Cola no Idol: Fúria de Titãs no Panteão do Pop


Não foi à toa que o dia do julgamento do top 10 tenha começado com um campy mash-up de American Idol com o remake de “Fúria de Titãs”. Por mais transparente que seja o simbolismo, o show de calouros mais assistido do planeta não deixa de ser uma batalha entre possíveis mitos do pop. Armados com seus respectivos instrumentos, backing vocals e um ferino vozeirão, futuros ídolos engrenam na batalha pelo coração do país [e do mundo], tendo como principais adversários um público sem rosto, juízes de língua afiada e suas próprias escolhas musicais.

Sob o aconselhamento do titã do R&B, Usher, o panteão da música pop teve altos e baixos inesperados e uma eliminação mais do que chocante. Se a cantoria vegan de Ruben Studdard e o espetáculo condescendente do whats-his-name Diddy – Dirty Money [ex-Puff Daddy] não te provocaram qualquer reação se não a de indiferença, a eliminação da forte concorrente Didi Benami muito provavelmente despertou o Kraken em todos nós.

Já dizia Kara DioGuardi: “todo artista tem uma noite fraca”, e essa foi a noite de Siobhan Magnus. A sempre tão eficaz gritaria da musa de personalidade tímida quando longe dos holofotes não funcionou em “Through The Fire”. Desconcertada pelas reações negativas dos jurados, Siobhan voltou aos bastidores numa literal caminhada da vergonha enquanto o previsível Casey James chegou chegando – sejamos infames aqui – e surpreendeu com sua “Hold On I’m Coming”. Liberto das amarras invisíveis que o prendiam ao centro do palco, Casey aproveitou o espaço para crescer durante uma impecável performance capaz de surpreender todos aqueles que, como eu e uma certa jurada, sempre o consideraram apenas um rosto bonito numa maré baixa de idols sorridentes.

Apesar da simpatia ser inerente a Michael Lynche, sua versão de “Ready for Love” não poderia ter sido mais sombria e carregada. Versado nos falsetes, Lynche jogou com o que sabe fazer de melhor, evitando grandes malabarismos e consequentemente criando zero impacto com sua apresentação. Garantir uma vaga na próxima semana era a meta e, pelo Santo Padroeiro dos Pais de Primeira Viagem, ele conseguiu. Se pelo menos Didi Benami fosse mamãe… Fato que “What Becomes of a Broken Heart” talvez não tenha sido sua mais forte performance na competição, mas com certeza ficou longe de ser uma das piores da noite e definitivamente não merecia o corte jacobino de uma multidão inominada de telefonemas.

Alguém aí falou em guilhotina? Então falamos de Tim Urban e sua sorumbática “Sweet Love”. Tim Urban é o reserva de palco que só entra em cena caso o principal fique doente ou seja atropelado na véspera do espetáculo. Para nosso azar, a vaga dele pertencia a alguém que já estava comprometido em outras praças, por isso, semana após semana, somos forçados a assistir um show de segunda classe que os votantes parecem constantemente perdoar. Nem mesmo os jurados têm o que dizer…

Mas vamos falar de coisa boa, vamos falar de – não, não isso que você pensou – Andrew Garcia! “Forever” foi a escolha musical que AnGar demorou a fazer desde que ‘atingiu o pico muito cedo’ [eu precisava alfinetar essa tradução] emulando Paula Abdul, cujo sangue é usado para matar vampiros em ‘The Vampire Diaries’ [eu explico depois]. Com voz macia e a atitude charmosa que veio no mais incomum pacote, Andrew Garcia nos deu sua primeira grande atuação da competição e agora ruma para competir em igualdade no hall dos campeões.

Jogando para o alto a jovialidade que Katie Stevens jamais vai exalar, a mulherona de 17 anos gastou todo seu vocal power em “Chain of Fools”. Afinada e bem impostada, a Sra. Stevens cumpriu tabela, mas não escapou da antepenúltima colocação da noite. Maçante como sua contraparte masculina, Aaron Kelly, a dupla mais jovem dessa nona temporada de American Idol padece de personalidade e não há luz do sol suficiente para fazê-los brilhar.

Situação bem diferente de Lee Dewyze e Crystal Bowersox. Enquanto ele aprende em “Treat Her Like A Lady” a embasbacar a audiência como jamais havia feito até agora, a artista nata que, de acordo com Simon Cowell, está dispensada de seguir conselhos de quem quer que seja, nos entrega de bandeja uma competente versão de “Midnight Train to Georgia”. Orgulhando Gladys Knight, o marido, eu e o resto do mundo, Crystal levantou-se do piano e subiu nos saltos da glória para receber do público os aplausos e dos jurados somente ovação. Reiterando o que já disseram antes [e aí vai mais uma aula de tradução ao pé da letra]: “O American Idol é dela para perder”.

Semana que vêm: Randy, Simon, Ellen, Kara, Lennon e McCartney!



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