Casey se acertam para formar o melhor e mais invejado casal da televisão atualmente, Rusty descobre o amor nos mais improváveis braços. A gélida e robótica Katherine está para se tornar muito mais importante para a trama da CRU como a nova namorada do nerd mais notável do campus e, com mil demônios, eu gostei muito desse casal. Interessante notar que a trama deu um jeito de dar um rumo pras vidas de Cappie e Casey sem tirá-los da faculdade: pós-graduação, aí vamos nós!

Life Unexpected“Truth Unrevealed”
No começo eu não estava certo se Life Unexpected chegaria a algum lugar depois de seu excelente piloto. O negócio é que depois de um episódio tão redondo e finalizado quanto o que abriu a série, eu não conseguia enxergar muitas possibilidades de roteiro para o trio de mãe, pai e filha reunidos abruptamente. Pois eu não poderia estar mais enganado já que semana após semana LU eleva seu grau de complexidade mostrando que nada nesse universo que mistura Gilmore Girls e Everwood é simples. Gostei de ver Lux amadurecendo e tentando aprender com a mãe – que ela continua chamando de Cate – a fazer o correto, ainda que a radialista não seja capaz de tomar as decisões certas na hora em que deveria. A teia que reune essa família disfuncional se amplia. Acho que tende a crescer e emocionar bastante se escapar do cancelamento.

24 - “Day 8: 12:00 A.M. – 1:00 A.M.”
Vem comigo pelo passeio no Absurdistão: radiação que afeta pessoas seletivamente; uma agente da CTU que deliberadamente pensa em homicídio como solução para seus problemas; um grupo terrorista que pensa na detonação de uma bomba radiológica (mais uma bomba suja!) como uma mensagem anti-americana bem sucedida; e um Jack Bauer que beira os 60 anos (tecnicamente essa deveria ser a idade de Jack na linha temporal da série), mas que consegue escapar de torturas brutais e derruba agentes da própria CTU como se fossem samambaias decorativas. Pois até agora, essa é a oitava temporada de 24. Nada mudou, nem mesmo os turnos de 24h da CTU, que jamais fecha e jamais deixa seus agentes irem para casa. Talvez por isso eles sejam todos homicidas em potencial.

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Damages - “It’s Not My Birthday”
Como se os flashforwards não fossem suficientemente assustadores, Patty Hewes tem que nos apavorar com seus pesadelos envolvendo cavalos, pés descalços e cupcakes ensangüentados. Valeu Patty, já estamos suficientemente com medo do futuro no qual Tom Shayes é arrastado aos gritos para dentro de um apartamento vazio. ver o corpo de Tom sendo jogado numa lata de lixo foi a única coisa que realmente me fez crer nos Tobin como vilões. Aparentemente, tanto os filhos, quanto a mãe e o advogado da família são pessoas a serem temidas. Patty do presente ainda não sabe, mas fazer seus jogos mentais com esse grupinho peculiar de pessoas terá conseqüências devastadoras. Será que Ellen estará lá para salvá-la?

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Lost - “Lighthouse”
Seria um clichê usar esse espaço para dizer que nada foi respondido.Já esperamos que nada seja mesmo explicado. Tudo indica que o segredo da ilha é tão simples que os roteiristas tem que fazer malabares com os personagens para nos despistar da tão óbvia verdade. Eis que surge um ótimo episódio Jack-centric para desviar nossos olhos dos segredos de Jacob. Na dimensão alternativa, Jack fez uma apendicite aos 7 anos e tem um filho aspirante a pianista que vai a escola com o filho do misterioso ‘samurai’ (citando o Hurley) que perambula pelo templo. Enquanto isso, no universo em que mais da metade do elenco está morto, o estressado Jack quebra o farol de Alexandria que ninguém havia notado até que o fantasma de Jacob – o grande irmão – levá-los até lá. E tudo para nos apresentar a mais uma pergunta: Quem será que está chegando na ilha? Widmore? Desmond? Você realmente se importa?

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Caprica - “There is Another Sky”
E finalmente, um sci-fi que me empolga. Sofrendo com a baixa audiência – algo que todo tru sci-fi sofre desde que Jornada nas Estrelas criou essa triste tradição – Caprica vem consistentemente provar que deve ser sim assistida pois tem muito a dizer. Mesmo que os Adama tenham parecido um tanto desapontadores (é difícil crer que o inexpressivo Willie se tornará o Comandante Adama da Battlestar Galactica), essa semana fomos definitivamente apresentados a Tamara, o avatar vivo e ‘acordado’ que perambula pelo V-World armada e perigosa, questionando sua própria existencia virtual e pleiteando uma inédita fuga para um mundo em que seu corpo deixou de existir. Seria a mistura de Zoe Graystone com Tamara Adama aquela que dará origem aos Cylons como conhecemos ou seriam elas duas adversárias esperando para começar a história do quase fim da humanidade? Enquanto isso, na Caprica não-virtual, Daniel apresenta seu protótipo como o futuro da força de trabalho, uma raça senciente e desprovida de livre-arbítrio. A chocante cena em que Daniel pede para que o robô – o avatar de sua filha – arranque seu próprio braço foi uma das mais perturbadoras e violentas que já assisti. Corajosos, os roteiristas de Caprica aprendem a explorar seus personagens e seus respectivos destinos, armando-nos para aquele inevitável conflito que destruirá planetas e arruinará uma civilização.

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O inverno acabou, as séries despertam de seu sono criogênico e a Goma-visão voltará a sua boa forma.



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