Cola no Idol: A justiça foi feita


Decepção deve ser o sentimento mais recorrente em um reality show. No caso do American Idol, decepção por uma performance fraca do seu candidato favorito, pela permanência de alguém medíocre e também pela eliminação de um concorrente que se sobressai. Não que a surpresa – positiva – também não esteja presente, mas infelizmente os momentos mais amargos são aqueles que ficam marcados na trajetória do programa.

Foi assim no ano passado, quando Kris Allen demoliu todo o favoritismo de Glambert na finalíssima e, em escala muito menor, quando Joe Muñoz recebeu menos votos do que tantos outros inferiores como Tim Urban na semana passada. E o que dizer da sorridente Haeley Vaugh, que sequer merecia entrar no Top 24.

Nesta semana, os EUA trataram de corrigir algumas injustiças e eliminou quatro competidores que, de fato, fizeram as piores apresentações: John Park, Jermaine Sellers, Haeley Vaugh e Michelle Delamor.

Guys Night

Mostrando uma ligeira melhora em relação à semana anterior, o Top 10 dos rapazes só ajudou a deixar mais nebulosa a opinião sobre quem realmente tem talento para chegar longe no programa. Michael Lynche, Alex Lambert e o ‘guy-next-door’ Lee Dewyze fizeram apresentações lastimáveis no Top 24 e agora entregaram performances que chegam perto do nível das garotas.

Como um soulman que se preze, Lynche estava elegante para abrir a noite com “It’s a Man’s Man’s World”, de James Brown, mostrando uma faceta bem diferente daquela que cantou a inadequada “This Love” na semana passada. O grandalhão fez aquilo que os jurados tanto querem: sentir a música e deixar transparecer na apresentação.

Tão bom quanto Lynche – ou até melhor – foi Alex Lambert com seu mullet menos evidente. Graças ao nervosismo, a performance anterior dele foi comprometida e tão ruim quanto a de praticamente todos os adversários. Mas um suquinho de maracujá entre um intervalo e outro deve ter deixado o outro Lambert mais relaxado para entregar sua versão voz e violão para “Everybody Knows”, de John Legend.

Inferior às apresentações dos dois acima, mas muito melhor que a cover de “Chasing Cars”, Lee Dewyze é, dos três, o participante com a direção musical mais clara. Como David Cook e Chris Daughtry são as principais crias do Idol nesta linhagem pós-grunge, é capaz de que este critério possa atrapalhar a trajetória de Dewyze. Cantando “Lips of an Angel”, do Hinder, ele ficou tão preso no nicho que dava para fechar os olhos e lembrar-se de 1001 vocalistas de bandas similares. Mesmo assim, o fator ‘cuteness’ e as naturais e deselegantes ajeitadas na calça em rede nacional mostram que ele pode ser muito mais carismático que seus pares.

Entre os eliminados, John Park continuou boring mesmo defendendo “Gravity”, de John Mayer, uma música mais ‘current’ que poderia conquistar mais público. Acontece que sua voz é tão insípida que afasta qualquer possibilidade de torná-lo gostável. Já Jermaine Sellers arriscou “What’s Going On” e fez tantos floreios vocais irritantes que deveria se desculpar por destruir uma música tão importante para a história.

Girls Night

Ao contrário da Guys Night, o Top 10 das meninas deixou muito mais claro quem tem reais chances de chegar às finais. O nível das apresentações também aumentou e chegou a momentos de ‘awesomeness’ com os agudos fenomenais de Siobhan Magnus, a última a se apresentar. Crystal Bowersox, Lilly Scott e Katelyn Epperly também se destacaram na noite e estão na dianteira na disputa desta temporada.

Entre as piores, não há dúvidas de que Michelle Delamor e Haeley Vaugh mereceram sair. Enquanto a primeira cantou a deplorável “With Arms Wide Open”, da banda cujo nome não pode ser pronunciado, a segunda cantou linhas como “But I gotta keep trying” presente em “The Climb”, da Miley Cyrus. Não, Haeley, ninguém mais quer que você tente novamente.

Veja abaixo uma recapitulação das apresentações e a quais seções as remanescentes pertencem:

Cantam quase tudo e arriscam nas escolhas:

Siobhan Magnus: Após a dramática “Wicked Dreams” da semana passada, Magnus muda de estação radiofônica e impressiona com a agitada “Think”, de Aretha Franklin. Não há como não ter se embasbacado com tamanho vocal power.

Katelyn Epperly: No pólo oposto, ela também foi extremamente corajosa ao desacelerar “The Scientist”, do Coldplay, em versão voz e piano e bem diferente da versão de Stacey Solomon no X Factor do ano passado.

Possíveis singers-songwriters com acento alternativo:

Crystal Bowersox: Não foi à toa que a produção decidiu inverter a data das apresentações masculinas e femininas devido ao problema de saúde dela. “Long As I Can See the Light”, do Creedence Clearwater Revival, foi interpretada de forma sublime por Bowersox e fez com que Simon Cowell a tivesse como parâmetro por toda a noite.

Lilly Scott: Na minha opinião, sua versão de “A Change Is Gonna Come” foi a performance mais emocionante da noite embora não seja necessariamente a melhor. Assim como Crystal, Lilly empunha violão, não pensa apenas em agradar com hit pop e deixa transparecer seu talento com naturalidade. Tento imaginar uma finalíssima com elas…

Genéricas que cantam bem, mas ainda estão perdidas:

Lacey Brown, Didi Benami e Katie Stevens: Das três, a que mais me agrada é a Didi, apesar da escolha equivocada desta semana. “Lean on Me”, do Bill Withers, é um soul que não se conecta com seu vocal radiofônico. Os agudos em colisão com o coro deixaram mais exposta essa diferença.

Lacey Brown entrou na zona de conforto e quis agradar o universo cantando uma versão correta de “Kiss Me”, mas tudo nela – e nas outras duas – parece tão artificial que pode passar despercebido. Já a senhora de 17 anos Katie Stevens poderia ter trocado “Put Your Records On” pela “Walk Away” defendida por Paige Miles.

Sabe o que quer, mas quem se importa?

Paige Miles: Soul, rock e pop já está estampado na testa dela, mas quem consegue lembrar dela cinco minutos depois?



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  • http://www.lhys.org/ Luciana Silveira

    Justa mesmo foi a não-menção a Andrew Garcia neste texto. Fiquei ainda mais decepcionada nesta semana…