Cola no Idol: Em clima de despedida, mais um ídolo é coroado


Com um chamativo vestido cor-de-rosa, Paula Abdul sobe ao palco de “American Idol” um ano depois de sua última participação e, ovacionada pelo público, diz a Simon Cowell:

“American Idol não será o mesmo sem você. Mas, como apenas eu posso dizer, ele continuará.”

Mas era difícil acreditar nessas palavras enquanto sete dos oito idols (David Cook, vencedor do sétimo ano, tinha compromisso prévio e se limitou a estar presente “em espírito”) cantavam juntos a melosa “Together We Are One” (Delta Goodrem), cercados de tantos participantes de todas as temporadas, na homenagem-despedida do jurado mais famoso da televisão. O clima, mais do que em qualquer outro momento da noite desta quarta-feira, era de adeus.

Talvez apenas duas pessoas em todo o Nokia Theatre pensavam em outra coisa naquele momento. Crystal Bowersox e Lee DeWyze podiam muito bem estar imaginando como seria dividir o palco com Kelly, Ruben, Fantasia, Carrie, Taylor, Jordin e Kris (e, quem sabe, David) no ano que vem.

Afinal de contas, fazia pouco mais de 24 horas que os dois haviam cantado três músicas para tentar conquistar os fãs pela última vez na temporada.

Três rounds na terça-feira

Como já é tradição em “American Idol”, Crystal e Lee cantaram três músicas cada na noite da terça-feira: a primeira seria escolhida entre suas apresentações anteriores neste ano; a segunda seria escolhida por Simon Fuller (ex-empresário das Spice Girls e criador da franquia “Idol”); a terceira seria o single lançado após a decisão (que, felizmente, não foi uma “coronation song” escrita pela Kara Dioguardi).
Lee mostrou nervosismo na final
Lee DeWyze, que havia perdido no cara-ou-coroa com Crystal Bowersox, foi o primeiro a se apresentar. Para o primeiro round, ele repetiu “The Boxer” (Simon & Garfunkel), apresentada originalmente na semana do “Idol Gives Back”. O resultado não agradou os jurados, que esperavam que Lee mostrasse mais força. Crystal escolheu “Me and Bobby McGee” (famosa na gravação de Janis Joplin), da semana do top 11, e recebeu mais elogios, lembrando os jurados da Crystal Bowersox que já chamava a atenção nas primeiras semanas.

No segundo round (escolha de Simon Fuller), Lee penou com as notas mais longas de “Everybody Hurts” (REM). Crystal deixou o violão de lado e fez o que pôde com “Black Velvet” (Alannah Myles) – foi o suficiente para impressionar até Simon Cowell, que disse ser “alérgico” à música.
Crystal enfrentou o palco sem o violão

Finalmente, o último round. E, novamente, Lee foi engolido por uma gigante “Beautiful Day” (U2), enquanto Crystal fez uma “Up to the Mountain” (Patty Griffin) emotiva, que terminou com soluços nos versos finais (sejamos compreensivos com a moça – ela havia acabado de romper com o namorado, com quem tem um filho).

O terceiro round foi também o último julgamento para Simon Cowell – e, nas palavras do próprio, foi um verdadeiro “lovefest”. Lee foi chamado pelo jurado de “cara legal” que merecia uma chance, a apresentação de Crystal ganhou o elogio “outstanding”. Simon, por sua vez, recebeu de Crystal votos de sucesso em seus “empreendimentos futuros”. Pois é, #lovefest, encerrado com o “Pop Idol” original, Will Young, e a canção de despedida “Leave Right Now”.

Mas alguém aí realmente acreditava que a qualidade das apresentações da terça-feira seria decisiva para a escolha do novo American Idol?

Uma viagem ao passado na quarta-feira

A verdade é que a terça-feira não influenciou em nada a votação. E a outra verdade é que o duelo Bowersox vs. DeWyze era a coisa menos importante na final de “American Idol”.

Não se engane: a noite era dele

O assunto da noite era mesmo o adeus a Simon Cowell. Além do grande reencontro de Idols, o jurado foi alvo de vídeos pseudo-engraçadinhos com “depoimentos” de seus colegas de bancada e seleção de grandes momentos cowellianos. Também recebeu homenagem de comediantes bons (Ricky Gervais) e ruins (Dane Cook).

Reconhecendo a falta de momentos épicos durante as finais, os produtores escalaram o ativista Larry Platt e criaram um número com dança para o rap “Pants on the Ground”, que teve seus 15 segundos de fama durante os testes. Mais insólito que isso, só a participação de William Hung (que teve os seus 15 segundos em 2003) no meio da música…

Mas (felizmente) a final de “American Idol” não era só de comédia. Tinha sim muita música na programação. E aí começava o desfile de vários artistas que faziam sucesso quando o Simon Cowell era criança (era esse o tema?).

Alice Cooper e o elenco do clipe de "Baby One More Time"

Alice Cooper (com o top 12 – e, de novo, desafio vocês a se lembrarem de todos os nomes!), Barry e Robin Gibb (com Siobhan Magnus e Aaron Kelly), Michael McDonald (com Michael Lynche), Hall & Oates (com a metade masculina do top 12), Chicago (com Lee DeWyze), Joe Cocker (com Lee e Crystal)…

Bret Michaels sobrevive para mais um reality-show

Se bem que nenhum deles passou tão perto da morte quanto Bret Michaels (que cantou com Casey James).

Perto dessa seleção, Janet Jackson cantou e dançou como se fosse 1993 e Alanis Morissette (com Crystal Bowersox) entoou “You Oughta Know” como se 1995 tivesse sido ontem.

Janet Jackson nunca foi tão 'current'

A seção “noughties” da noite contou com Christina Aguilera (que entrou no palco para um solo após uma homenagem com as 6 moças finalistas), Carrie Underwood (que participou de todas as finais e “Idol Gives Back” desde que levou o título em 2005) e Kris Allen (pronto para entregar o cetro).

Quando todos os convidados finalmente terminaram de cantar, Ryan Seacrest anunciou Lee DeWyze como campeão. Mas alguém aí ainda lembrava que esse era o motivo do show?

Ryan Seacrest tenta criar suspense



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