“American Idol” ensina a doar (e a receber)


O que é que Idol está retribuindo?

“Idol Gives Back” não é nada revolucionário. Teleton, Comic Relief, Criança Esperança… você conhece a ideia básica: um especial com segmentos gravados com os que precisam de ajuda, patrocinadores fazendo grandes doações, famosos pedindo doações normais de pessoas normais. Mesmo assim, “American Idol” só começou a produzir o programa beneficente em sua sexta temporada. As duas edições realizadas em 2007 e 2008 arrecadaram nada menos que 140 milhões de dólares (o especial não foi realizado em 2009, possivelmente por conta da crise econômica).

Impressionante? Claro. Mas enquanto Elton John, Annie Lennox, The Black Eyed Peas e Carrie Underwood tentavam inspirar os fãs, o momento pareceu apropriado para ligar o botão do cinismo e examinar o dinheiro que gira em torno de “American Idol”.

Em 2007, o site Advertising Age estimou que o valor da franquia chegava a 2,5 bilhões de dólares. Três anos depois, o programa até pode estar com os dias contados, mas ainda cobra 642 mil dólares para exibir um comercial de 30 segundos – e quem assiste “Idol” pela Fox norte-americana sabe que o programa é uma festa de comerciais. Com audiência média de 26 milhões de telespectadores, um único episódio de duas horas de duração movimentaria 32,4 milhões de dólares.

Além disso, estima-se que patrocinadores principais como Coca-Cola, AT&T e Ford também paguem em torno de 60 milhões de dólares por temporada. E entram ainda na conta um video-game, uma atração na Disney, a turnê com os 10 melhores finalistas, os downloads no iTunes…

E quem é que leva a bolada?

Uma fatia gorda se concentra entre o canal Fox (responsável pela transmissão), a produtora FremantleMedia (que licencia a franquia) e a companhia CKX (detentora de direitos). Mas há mais pessoas ganhando muito bem com “Idol”.

Paula, Simon, Coca-Cola e o abismo salarial

Existe certo mistério sobre o salário dos jurados. Segundo a Forbes, o salário anual de Simon Cowell era de 36 milhões de dólares, mas os outros três devem receber bem menos. Paula Abdul, que abandonou o barco ao final da temporada passada, teria até se sentido desvalorizada por receber cerca de 1/6 do salário do jurado mais famoso.

Ryan Seacrest é só trabalho...

Menos misterioso é o salário de Ryan Seacrest: sua última renovação garantiu 15 milhões de dólares por ano. Para completar, todas essas temporadas à frente de “Idol” (e sozinho, já que Brian Dunkleman cometeu um atentado contra sua própria carreira e deixou o programa após a primeira temporada) renderam um prestígio inimaginável ao apresentador.

Além de seu trabalho em “Idol” (Fox), Seacrest tem contrato como apresentador e produtor no canal E!, já foi anfitrião de premiações e especiais (como o tradicional “Dick Clark’s New Year’s Rockin’ Eve”), é produtor executivo da série “Jamie Oliver’s Food Revolution” (do canal norte-americano ABC) e ainda trabalha no rádio com seu programa “On Air with Ryan Seacrest” (transmitido por mais de 150 emissoras de rádio norte-americanas) e a tradicional parada de sucessos “American Top 40”. Isso sem contar alguns contratos publicitários com empresas como a Coca-Cola e a Procter & Gamble. Ufa! Se alguém soube aproveitar muito bem a oportunidade que surgiu com “Idol”, esse alguém é Ryan Seacrest.

É para ficar feliz mesmo, Kris Allen!

Mas e os competidores? A resposta mais atualizada vem do New York Times:

O vencedor Kris Allen está ainda longe dos 14 milhões de dólares de Carrie Underwood (AI4), mas a vida de um ídolo americano não é nem um pouco ruim. O cantor levou 350 mil dólares para gravar seu primeiro álbum (que, até agora, vendeu 286 mil cópias) e outros 100 mil dólares em um contrato de 3 anos que autoriza a companhia 19 Entertainment (diretamente ligada a “Idol”) a usar sua imagem para merchandising. Além disso, foram mais 200 mil dólares em promoção e gravações para a atração “The American Idol Experience”, da Disney World. Somando turnês e propagandas, um vencedor costuma conquistar seu primeiro milhão logo em seu primeiro ano após a coroa.

Um participante popular como Adam Lambert, que terminou a temporada no segundo lugar, consegue contratos parecidos. Danny Gokey, Allison Iraheta e Matt Giraud (que completaram o top 5 da última temporada) também receberam 50 mil dólares para emprestarem sua imagem, voz e alma à atração da Disney. Gokey e Iraheta ainda assinaram contratos com a 19 Entertainment e lançaram seus álbuns de estreia após a turnê (com direito a promoção nesta temporada de “Idol”).

Lambert, Iraheta, Allen e Gokey: os quatro contratados

Mas nenhum finalista sai de mãos abanando. De acordo com regras de sindicatos, cada participante recebe cachês a cada episódio (1011 dólares por uma hora ou 1540 dólares por duas horas), além de 1000 dólares para cada gravação que é vendida pelo iTunes. De quebra, a maioria dos candidatos faz uso da plataforma e consegue gravar um disco e agendar algumas apresentações aqui e ali.



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