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Brazil, o futuro é agora.

Quando, em 1985, Terry Gilliam lançou Brazil, previsões pessimistas sobre o futuro do mundo certamente não eram novidade. A esperança de um mundo melhor proporcionado pela tecnologia contrastava com os anos de Guerra Fria e a fúria crescente do capitalismo.
A surpresa para quem assiste ao filme no final da primeira década de um novo milênio, é constatar que o futuro pessimista retratado nele já começou.
Apesar de não parecer tão macabro como foi predito, talvez pelo condicionamento mental que nos acostuma com tudo, admiti-lo é inegável quando assistimos a mulheres, literalmente, esticando os próprios rostos numa busca constante pela juventude, bombas explodindo em lojas e restaurantes, onde pessoas, indiferentes a tudo isso, compram lingeries e pedem comidas grudentas pelo número. Crianças violentas e um governo totalitário, que invade casas, sequestra e tortura pessoas, e controla a todos, completam essa visão de futuro (ou do presente) que compõem o mundo bizarro criado por Gilliam. A informação é poder.
Sam (Jonathan Pryce), protagonista do filme, é um funcionário do governo, indiferente e acostumado com sua posição. Sustenta uma vontade inconsciente por uma vida mais significativa, que se revela através de sonhos recorrentes onde se vê como um herói com asas que precisa salvar a moça frágil em perigo, enfrentando um samurai de metal e seres grotescos que o perseguem.
Ao encontrar a moça de seus sonhos no mundo real, e logo depois perdê-la de vista, ele inicia uma busca que revela sua insatisfação interior, o faz burlar as regras e entrar em contato com uma realidade muito mais cruel do que ele podia perceber antes. Seu ímpeto é reforçado pelo encontro com uma espécie de mecânico de ar-condicionado freelancer anarquista, Harry Tuttle (Robert De Niro), cujo sobrenome causou o incidente que desencadeou toda a mudança de Sam.


O visual, em certos momentos acinzentado, cru, claustrofóbico, em outros se revela imponente, colorido e bizarro. A direção de arte é umas das grandes responsáveis pelo status de cult do filme hoje.
Brazil, do título, é o nome da canção que inspirou o diretor, e que permeia todo o filme, como um sopro de esperança de um lugar mais feliz para se viver. A canção é a versão em inglês de Aquarela do Brasil, de Ary Barroso, cantada por Kate Bush.
A música representa a grande utopia de voltar para casa, pra inocência original, como Alice no País das Maravilhas, e o mito de Adão e Eva, que revelam a perda da essência e a vontade de recuperá-la de alguma forma. Este parece ser o grande desafio da humanidade, continuar em frente mas reaver um brilho que ficou perdido em era remotas. Como Sam, que estava satisfeito com sua vida, e acreditava que o mundo era assim mesmo, mas em seu inconsciente voava pelos céus, livre. Enfrentou o mundo real com coragem, mas por um descuido encontrou sua rendenção apenas no imaginário, com a canção que dizia: “There’s one thing I’m certain of / Return I will / To old Brazil”.
Trailer do Filme
Abaixo um vídeo do Arcade Fire no Tim Festival de 2005 cantando a música-tema do filme.
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Nathalia




