Doctor Who: The Big Bang [sem teorias!]


Não tem sido fácil ser o Doctor desde… bom, desde antes mesmo dele existir. Seja no passado, presente ou futuro, o universo conspira contra todos os seres viventes e permanece a beira de colapsar não fossem os esforços daquele que está destinado a ser o último grande herói [e não, ele não é o Schwarzenegger]. Depois de impedir milhões de Daleks ameaçando destruir a Terra, exércitos Cybermen tentando converter a população do planeta, um antigo rival escravizando o universo e um arqui-inimigo quase destruindo a própria Realidade, o mais famoso doutor da ficção continuou fiel à tradição e não teve vida fácil em 2010. Mesmo assim, diferente de todas as outras vezes, Steven Moffat – o responsável pela quinta temporada de Doctor Who – nos deu o que ainda não tínhamos visto: um final feliz. Spoilers a partir daqui!

Pode parecer piegas querer um final de novela para uma série que parece fadada a terminar tragicamente, mas lembrando o público de que originalmente, lá nos anos 60, o alienígena que viajava no tempo tinha como principal missão entreter crianças, Moffat deu ao mundo a chance de acreditar que nem sempre as conseqüências de grandes atos de bravura são ruins.

Quando ressurgido de seu involuntário exílio – transformado por Russel T. Davies numa engenhosa Guerra do Tempo – a nona encarnação do Doctor teve vida curta, sacrificando-se para que sua companheira Rose sobrevivesse após ter salvado o mundo. A partir daí, o décimo Doctor trilhou um caminho de altos e baixos que acumularam despedidas forçadas, arrependimentos irremediáveis e muitas lágrimas motivadas pelo rompimento brusco de amizades destinadas a terminar de forma sombria. Como disse o décimo primeiro Doctor ao se livrar das roupas rasgadas de sua regeneração anterior: “To hell with the raggedy, time to put on a show”.

De fato, a aventura que envolveu o Doctor e sua nova companheira, Amy Pond, não podia ter terminado sem um show. Após uma conturbada relação que começou oscilando entre Amy aos 7 anos e Amy adulta, a dupla enfrentou o maior desafio da série até então. E, em se tratando de uma cronologia que envolveu a destruição da Realidade na quarta temporada, chamar os últimos acontecimentos de “maior desafio” não é pouca coisa.

Após alguns encontros nada pacíficos com rachaduras no tempo/espaço que ameaçavam silenciar toda a Existência, descobrimos através do último quadro de Vincent Van Gogh o real motivo para a destruição que se espalhava pelos locais visitados em cada episódio: o TARDIS explodiria. E, de fato, ele explodiu.

Transformando todas as estrelas em supernovas que jamais existiram, a explosão se alastrou varrendo pelo cosmos deixando apenas a Terra sozinha na vastidão, iluminada por um sol artificial que nada mais era do que o próprio TARDIS queimando por dois mil anos. Preso numa armadilha criada pelos seus maiores inimigos, o Doctor se vê forçado a se utilizar de seu maior trunfo: a viagem no tempo.

Desde “Blink” e “Silence in The Library” [episódio que introduziu a maravilhosa companheira do futuro River Song] sabemos que Steven Moffat não só gosta do recurso como aprendeu a utilizá-lo magistralmente. Após um emaranhado de idas e vindas no tempo graças ao manipulador do vórtex roubado de um Time Agent bonitão [Jack?], o décimo primeiro Doctor descobriu em menos de 12 minutos que a única saída para a situação impossível seria a armadilha construída por seus adversários: a caixa Pandorica.

Muito criticado por suas saídas fáceis, Russel T. Davies deve ter aberto um sorriso ao ver o Doctor resetar o universo voando pelo espaço na caixa mágica que recriaria o Big Bang, em todos os lugares e em todos os tempos, cobrando apenas um preço: seu único tripulante seria apagado de todas as Histórias.

O que poderia se tornar o final mais triste de toda uma saga, não encontrou na atuação de Matt Smith espaço para se manifestar. Corajosamente andando para trás em sua própria linha temporal, o Doctor instaurou na cabeça da jovem Amy quatro palavras mágicas que seriam capazes de devolvê-lo no mais aguardado momento de sua vida.

Diferente de Rose, Martha ou Donna, Amy não salvou o dia, mas sua memória desafiou o vazio para trazer de volta o melhor amigo imaginário que qualquer um poderia querer. E bem a tempo de dançar no seu casamento com Rory [Pond!] que passou a aceitar e entender que a amizade entre sua noiva e estranho viajante do tempo seria uma parte saudável de sua nova rotina. Algo que deveria ser um “adeus” acabou virando um novo começo enquanto Amy, Rory e o Doctor escapavam da festança para continuar vivendo aventuras extraordinárias.

Quem é realmente River Song? Quem controlou e explodiu o TARDIS? Pela primeira vez na nova série não temos todas as respostas no final de uma temporada, mas pela primeira vez também não queremos saber tudo, queremos apenas continuar a viagem, dessa vez, sem hora para voltar…



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  • http://salabr.com Guilherme Sagas

    steven moffat é gênio. toda a aura que ele colocou em volta da série criou o ponto que faltava pra ser absolutamente sensacional!

    a direção de arte, que se voltou pro lance mágico, meio amelie, meio harry potter, me deixava mais feliz a cada episódio da temporada.

    o único incômodo: as soluções deux ex-machina, que são características da personalidade do doutor. mas senti que nesse episódio o moffat tentou uma saída diferentem o “não é bem assim”. as soluções simples dos eps anteriores revelaram uma trama um pouco mais complexa, e que ainda deixa espaço para algo ainda maior na próxima temporada.

    e rose que me desculpe, foi tudo mto bom entre a gente, but there's a new girl in town, and her name is pond. amelia misturou a personalidade da donna, com a beleza e inocência da rose.

  • http://twitter.com/deniscp Denis Pacheco

    eu fiquei meio apaixonado pela Amy tbm. Eu adoro a Rose e a Donna. As duas sao Dream Team, mas… a Amy tá chegando bem perto delas duas, só preciso de mais uma temporada para confirmar.

    o Moffat foi “lúcido” em solucionar as coisas com a caixa q deu tanta confusao, mas nao ficou mto diferente de Doctor-Donna ou de absorver a energia do vortex. O bom mesmo foi nao saber quem controlou o TARDIS

  • Anderson

    É emgraçado o quanto a temporada vinha parecendo fraca, mas com o Season Finale ligando tudo, pareceu genial. :P

    O destaque dessa temporada foi a trilha sonora, pra mim.
    DEUS! Ela fez episódiso fracos serem completamente emocionantes!

    Sem contar que foia temporada com os melhores efeitos também. ;)

  • http://twitter.com/deniscp Denis Pacheco

    Devo concordar, Anderson. A trilha sonora (especialmente o tema de ação do Doctor) superaram todas as minhas expectativas. Murray Gold é um deus! rs