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Crítica: ATIVIDADE PARANORMAL
no último fim de semana peguei por acaso uma exibição [às 4h15 da manhã!] durante a mini-virada promovida pela Livraria Cultura. a história do jovem casal e sua câmera pra captar os fenômenos paranormais que os atormentam se deu muito bem no boca-a-boca: tem sido alardeado como um dos filmes mais assustadores dos últimos tempos, com seu estilo realista [uma atendente na porta do cinema disse se tratar de um documentário] e por ser um fênomeno de bilheteria – a produção independente custou US$ 15 mil e rendeu até agora mais de US$ 100 milhões.
a propaganda feita pelo estúdios Dreamworks e Paramount, que quase comandaram um remake após descobrirem o material já pronto que os havia sido enviado, incluiu exibições-teste com adolescentes saindo de medo da sala e pulando nas cadeiras [veja vídeo abaixo] e factóides como Spielberg dizer que teria ficado trancado em casa porque as portas haviam se fechado após assistir ao DVD de avaliação. outros eventos de bastidores contam que o filme estava pronto desde 2007 mas essa indecisão entre refilmar ou não [isso porque o filme é americano, vai vendo] e uma uma disputa entre os dois estúdios fizeram o lançamento acontecer só em 2009.
o problema é que todos esses fatos e factóides se sobressaem mais que o filme em si. não vou mentir: ele dá um nervoso de verdade com porta batendo, gritos espirituais, objetos sendo mexidos, levantados, arrastados, jogos de luz e sombra que procuram gerar atmosfera deixando as coisas acontecerem fora da cena. mas, assim como se pode ver no trailer e nas exibições-teste, tem muito sustinho de pular da cadeira do que realmente um clima assustador como o tema sugere.
o casal de personagens não ajuda a criar esse clima: suas interpretações meio over estragam o fato de serem rostos desconhecidos – o que contaria a favor nesse tipo de filme. o roteiro, do próprio diretor estreante Oren Peli, força situações irritantes para que eles não saiam de casa nem recebam ajuda [é hilária a segunda visita do médium à casa, deixando o casal à própria sorte], enterra fundo o potencial da história e me fez querer que o espírito zombeteiro levasse logo esses dois chatos pro além.
o filme tem 86 minutos, mas parece se arrastar por 3 horas; depois da enésima vez em que corta pra visão da câmera armada no quarto, pra captar algo enquanto dormem, os sustos e a estranheza acabam ficando com cada vez menos força [apesar de irem aumentando], porque nos avisa quando vão chegar.
é possível ir por um viés psicológico e traçar um paralelo dos momentos de “discutir a relação” do casal com uma fonte provável do problema – seria o espírito uma manifestação física do animus de Katie para se defender do anima dominador de Micah, o marido mala? a estrutura do filme não se presta a isso, mas o que não sabemos nesse caso nem ajuda a dar mais medo, apenas parece desleixo porque Peli não sabia como acabar a história. o final da versão comercial foi escolhido – entre 3 filmados – por Spielberg.
obviamente é inegável a força inerente ao filme. histórias de espíritos contadas no dia-a-dia ainda assustam muita gente mesmo em 2009, ainda mais nesse estilo de “câmera achada” que vem desde LEGEND OF BOGGY CREEK [DVD aqui] e CANIBAL HOLOCAUSTO [DVD aqui], passando por BRUXA DE BLAIR, CLOVERFIELD, [REC] e outros que souberam muito bem aterrorizar sem mostrar tudo, e assustar te levando pra dentro do filme com uma câmera participando da ação. no século 21, em que qualquer pessoa sobe um vídeo para o Youtube, esse estilo foi consolidado e popularizado como nunca.
ATIVIDADE PARANORMAL pega algumas ferramentas desse estilo “docudrama” mas não faz uso delas de maneira forte o suficiente para se levar o medo pra casa após a luz docinema acender. é apenas uma volta no trem fantasma do parque de diversões que são os shopping centers. há vídeos na youtube – reais ou não – bem mais assustadores.
ATIVIDADE PARANORMAL estréia dia 4 de dezembro no Brasil.
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