A cena de sexo que você não viu em Avatar


Quebrando a barreira cada vez mais frágil dos bilhões de dólares, Avatar continua a causar frisson cinematográfico mundo afora. Enquanto uns caem em depressão ao perceberem que Pandora está mais distante do que gostariam, outros se divertem indo atrás de tudo aquilo que os 500 milhoes de dólares não puderam colocar em prática.

O pessoal do Movieline, por exemplo, cavou fundo no script “original” de James Cameron (entenda as aspas como quiser) e expôs como seria a cena de sexo entre Jake Sully e Pocahon… Neytiri:

EXT. CLAREIRA DOS SALGUEIROS

Ele coloca seu rosto perto do dela. Ela roça sua bochecha na dele. Ele a beija na boca. Eles exploram um ao outro.

Então ela vai pra trás, seus olhos brilhando.

NEYTIRI
Beijar é muito bom. Mas temos algo melhor.

Ela o empurra pra baixo até que eles fiquem de joelhos, olhando um para o outro no musgo que brilha fracamente.

Neytiri pega a ponta de seu rabo de cavalo e a ergue. Jake faz o mesmo, com um receio trêmulo. As hastes nas pontas se movem com vida própria, esforçando-se para se unir.

CLOSE FECHADO — As hastes SE ENTRELAÇAM em ondulações delicadas.

JAKE estremece com o contato direto entre seu sistema nervoso e o dela. A intimidade definitiva.

Eles se unem em um beijo e se deitam lentamente na cama de musgo, raios de luz se espalhando para fora a seu redor.

OS SALGUEIROS balançam, sem vento, e a noite está viva com energia pulsante às medida em que fazemos TRANSIÇÃO PARA —

MAIS TARDE. Ela está prostrada em cima do peito dele. Esgotada. Ele acaricia o rosto dela com ternura.

Para os esperançosos, existe uma boa chance da cena em questão ser um dos extras do DVD. E olhem só, eles usam seus rabos de cavalo USB para criar “The ultimate intimacy”. Igualzinho fazem com seus cavalos e banshees voadores. Ou seja, eles entram em estado de puro orgasmo quando cavalgam. Romântico, não?

Quem se lembra do futuro pseudo-utópico do filme Demolidor – não o do Ben Affleck (¬¬), o do Sylvester Stallone (aplausos) – pode não se impressionar tanto com a safadeza do sexo Na’vi. Numa das cenas mais hilárias das carreiras de Sandra Bullock e do eterno Rocky[bb], o casal faz uso de capacetes de interface neural configurados específicamente para um coito limpo e sem fluidos:



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  • http://www.agenciaginga.com.br/blog/ Naomi Covacs

    gente…. que bom que cortaram isso… sério… #facepalm

  • Matheus martins

    Eu nem vi o filme não tenho muita curiosidade, mas uma cena dessas me faria ir ver…e RIR. SEXO VIA USB é o futuro. EURI

  • http://www.agenciaginga.com.br/blog/ Naomi Covacs

    A propósito… eu não lembrava do nome dela, a protagonista. Que fail.

  • http://twitter.com/MarcelloJun Marcello Jun de Oliveira

    É um erro comum, e frequente entre os comentários sobre o ‘Avatar’, mas o Diego aqui os conceitos “roteiro original” (ou “script original” como usado aqui) e “conceito original” ou “estória original”.

    Os conceitos e os temas abordados no filme ‘Avatar’ não são originais, mas são conceitos e temas conhecidos e explorados em inúmeros livros, peças, e filmes no passado. Embora admita não haver seguido as entrevistas pré-lançamento, não me recordo de ter ouvido ou lido que Cameron houvesse declamado sua estória como única e original — o que não é raro de se ouvir sobre os filmes mais manjados!

    Não obstante, o roteiro (ou script) sim é original, pois não se trata de adaptação de nenhum roteiro (script, texto, storyboard, etc.) préviamente em existência! O contrário de “roteiro original” é “roteiro adaptado” (ou em casos extremos, plagiado), o que ‘Avatar’ claramente não é!

    Alias, aos que tem hábitos de leitura raros, isso é uma ocorrência comum, frequente, e amplamente aceita. Temas, conceitos, mitos, arquétipos, esteriótipos, tramas, simbolos, e até storyboards sempre foram copiados, reciclados, reinventados, reaproveitados, e parafraseados desde a época de Homer e seus contos!

    Personagens e temas e conceitos em Harry Potter são facilmente encontrados em literatura infantil antes de 1990, e nem por isso deixou de ser obra original. O mesmo se pode dizer para Frodo e Bilbo, Alice e Tom Sawyer, Lady MacBeth e Othelo, Maóme e Jesus, Aquiles e Odisseu.

    ‘Avatar’ toma emprestado conceitos comuns na mitologia sobre a ocupação Americana por Europeus, como explorado em obras por si mesmas referenciando mitos prévios, como ‘Danças com os lobos’ ou ‘Pocahontas’ (embora esta seja baseada em fatos biográficos verídicos, e tenha muito menos a ver com ‘Avatar’) ou ‘O Último Samurai’. Não obstante, ele leva metáforas ao conceito de simbiose e de harmonia evolutiva a extremos com punjança e propriedade, sem perder-se nas superstições religiosas desacopladas da realidade. Reabordando, assim, um tema espiritual importante com metáforas mais apropriadas para o nosso presente conhecimento científico e tecnológico.

    Em outras palavras, fazendo o que toda geração faz com os mitos e lendas legadas do passado — reinterpretando-nas para seu contexto presente.

    (Incidentalmente, eu achei essa cena de “sexo” bem coerente com o filme, o tema de simbíose neuro-cognitiva, e o bio-evo-desenvolvimento dos Na’Vi, e é muito mais espiritual que “sensual”. Não achei ruim, ou de mau gosto, e deve ter sido cortado por questões de tempo e narrativa!)

  • http://twitter.com/amedyr Ann

    Palmas pro Marcelo. Nada mais a acrescentar.

  • Denis Pacheco

    >>>>> Respondendo ponto a ponto:

    É um erro comum, e freqüente entre os comentários sobre o ‘Avatar’, mas o Diego aqui os conceitos “roteiro original” (ou “script original” como usado aqui) e “conceito original” ou “estória original”.

    >>>>> Original aqui foi aplicado como provocação lingüística (note os parênteses e/ou aspas, tanto aqui, quanto no texto). P/ todos que acompanharam a repercussão planetária de “Avatar” não é difícil estabelecer uma associação com a considerável parcela dos críticos que questiona a ‘originalidade’ do material, incluindo aí Peter Bradshaw, do Guardian UK (um dos primeiros a pontuar essa questão no script redigido pelo próprio JC). Se existe um erro comum aí é não depreender essa obviedade dentre os múltiplos sentidos da expressão, é ignorar que uma palavra possa estabelecer múltiplos sentidos – polifonia é um conceito a se investigar, eu recomendo.

    Os conceitos e os temas abordados no filme ‘Avatar’ não são originais, mas são conceitos e temas conhecidos e explorados em inúmeros livros, peças, e filmes no passado. Embora admita não haver seguido as entrevistas pré-lançamento, não me recordo de ter ouvido ou lido que Cameron houvesse declamado sua estória como única e original — o que não é raro de se ouvir sobre os filmes mais manjados!

    >>>>>> O conceito que você está procurando é a noção de DIALOGISMO formulada pelo lingüista russo Mikhail Bahktin. Ele foi o primeiro a extrapolar a idéia de historicidade das palavras para outras vertentes da produção humana, tais quais literatura, (hj em dia) cinema e televisão. James Cameron fez um script que (uns podem considerar) dialoga sim com diversas outras obras, ENTRETANTO, a postura crítica assumida aqui é de que a obra de Cameron não fala (por assim dizer), ela não tem voz própria, ela apenas ecoa o que muitos já disseram.

    Não obstante, o roteiro (ou script) sim é original, pois não se trata de adaptação de nenhum roteiro (script, texto, storyboard, etc.) previamente em existência! O contrário de “roteiro original” é “roteiro adaptado” (ou em casos extremos, plagiado), o que ‘Avatar’ claramente não é!

    >>>>>> Favor ler a primeira explicação. Acho que podemos presumir que o original entre aspas se aliava justamente ao conceito ‘originalidade’ discutido e não a noção da Academia de “INEDISTISMO TEXTUAL”, muito ligada as tramites de direitos autorais que não estão em debate nesse post.

    Alias, aos que tem hábitos de leitura raros, isso é uma ocorrência comum, frequente, e amplamente aceita. Temas, conceitos, mitos, arquétipos, esteriótipos, tramas, simbolos, e até storyboards sempre foram copiados, reciclados, reinventados, reaproveitados, e parafraseados desde a época de Homer e seus contos!

    >>>>>> Aliás, eu recomendaria que você lesse “O método formal nos estudos literários” (1928) do próprio Bakhtin. Nele estão discriminadas todas as redundâncias acima declaradas, mas com propriedade argumentativa ímpar.

    Personagens e temas e conceitos em Harry Potter são facilmente encontrados em literatura infantil antes de 1990, e nem por isso deixou de ser obra original. O mesmo se pode dizer para Frodo e Bilbo, Alice e Tom Sawyer, Lady MacBeth e Othelo, Maóme e Jesus, Aquiles e Odisseu.

    >>>>>> Outra dica de leitura (ou vídeo, pois eu acredito no audiovisual e a entrevista com Bill Moyers está imperdível) é “O Poder do Mito” e/ou “O Herói de Mil Faces” de Joseph Campbell. Ambos definem a chamada jornada do herói, que (sim) tornou-se a fonte de quase todas as fantasias. Fonte na qual James Cameron obviamente se chafurdou, assim como muitos outros. E nada de errado nisso.

    ‘Avatar’ toma emprestado conceitos comuns na mitologia sobre a ocupação Americana por Europeus, como explorado em obras por si mesmas referenciando mitos prévios, como ‘Danças com os lobos’ ou ‘Pocahontas’ (embora esta seja baseada em fatos biográficos verídicos, e tenha muito menos a ver com ‘Avatar’) ou ‘O Último Samurai’. Não obstante, ele leva metáforas ao conceito de simbiose e de harmonia evolutiva a extremos com punjança e propriedade, sem perder-se nas superstições religiosas desacopladas da realidade. Reabordando, assim, um tema espiritual importante com metáforas mais apropriadas para o nosso presente conhecimento científico e tecnológico.

    >>>>>> Nisso iremos discordar enfaticamente. “Avatar” não toma emprestado, ele simplesmente reverbera todo o mito da culpabilidade branca, algo revisitado por autores europeus, americanos e brasileiros. Obviamente do ponto de vista do conquistador em detrimento dos conquistados. As metáforas existentes em “Avatar” são plenamente circunstanciais e tão ligadas à ciência quanto uma matéria de Superinteressante. Não há aprofundamento em nenhum dos conceitos apresentados, a dita espiritualidade é francamente um estereótipo do xamanismo tribal estereotipado e com ares de cientificismo especulativo. Dica de leitura 3: Harlan Ellison (comece pelo conto mais famoso “I Have No Mouth, and I Must Scream” – ultra especulativo sobre a sobreposição do homem pela ciência em sua forma mais cruel possível)

    Em outras palavras, fazendo o que toda geração faz com os mitos e lendas legadas do passado — reinterpretando-nas para seu contexto presente.

    >>>>>> A atualização dos mitos é freqüente na própria replicação da palavra (e eu digo palavra = signo/significante/símbolo), qualquer obra construída pela linguagem revisita conceitos, mitos e lendas do passado. Inclusive a ficção científica que extrapola os rumos do futuro para trazer ao presente a reinterpretação dos supracitados. Em que “Avatar” se destacaria nesse processo que é tão natural quanto a fala em si, realmente me intriga.

    (Incidentalmente, eu achei essa cena de “sexo” bem coerente com o filme, o tema de simbíose neuro-cognitiva, e o bio-evo-desenvolvimento dos Na’Vi, e é muito mais espiritual que “sensual”. Não achei ruim, ou de mau gosto, e deve ter sido cortado por questões de tempo e narrativa!)

    >>>>>> Acredito que isso eu não tenho como argumentar, como você enxerga a cena é uma questão pessoal e completamente válida no que se refere a sua ligação com os sentidos nela representados.

    Destaco que eu aprecio qualquer comentário sobre qualquer um dos meus posts, mas informo que se o comentário tiver o objetivo de desconstrução crítica, peço que ele venha embasado em referências bibliográfica e/ou filmográficas para que se estabeleça um espaço mínimo de razão comunicativa (em termos habermasianos) em prol do consenso.

  • Cypheus

    Concordo com o Marcello também.

    Em primeiro lugar, sou daqueles que gostaram do filme.
    Mas acho totalmente desnecessário esperar até o final do ano para comprar o BluRay porque irão relancar o filme nos cinemas no meio no ano, que absurdo isso!!!
    Confesso que esfriei totalmente com essa.
    Acho sem necessidade essa cena no filme já que o foco do mesmo é outro e não sensualidade.
    Poderiam muito bem colocar essa cena em DVD e BluRay.