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A Goma viu – Transformers: A Vingança dos Derrotados

Parte de mim estava sedento de vontade de titular essa resenha como “Michael Bay explode o Egito” porque esse é basicamente o principal atrativo do novo “Transformers”. Não me entenda mal, não digo que o filme seja uma afronta ao bom cinema, pelo contrário, ele é uma lição de como funciona a mecânica das grandes produções hollywoodianas atualmente.
Sob pressão de produtores, roteiristas, diretores de elenco e uma infinidade de patrocinadores automobilísticos, Michael Bay conseguiu costurar um filme que mistura comédia e ação desenfreada, na receita certa para atingir o grande público e garantir as próximas seqüências.
Desde “Bad Boys”, seu primeiro trabalho cinematográfico internacionalmente reconhecido, Bay sedimentou os elementos que o fizeram um diretor profissional de blockbusters. Para começar, escolhendo um elenco de estrelas em ascensão. Antes era Will Smith, hoje é Shia Labeouf. Comediantes natos que caminham na passarela dos queridinhos da América. Não muito atrás, Megan Fox rouba os holofotes com sua sensualidade gritante no papel diminuto da mecânica Mikaela Banes. De pano de fundo, os tais Transformers que, como bem me lembrou o Hector numa conversa esses dias, já não são mais os “robots in disguise” (robôs disfarçados) dos anos 80.
Somados aos malabarismos de iluminação de Michael Bay (que repete em todos os seus filmes cenas contra o sol e takes giratórios de explosões), os gigantescos carros transformados servem como desculpa para um espetáculo visual numa trama sem consistência que mescla velocidade, guerra e uma insuspeita “caça ao tesouro”.
Como “nerd é o novo preto”, o filme faz muito bem seu papel de colocar um cara comum em circunstâncias pra lá de extraordinárias, mas a verdade é que fica difícil para Sam (personagem de Shia) nos convencer de sua “ordinariedade”. Ninguém que namore a Megan Fox e tenha um carro vivo e capaz de defendê-lo de ameaças alienígenas pode ser considerado “comum”, ou mesmo, desejar sê-lo. Simplesmente não é crível, por mais contraditório que isso pareça num filme como “Transformers”!
Numa coletiva de imprensa dada direto de Los Angeles para jornalistas brasileiros, Shia foi questionado sobre a analogia de ser um garoto “comum” em Hollywood. Afirmando que seu perfil e o de Sam são basicamente similares, Shia confirmou o que já sabíamos: é difícil para ele se desvencilhar do personagem que vem repetindo em todos os filmes. Ou vai me dizer que o Shia de “Transformers” é muito diferente do Shia de “Indy 4” ou do de “Paranóia”?
Ainda assim, fica fácil para “A Vingança dos Derrotados” funcionar como uma razoável comédia de ação. Temos os excelentes John Turturro e Rainn Wilson, somados aos estridentes Kevin Dunn e Julie White como o casal de “clueless parents” mais divertido do cinema atual. Presença essa que combate os discursos clichês e literalmente “robóticos” dos Autobots e Decepticons.
As únicas partes efetivamente sem graça são justamente as referências a si mesmo que Michael Bay espalhou pelo filme, tal qual a presença do pôster de seu “Bad Boys 2″ ou mesmo a imitação/homenagem de uma das cenas desse mesmo filme (a filmagem do tiroteio através dos buracos de bala em 360 graus)
Por fim, basta afirmar que tudo no filme é gigantesco. Desde os cenários, as lutas, até as atuações. Entre gags histéricas e explosões em lugares exóticos (de Xangai ao Cairo), “A Vingança dos Derrotados” assume seu papel no panteão de filmes “over the top” para agradar platéias internacionalmente. No Brasil, a estréia oficial é dia 24 de junho.
Obs: Particularmente, eu ainda acho que o “melhor” trabalho do Michael Bay foi “A Rocha” e que ele vive de tentar repeti-lo filme após filme.
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