Entre “Idol” e “X Factor”: a diferença que Simon Cowell faz


Simon Cowell, o jurado mais amado e odiado de American Idol
A nona temporada de “American Idol” estava para começar quando anunciaram: este seria o último ano de Simon Cowell no programa. O jurado mais célebre da televisão havia sim renovado seu contrato com o canal Fox, mas para produzir seu próprio programa – a edição norte-americana de “The X Factor”, que já completou seis temporadas na Inglaterra.

Desde então, as incertezas tomaram conta. A saída de Paula Abdul já havia sido um golpe para o programa – e Paula nunca fez lá muito sentido. Quem poderia substituir Cowell no ano que vem (com certeza, não o Joe Jonas, mas a Katy Perry bem que merecia…)? E, mais importante: será que o programa sobreviveria sem ele?

A revista Star aposta que não. A nota, replicada ad infinitum internet afora, se baseia na declaração de uma fonte não-identificada: “Os produtores sabem que Simon é quem faz o programa, e acham que só podem continuar por uma temporada sem ele”.

Mas quem é Simon Cowell e por que eu devo me importar com o que ele tem a dizer?
As credenciais de Cowell antes de virar o grande jurado eram um tanto quanto modestas. Com conexões no mundo das gravadoras, Cowell escalou a cadeia alimentar e se destacou como A&R (Artists and Repertoire). Mas, quando tentou ter um selo nos anos 80, acabou em falência. O sucesso veio trabalhando como consultor de A&R e assinando nomes como Westlife e Il Divo. Ele também lucrou inventando discos para qualquer coisa, de Teletubbies a Power Rangers.
Simon Cowell sabe ganhar dinheiro
Em 2001, Cowell saiu dos bastidores e foi escalado como jurado da primeira edição do “Pop Idol”, reality-show britânico que daria origem à franquia. Idol foi criado por outro Simon – Simon Fuller, até então conhecido como o empresário das Spice Girls. Quando levou a franquia aos EUA, no ano seguinte, Fuller também levou o jurado que ficou mais famoso na Inglaterra com suas críticas duras. O sucesso, tanto do programa quanto do jurado, se repetiu no Novo Mundo.

Com a experiência, Cowell ampliou suas ambições e suas influências. Na televisão britânica, ele é criador e jurado de dois programas: “Britain’s Got Talent” (aquele da Susan Boyle) e “The X Factor” (que fará sua estreia nos EUA no ano que vem). Vale destacar que “The X Factor” canibalizou “Pop Idol” na Inglaterra – afinal, será que existe espaço para dois concursos tão similares?

O que muda entre “Idol” e “The X Factor”?
Mas nem tudo é idêntico entre as duas franquias.
A primeira diferença é que “The X Factor” não tem limite máximo de idade (em Idol, o candidato não pode ter mais de 28 anos) e permite a participação de grupos e duplas (e não apenas solo).

Outra diferença é o tipo de apresentação montada no palco de “The X Factor”. Se você acha que American Idol é brega, ainda não viu nada: no concurso britânico, os candidatos ganham cenários, figurinos e dançarinos para incrementar o show.
Muita classe na última edição de The X Factor
Muda também a função dos jurados, que são também mentores dos participantes. Cada jurado assume a responsabilidade por um grupo de participantes e os ajuda a escolher a música e o tom da apresentação – e, depois de cada apresentação, defende seus protegidos das críticas.

Além disso, os jurados têm um pouco mais de poder: em todas as sete primeiras semanas, eles podem escolher qual dos dois candidatos menos votados vai para casa (em “Idol”, os jurados podem usar o “save” e resgatar um candidato eliminado apenas uma vez na temporada toda).

Mas o que muda de verdade?
Leona Lewis (The X Factor) e Kelly Clarkson (American Idol), as duas crias mais poderosas
Se as previsões da Star se confirmarem, é provável que também se perceba uma mudança no perfil dos vencedores. Com oito temporadas de experiência, “American Idol” está lançando artistas mais completos (embora menos comerciais) – enquanto “The X Factor” lança ótimos intérpretes que se destacam mais pelas vendas do que pela tal artistry.

Mas o grande vencedor será Simon Cowell, que tira seu xará Fuller da jogada e passa a ganhar ainda mais dinheiro. Ocupando a cadeira de jurado e a cadeira de criador, Cowell ganha um trono e se aproxima da todo-poderosice de Martin Tweed. A reverência a Cowell é tão grande que fãs britânicos se surpreendem com as briguinhas entre o jurado e o apresentador norte-americano Ryan Seacrest – na Inglaterra, o mestre de cerimônias Dermot O’Leary não tenta encarar o patrão.
Os anfitriões Dermot O'Leary e Ryan Seacrest

E como vai a temporada de despedida de Simon Cowell?
Com uma temporada cheia de candidatos mornos e jurados confusos, nem mesmo Simon Cowell está imune às críticas. Afinal, ele nem sempre parece prestar muita atenção no que está acontecendo e ainda inventa de sugerir que a Katie Stevens vire uma cantora country.

Mas o site Movieline foi mais longe e perguntou: será que Simon Cowell está sabotando American Idol? As evidências apresentadas foram três: as críticas às críticas de Kara, queixas sobre a discrição das apresentações em Idol até agora (em contraste com os shows exagerados de The X Factor) e o ar de desinteresse de Cowell com os competidores.

Tudo parece fazer sentido, já que Cowell é quem mais lucraria com a eliminação de “Idol” – qual seria a opção dos fãs senão migrar para o seu novo programa?

No entanto, há três observações razoáveis aos pontos levantados pelo Movieline: 1) Simon Cowell nunca respeitou a opinião de ninguém – nem a do Randy, nem a da Kara, nem a da Paula. E a Kara nem sempre faz muito sentido. 2) Jedward protagonizou os shows mais memoráveis e vistosos da última temporada de “The X Factor”, mas isso não se traduziu em sucesso durante ou depois do programa. Enquanto isso, alguns dos mais bem-sucedidos participantes de Idol nunca precisaram de hocus pocus no palco – nem durante e nem depois do programa. 3) É verdade que sobra talento em Crystal Bowersox, é verdade que Siobhan Magnus e Lee Dewyze se mostram bastante promissores. Mas o grupo de 12 finalistas deixa muito a desejar em carisma e ainda está devendo em performance vocal. Simon Cowell não é o único entediado desta temporada.

Isso não significa que Cowell esteja se esforçando muito para melhorar um programa do qual ele se desligará em 9 semanas. Mas é notável que tenha partido dele uma das críticas mais lúcidas da temporada, direcionada ao bonitinho-mas-desafinado Tim Urban:

Eu vou explicar por que ele está rindo. É porque eu não acho que o que dizemos faça qualquer diferença! Foi uma canção completamente inapropriada, como um ratinho puxando briga com um elefante. Você sabe, você não vai ganhar. Mas isso não importa, porque você vai sorrir, o público vai votar em você, ninguém liga e você estará aqui semana que vem. Então, muito bem!

Tim Urban é só sorrisos

Seria bacana acreditar também que o poder dos jurados de “The X Factor” poderia ter salvo Didi Benami e enviado Tim Urban para casa – mas como esquecer que Simon Cowell preferiu deixar a decisão para o público quando a promissora Lucie Jones foi para a berlinda contra Jedward?



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