Goma-visão #14 – O Retorno


E depois de uma longa tempestade de reprises, a Goma-visão retorna a sua velha forma com algumas adesões e algumas despedidas. Dollhouse chega a sua reta final ao mesmo tempo em que Being Human e Project Runway retomam suas novas temporadas. No entanto, o grande destaque da semana foi mesmo a volta de American Idol. No misto de concurso de talentos com Extreme Makeover: Home Edition (vá lá, os dramas familiares são quase os mesmos), American Idol continua o melhor dos reality-shows de música em atividade. Vai dizer que você não adora a gritaria do pessoal ‘going to hollywood’ depois de sobreviver a audição mais tensa do mundo?

Na primeira coluna de 2010 teremos: Being Human, Brothers & Sisters, How I Met Your Mother, The Big Bang Theory, House, American Idol, 30 Rock, Fringe e Dollhouse. E atenção aos spoilers!

Being Human“Episode 1″
Com Toby Whitehouse não existem erros, certo? O cara que nos deu “School Reunion” (Doctor Who) e “Greeks Bearing Gifts” (Torchwood) parece somente acertar em Being Human. Não apenas na escrita dramática, mas também na escolha de atores e no cuidado visual com sua própria série. No retorno dessa segunda temporada, Bristol nunca esteve tão bonita. Capricharam na fotografia de tal modo que Being Human deixou de ser uma tentativa de série cool para se tornar um drama sobrenatural de respeito. Enquanto Annie luta contra a morte tornando-se cada vez mais física em sua forma fantasmagórica, George tem que lidar com a dolorida transformação de Nina em lobisomem. Paralelamente, Mitchell, mantendo a mesma função da temporada anterior, protege os amigos dos vampiros que agora procuram preencher o vazio deixado pela morte de Herrick. O que os três não sabem é que existe alguém não muito distante que anda experimentando com criaturas sobrenaturais e quer fazer deles seu alvo preferencial. Gostei das inclinações religiosas, gostei do escândalo do George ao descobrir sobre Nina e fiquei tenso com a DR entre os dois. Essa é talvez a primeira série que coloca lobisomens, vampiros e fantasmas como verdadeiras analogias para todas as mazelas que possam atingir os homens. E pontos para Annie por assistir Buffy! [compre: BEING HUMAN em DVD]

Brothers & Sisters“The Science Fair”
Qual é o problema com os Walkers? Quando a briga no meio da feira de ciências derrubou todos os limões (?) do projeto da Paige, eu simplesmente levantei da cadeira desconsolado dizendo: ah eu sabia que isso ia acontecer. B&S joga com a previsibilidade, por isso você sabe que uma briga entre os irmãos vai descambar numa treta pública e apenas espera o momento certo para balançar a cabeça em desaprovação. Ok, foi um episódio fraco em quase todos os sentidos, salvo somente pela atitude James Bondiana (ela mesma usou essa referência, e de forma errada. Eu diria que ela fez algo mais Columbo) da Nora contra seu namorado vigarista que todos nós já desconfiávamos não prestar. Se a Sarah desconfia de alguém, eu desconfio junto. Quanto ao Justin, filho, você realmente tem DDA? E só descobriu agora? E ainda quer ser médico? Desista. [compre: BROTHERS AND SISTERS em DVD]

How I Met Your Mother - “Girls Vs. Suits”
E chegamos aos centésimo episódio de HIMYM e nele quase conhecemos a futura mãe dos filhos de Ted e, medo, ela quase foi a Summer (Rachel Bilson) de The OC. Ainda bem que os roteiristas foram sagazes e nos livramos dessa bala. Mesmo assim, estou começando a me cansar dessa proximidade toda do Ted com sua futura esposa, eu acho que cheguei ao ponto em que quero conhecê-la, ainda que isso signifique o final da série. Independente dessa enrolação, o verdadeiro brilho do episódio foi como sempre o Barney e seu amor por ternos. Algo que rendeu seu melhor momento musical desde Dr. Horrible e envolveu todos os membros do elenco numa hilária declaração de idolatria ao seu próprio guarda-roupa. Destaque para o alfaiate pessoal do Barney: Tim Gunn! [compre: HOW I MET YOUR MOTHER em DVD]

The Big Bang Theory“The Psychic Vortex”
Saudades de “The Big Bang Sheldon” porque convenhamos, se não é a Penny que está sendo hilária, é com certeza o Sheldon que rouba a cena. A discussão do Leonard serviu apenas para me deixar ainda mais antipático ao personagem. Acabou-se aquela imagem de coitadinho que não chamava a atenção da vizinha, sobrou apenas um personagem cansativo e repetitivo. Por outro lado, as histrionices de Sheldon aumentam e sua assexualidade torna-se cada vez mais evidente. A imitação do Incrível Hulk valeu meu janeiro inteiro, assim como a recusa em permanecer no mesmo quarto com a surreal amiga da Winnie Cooper. Nem mesmo o Kevin ficou com a Winnie no final, quem diria que o Raj chegaria tão longe. [compre: BIG BANG THEORY em DVD]

House, M.D.“The Down Low”
Finalmente alguém para tirar House e Wilson do armário! Pontos para a vizinha que enxergou o óbvio, pontos para a imitação de Jack Bauer do House e pontos para Ethan Embry (alguém mais sente tanta falta de Freaky Links quanto eu?) como um dos únicos pacientes que realmente chegou a morrer por possuir uma doença incurável, algo raríssimo num universo em que quase todos os pacientes são salvos nos últimos 3 minutos de episódio. A brincadeira salarial com o Foreman foi a parte mais sem graça e potencialmente perigosa para o resto da equipe que acabou aumentando o salário do mais chato dos atendentes do Princeton-Plainsboro. [compre: House em DVD]

American Idol“Boston, Mass Audition”
Não sei o que foi melhor nesse começo da nona temporada. Teve o cara que achou que a Kara era a Paula (e saiu da audição ainda confuso). Teve outro que não queria esperar e cantou com raiva puxando briga com todos (menos com o Simon, que simpatizou com ele – sei lá porque, o cara parecia um serial killer só esperando para matar todos no estúdio). Teve a briga da Posh com o Simon porque ele revira muito os olhos (ela assiste American Idol?). Dentre os meus favoritos ficaram Tyler Grady com sua vibe Jim Morrison e Ashley Rodriguez com sua voz low-key. Não curto candidatos teens (mal ae Maddy) e nem candidatos que acham que gritar é cantar bem (mal ae todas as outras mulheres aprovadas). Achei curioso terem escolhido o grandão italo-americano meio blueseiro, seria ele alguém a se temer ou mais um que não passará da Hollywood Week? Saberemos mais AFTER THE BREAK, como diria Ryan Seacrest. [compre: AMERICAN IDOL em DVD]

30 Rock“Klaus and Greta” / “Black Light Attack!”
O grito ‘Black Light Attack!’ foi a parte mais divertida do segundo episódio exibido na última quinta, mas minha atenção estava mesmo no James Franco e seu travesseiro japonês chamado Komiko. O ménage final entre Liz, James e Komiko selou um episódio perfeito. Jack humilhando Johnattan e Kenneth atirando o cabine no chão e forçando-os a passar entre ele foi de uma maldade hilária. Por outro lado, as homenagens a Glee e a participação de Jenna em Gossip Girl compensaram a sem gracice que foi a história do Tracy adotando a Greta em sua entourage. [compre: 30 ROCK em DVD]

Fringe - “Unearthed” / “Johari Window”
Dois episódios completamente soltos numa única semana. O primeiro deles trazendo Charlie de volta e colocando o time numa conspiração militar (“deve ser terça”, diria Peter) e o segundo colocando Walter no centro de… outra conspiração militar. Peter estava certo, toda semana o exército americano testa alguma droga, freqüência ou portal dimensional que acaba tendo conseqüências tanto em cidadezinhas esquecidas chamadas Edina (sério?) quanto no meio do centro mais movimentado de Tóquio. Ambos foram ripados de Arquivo-X, mas servem de base para aumentarmos nosso amor por Walter Bishop. O homem acredita em macacos alados, leões falantes e tem uma séria rixa com o catolicismo e sua política anti-exorcismos. Peter continua a falar chinês, farsi, russo e a traduzir termos em grego (existe algo que o Peter não saiba? Cozinhar, talvez?), enquanto Olivia faz discursos de que matar um homem é complicado nas primeiras duas noites, depois você deve dormir tranqüilo. Fringe precisa seriamente de roteiristas mais originais, mas ainda assim, não vimos o pior que a série pode oferecer. [compre: DVD de FRINGE]

Dollhouse - “The Hollow Man”
Boyd era o grande Big Bad da Rossum. É. Choque. E o melhor disso tudo? Fez algum sentido. Caroline/Echo tem realmente propriedades genéticas que a tornam imune aos sucessivos implantes de personalidade. Sua espinha dorsal produz um líquido que pode ser convertido em uma vacina para que os grandes chefões da Rossum possam se proteger do inevitável ‘thoughtpocalypse’ (palavra criada pelo Topher num momento de total desespero), por isso ela precisou ir pra Dollhouse LA e ficar exposta a um infindável número de implantes pra desenvolver o tal fator de cura (Wolverine feelings). Sentirei saudades de Sierra e Victor (tanto na versão com upgrades, quanto na versão Victor/Topher – melhor imitação não poderia existir). Ballard conseguiu me emocionar na reta final, mas graças a Mellie e seu modo de ataque. Engraçado como pensei que esse modo ainda seria MAL utilizado, era um erro trazerem a Mellie de volta e não desativarem o ‘three flowers on a vase’. Fora isso, foi um tanto desproposital usarem o corpo da Whiskey como mais um receptáculo do Clyde 2.0, mas valeu pelo célebre momento Whedoniano de colocar duas protagonistas para lutarem até a morte. E sim, todos torcemos por Echo agora que ela se transformou de verdade numa personagem querida, ainda que um tanto ineficaz. Como eles realmente achavam que destruir um único prédio da Rossum impediria suas maldades? O próprio Boyd declarou no começo do episódio que a Rossum estava presente no mundo todo. Rossum vai além do cloud-computing, é cloud-personalitys, eles estão em todos os lugares e por isso, o fim é inevitável. Agora é aguardamos pelo futuro madmaxiano em que a “família” (medo desse termo) irá se reencontrar na tentativa de reverter os anos de caos fomentados pelo descontrole da tecnologia de comunicação encefálica. Independente do fake finale “The Hollow Man”, Dollhouse deveria ganhar todos os méritos por conseguir criar um apocalipse inteiramente original e quase que insolúvel vide os tais 10 anos depois… [compre: DVD de Dollhouse]

Na próxima semana falo mais sobre a sétima temporada de Project Runway, sobre a estréia de Human Target e o resto das audições de American Idol (que você pode acompanhar no canal Sony todos os sábados quase ao mesmo tempo do que nos EUA).



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    curti os toques religiosos do “Unearthed”. a voz masculinizada da menina foi tosquinha hein. mas fingi que isso não atrapalhou.

    o “Johari Window” foi um chute no saco completo. tudo muito previsível. logo no começo, todo mundo sabe que tem merda na base militar e o puliça tá encobrindo os acusados. e olha que eu sou lerdo pra perceber essas coisas. hahaahah

    cadê toda a promessa que veio no último episódio da primeira temporada? minha paciência com Fringe tá acabando apesar da produção fodona e do maravilhoso Walter.