BLACK OASIS – um dos possíveis melhores filmes de 2009


ás vezes eu adoro como a internet me leva de link a link a informações aparentemente aleatórias que acabam desembocando num lago feito especialmente pra mim, como se as idéias lutassem pra serem transmitidas naturalmente. por exemplo: hoje de manhã vi o post dessa menina no twitter linkando o vídeo do coelho fofo que ela adotou. daí fui ver os outros vídeos do perfil dela no Youtube e vi que tinha um sobre as novelas em que o Rodrigo Santoro tinha participado, que ela ripou do Faustão e subiu em inglês pros gringos saberem mais sobre a carreira do ator antes de Hollywood. na descrição do vídeo estava linkado o perfil do ator no imdb.com. resolvi linkar pra ver que filmes gringos o cara está fazendo. abri os links dos títulos que eu não conhecia e o que mais me chamou a atenção foi BLACK OASIS, no topo da lista.

vamos ver quem é esse diretor Stephan Elliot… pô, interessante, é o cara do PRISCILA, A RAINHA DO DESERTO. o Santoro não tá ligado a nenhum personagem ainda no tal BLACK OASIS, será que é outra drag? mas beleza. olha só, além dele só tem a deliciosa atriz, vampira e pin-up Rose McGowan no elenco; sim, a ex-Marilyn Manson, atual Robert Rodriguez, eterna dançarina exótica da perna de metralhadora Cherry e futura Sonja, a Guerreira. a coisa parece interessante, mas só melhora quando você olha a sinopse do filme, que eu vou colocar aqui em caixa alta porque é incrível:

A HISTÓRIA CONTURBADA DA ATRIZ SUSAN CABOT, QUE ESTRELOU EM FILMES DE ROGER CORMAN COMO ‘A MULHER VESPA’ E FOI ASSASSINADA PELO FILHO ANÃO AOS 59 ANOS.

puta merda, eu preciso ver esse filme ontem! mas ele está sendo produzido ainda [as filmagens parecem ainda nem terem começado] e o imdb lista genericamente como a ser lançado em 2009 nos EUA. o jeito é ficar de butuca à espera de mais informações sobre ele.

mas a história de vida bizarra e trágica de Susan Cabot é incrível demais pra ter sido inventada [pare de ler agora se não quiser saber mais spoilers do filme]:

nascida Harriet Shapiro na cidade de Boston em 1927, foi criada por 8 famílias adotivas diferentes e partiu pra Nova Iorque viver como ilustradora. pra completar o orçamento fazia bicos como cantora e num teatro, quando foi descoberta em 1947 e atuou no filme O BEIJO DA MORTE. ela participou também do seriado de faroeste GUNSMOKE, em várias produções B desse gênero e também de filmes sobre aventuras nas Arábias, até que a Columbia Pictures a liberou do seu contrato.

Cabot então voltou pra NY e ficou vivendo de peças de teatro, meio desiludida e complexada por achar que sua baixa estatura [menos de um metro e meio] foi o motivo pra sua carreira no cinema não deslanchar e o estúdio cancelar o contrato. ela acabou sendo convencida pelo rei das produções baratas Roger Corman a voltar pro Cinema no filme CARNIVAL ROCK de 1957 e a fez assinar um contrato de exclusividade pra uma série de filmes de aventura de época, terror e scifi, incluindo ‘The Saga of the Viking Women and Their Voyage to the Waters of the Great Sea Serpent‘.


aproveitando que ela havia se separado do primeiro marido, Corman tirou uma casquinha de Cabot, mas ele logo rodou porque ela começou em 1959 a namorar o Rei Hussein da Jordânia [suspeito agora que esse deve ser o papel do Santoro], num caso bastante comentado na época, inclusive por seu desfecho ridículo: o rei descobriu o nome verdadeiro e a ascendência judaica da atriz, dando-lhe um pé na bunda. Susan acabou casando com o ator Michael Roman, com quem teve um filho, Timothy Scott Roman.

o que era pra ser motivo de alegria fez com que um nó fosse dado na cabeça da atriz meio complexada com a própria altura: Timothy nasceu com nanismo, o que a fez submetê-lo a tratamentos médicos na esperança de fazer o filho anão crescer, sem sucesso. WASP WOMAN, de 59, foi seu último filme; depois ela só faria pontas em séries de TV e alguns musicais encenados no teatro.

dali em diante ela foi descendo em uma espiral de paranóia, agravada pelo fato de começar a tomar escondido os hormônios de crescimento do filho, imaginando que poderiam fazer com que ela mesma ficasse mais alta. ambos andavam acompanhados somente um do outro pelas ruas de Encino, Califórnia, quando não se trancavam em sua casa emporcalhada, palco do drama pessoal que envolvia possessividade extrema por parte da mãe, gerando situações que beiravam o incesto. pra piorar, Cabot começava a ter alucinações com cenas de seus filmes, acreditando estar vivendo dentro deles – a essa altura o marido tinha picado a mula, não agüentando lidar com esse cenário deprê.

em uma noite de 1986, a polícia local recebeu um telefonema de Tim, dizendo que um ninja tinha invadido sua casa e roubado dinheiro; ele ficou com uns arranhões, mas a mãe estava morta na cama, vítima de golpes de uma barra de supino enquanto dormia [uns dizem que foi com um par de nunchacos porque Tim era obssecado pelo Bruce Lee]. a polícia suspeitou da cena do crime, que estava protegida por 4 cachorros Akita da família, e pelo fato de o rosto de Susan estar protegido por um pano cuidadosamente colocado antes dos golpes serem dados.

interrogado sobre o caso, Timothy desabou e acabou confessando o assassinato, dizendo-se vítima do abuso psicológico da mãe e dos efeitos dos remédios. o juri acabou dando apenas 3 anos sob custódia por falta de premeditação, convencido que o arroubo de violência e as versões diferentes que o filho da atriz contava a cada depoimento eram fruto da mente instável do rapaz, fragilizado pelo relacionamento perturbador com uma mãe enlouquecida. esse artigo de 1989 dá conta que ele acabou depois sendo sentenciado a 6 anos e essa página administrativa do wikipedia diz que ele já morreu.

espero que o roteiro [do prório diretor, baseado em um artigo da revista PREMIÉRE escrito por John Richardson] capte pelo metade das bizarrices da história de vida triste de Susan. Cabot virou uma curiosidade cult pra amantes de filmes obscuros e caçadores de lápides de celebridades hollywoodianas, o último capítulo de mais uma biografia surreal de Hollywood, com o protagonista estragado pelo vício da fama, que obriga o viciado a querer agradar sempre o público, com medo de cair no limbo do ostracismo e se imaginando sempre entre os “grandes”.



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  • http://papagoiaba.wordpress.com/ Julio

    lembra um pouco aquele ‘Pecados

  • http://frufru.wordpress.com flavia

    putz, depois que li aqui fiquei com essa história na cabeça.
    incrível, tomara que o filme seja bom mesmo.