Goma-visão #18 – O longo e tenebroso inverno


Quero dizer que depois dessa longa e tenebrosa Olimpíada de Inverno, a Goma-visão voltará ao normal, mas enquanto não posso fazer esse decreto, me limitarei somente as séries que não se abalarão pela avalanche televisiva. Fazendo malabarismos, a confusa grade americana tenta encaixar patinação artística, esqui alpino e as emocionantes provas de curling com os novos episódios de Lost. Ironicamente, ambas as atrações televisivas partilham algo em comum: são incompreensíveis.

Na coluna de hoje teremos: Being Human, Greek, 24, Damages, Lost e Smallville. E vale sempre lembrar, tome cuidado com os spoilers;

Being Human“Episode 6″
Para uma série com foco em vampiros, Being Human continua dando uma lição no quesito dramas humanos. Esqueça Edward Cullen ou Stefan Salvatore por alguns minutos e dedique-se ao complexo Mitchell, vampiro que anda de dia sem problemas e conseguiu, por algum tempo, ficar sem se alimentar de sangue humano. Em Being Human ser um vampiro não é necessariamente uma condição biológica, mas psicológica. Sim, os olhos pretos estão lá e a sede também, mas com alguma força de vontade, um vampiro pode se recusar a participar dos joguinhos sanguinolentos e tentar viver uma vida normal. Ou será que não? Depois de um bonito flashback, ficamos sabendo que Mitchell já havia parado de se alimentar uma vez, mas parece que o ciclo se fechou. Sem um vilão tão forte quanto Herrick, a segunda temporada se mantém cada vez mais mundana. Mitchell luta contra o modo de vida vampiro, George tenta domar o lobisomem se jogando num relacionamento afobado, Annie procura função social num mundo que não a enxerga e nenhum dos três faz idéia de que suas cabeças estão a prêmio pelo padre que viu sua família ser massacrada e jamais se recuperou.

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Greek - “Take Me Out”
Voltando no final de janeiro, Greek comemora o anúncio de que sua quarta temporada está garantida. Não é pra menos, a série da ABC só melhora ao dar mais um giro de profundidade com seus personagens. Muito além do mundinho de vilões e heróis, os jovens da Cyprus são complexos a ponto de gostarmos deles em fases. Particularmente, eu já não tinha mais paciência para o Rusty desde seu namoro com a Jordan, mas só foi ela ir embora que minha simpatia pelo único nerd da KT voltou. Gostei de ver a Casey namorando saudavelmente com o Cappie – ok, o casal é terrivelmente perfeito – e gostei mais ainda de sua posição individualista e feminina em não entregar um jogo fácil para agradar o namorado. Na parte gay de Greek – possivelmente os melhores personagens gays da televisão – é muito bom ver o amadurecimento de Calvin, assumindo seu namoro no coração da semi-homofóbica Omega Chi ao mesmo tempo em que Ashleigh cresce como uma presidente exemplar da ZBZ. É impressão minha ou eu sou totalmente pró-fraternidades agora? Fui convertido!

24 - “Day 8: 11:00PM – 12:00AM”
Jack Bauer conhecerá seu nemesis na oitava temporada? Talvez sim, e ele não é desconhecido dos fãs da série já que está presente desde o primeiro pior dia da vida do agente da CTU: a fórmula. Dando a volta ao mundo, Jack Bauer começou com assassinos de aluguel latinos, enfrentou conspiradores de uma república islâmica, escapou das mãos de mafiosos russos e a temporada ainda não chegou nem em sua metade. Estariam os roteiristas descartando todos os clichês que fizeram de 24 uma das maiores e melhores séries de ação da TV? Talvez. Sem grandes coadjuvantes (Ortiz e Hastings não contam; Starbuck menos ainda), a série conta mesmo com o carisma inabalável de Jack para escapar das armadilhas previsíveis de uma trama já manjada. Seriam os cilindros nucleares roubados a maior ameaça a segurança nacional ou estaria uma trama maior prestes a ser desvendada? Até agora estou oficialmente sentindo falta do sub-plot das companhias privadas de segurança que cercavam Washington na sétima temporada. Aguardemos mais Chloe!

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Damages“Don’t Throw That at the Chicken”
Me surpreendo com o poder de Damages em assustar, especialmente se tratando de uma série de advogados. No entanto, episódio após episódio, Damages me mata de medo mostrando que a vida familiar de Ellen é um desastre silencioso e seu futuro não será menos apavorante. Apesar de ainda não ter embarcado na confusão financeira providenciada pela família Tobin (a conspiração no mercado de energia me pareceu bem mais ameaçadora na temporada passada), os percalços enfrentados por Patty Hewes no futuro em que Tom Shayes é descoberto morto no Hudson não poderiam ser menos aterrorizadores. Perceba o número de expressões que evocam “pavor” nesse pequeno parágrafo. Pois então, ver Patty correndo pelas escadas de seu loft aos prantos me deixou em completo choque. Não viverei bem até entender o que demônios vai acontecer de tão errado na vida dessas pessoas.

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Lost - “The Substitute”
Foi-se o tempo em que episódios centrados no Locke eram os melhores momentos da temporada. Continuo dizendo que o mundo paralelo tornou-se minha parte favorita do derradeiro final de Lost. Ver que Locke é um homem sem fé no universo em que o avião não caiu foi revigorante. Minha perspectiva sobre o personagem mudou ao vê-lo sem a influência da “ilha”, cada vez mais viva na dimensão oficial. Sua contraparte fumacenta e vilanesca conduzindo Sawyer por mais um beco sem respostas foi, por diversas vezes, desapontadora. O próprio Sawyer, cansado de não entender o que tudo aquilo significa, pareceu não ligar para a conversa suspeita de Richard que – surgido DO MEIO DO MATO – tentou persuadi-lo a voltar pro templo em que ninguém explica nada. Pra quê? – Pensamos Sawyer e eu. Melhor seguir com o faux-Locke até a caverna na qual Jacob numerou e nomeou todo mundo que já colocou o pé na ilha. O último nome não riscado virará o Rei do lugar? Poderia Lost ser o ultimate reality show? Seria essa mais uma pergunta não respondida?

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Smallville“Persuasion”
Sou constantemente lembrado que ninguém se importa com Smallville. Pois sim, eu me importo e não, não me orgulho disso. Em episódios como Persuasion me sinto um tanto envergonhado em ligar para essa longa e interminável especulação sobre a juventude do Superman. Ok, o pó mágico que mascarava um novo tipo de kryptonita e a Lois ‘Desperate Housewife’ Lane foram boas alusões a Era de Ouro, na qual Superman era mesmo uma criatura cafona – ok, ele ainda é. Entretanto, o ritmo fraco da condução da trama dos kandorianos é quase um sonífero televisivo. Não, nós não ligamos para Zod e seus planinhos de construir as torres Petronas em Metrópolis. Daí, no ápice da falta de reais acontecimentos, Clark me dispara sua visão de calor e destrói o prédio a distância como uma espécie de deus vingativo e destruidor. O que?! No meio de uma cidade abarrotada, Superman destrói deliberadamente um prédio inteiro? Como os roteiristas se sairão dessa me faz querer ver o próximo episódio. E assim a série se mantém!

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Na próxima semana: por favor, não cancelem Caprica!



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  • http://taai.wordpress.com Rafagoom

    O FLocke vai imunizar quem? O Sawyer? E o líder vai pro Hurley mesmo? Também tô loco pra saber quem vai ganhar o MILÃO do Lost!